O frio dos moradores de rua na visão de dois repórteres

Esta é a Bárbara passando frio, em foto de Daniel de Cerqueira

Esta é a Bárbara passando frio na rua, em foto de Daniel de Cerqueira

Quem acompanha este blog sabe como eu me preocupo em abordar uma questão social antiga e ainda urgente: nossos moradores de rua. Essas pessoas “invisíveis”, que só costumam aparecer nos noticiários quando o frio aperta e elas acabam se tornando as primeiras vítimas da hipotermia.

Listo ao pé deste post, como de costume, alguns textos correlatos que já escrevi sobre o tema.

Mas hoje venho indicar a leitura de uma reportagem feita por outra pessoa, a colega Bárbara Ferreira, repórter do jornal “O Tempo”. Na última quinta-feira, quando cheguei à Redação, às 7h, não encontrei apenas a colega Fernanda Viegas, que costuma “abrir” as portas da empresa junto comigo. Lá estava também a Bárbara, com uma cara de sono danada, e o repórter-fotográfico Daniel de Cerqueira, que a acompanhou na difícil missão de passar a madrugada gélida de Beagá ao lado dos moradores de rua.

Eles descobriram, na prática, que o bom e velho agasalho não é suficiente para cortar o vento frio que tem deixado a sensação térmica na capital mineira em -5ºC durante as madrugadas. Os moradores de rua precisam apelar à pinga e ao crack para tentar se manter aquecidos.

Bom, mas é muito melhor ler o relato sensível da Bárbara (ilustrado pelas imagens capturadas por Daniel) do que meu comentário sobre ele. CLIQUE AQUI e boa reflexão! 😉

Leia também:

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Não se blinda Aécio Neves como antigamente

Aécio Neves em 10.3.2016. Foto: Lula Marques/ Agência PT

Aécio Neves em 10.3.2016. Foto: Lula Marques

Texto escrito por José de Souza Castro:

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está às voltas com delações premiadas há algum tempo. O destaque dado pela imprensa à citação de seu nome pelo ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), em março deste ano, e agora pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, indicado para o cargo pelo PMDB, não é proporcional à importância do ex-governador e senador de Minas, candidato tucano à presidência da República em 2014 e atual presidente do seu partido.

Por causa desse quase descaso, a imprensa tem sido acusada de blindar Aécio Neves. Se verdadeira a suspeita, está ficando cada vez mais difícil manter a blindagem.

Não era assim em 2010, quando chegou à Procuradoria Geral da República um inquérito contra Aécio Neves, acusado de ter conta no paraíso fiscal de Liechtenstein em nome de uma offshore. Passaram-se cinco anos e, em dezembro último, a denúncia dormia numa gaveta da PGR, sem que tão prolongado sono causasse estranheza a ninguém.

Dinheiro de político em offshore só começou a preocupar o atual Procurador Geral da República quando se viu obrigado a apresentar ao Supremo Tribunal Federal denúncia contra Eduardo Cunha. Continuar lendo

Massacre de Orlando: o mundo avançou, mas continua maluco

Charge do Duke no jornal "O Tempo" de 13.6.2016

Charge do Duke no jornal “O Tempo” de 13.6.2016. Clique para ver maior

Texto escrito por José de Souza Castro:

O mundo em geral e o Brasil em particular avançaram muito desde 1973 em muitos aspectos, apesar de recuos recentes, como mostramos aqui, ou não tão recentes, como os longos anos da última ditadura militar que alguns malucos ou mal informados gostariam de ter de volta em nosso país.

O avanço que mais se destaca, no momento, foi provocado pela última tragédia norte-americana, na madrugada de domingo passado, quando um atirador matou 49 pessoas em Orlando, na Flórida, dentro uma boate gay, a Pulse.

Em tempo: o avanço não é o massacre, mas a reação do mundo a ele. Tão ágil quanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o presidente brasileiro em exercício, Michel Temer, no próprio domingo, se manifestou deste modo: “Quero lamentar enormemente a tragédia nos Estados Unidos que vitimou dezenas de norte-americanos. Expresso a solidariedade brasileira às famílias das vítimas desse atentado”. Ele não fez qualquer referência à preferência sexual das vítimas.

Bem diferente do que se viu, em 1973, quando o UpStairs Lounge, bar frequentado por gays, foi atacado por um incendiário em New Orleans, e os políticos e as próprias famílias das vítimas preferiram se calar a respeito. Continuar lendo

Em 1 mês de governo de Michel Temer, ao menos 30 retrocessos; veja a lista

temer

Ontem o governo interino de Michel Temer completou 1 mês. E, como prometido, fui atualizando a lista de retrocessos que aconteceram no país desde então. Confesso que chegou um momento em que passei a atualizar menos, porque meu tempo anda escasso. Além disso, agendei este post na última sexta-feira, então não contém eventuais novidades do fim de semana. Por esses motivos o “ao menos” do título deste post. Porque deve ter acontecido bem mais coisas frustrantes/previsíveis do que estas 30 que eu relacionei. Fique à vontade para acrescentar mais itens aí na parte dos comentários.

Segue a lista que eu fiz: Continuar lendo

José Olímpio e Mercedes, um breve conto de amor e amargura

Pequenos cuidados. Autor: Puuung

Autor: Puuung

Recebi o conto abaixo da leitora Rita Prudêncio, que completa 33 anos de idade hoje (feliz aniversário!! 😀). Ela é professora e pesquisadora universitária em Rio Branco, no Acre. Seus textos podem ser lido no blog Água Batendo no Nariz. Para entrar em contato com ela, basta enviar um email.

Quando terminei de ler o conto de Rita, pensei na hora em como o amor pode estar nas coisas mais prosaicas. Mesmo que mesclado à decepção, desilusão, amargura e outros sentimentos nem tão bonitos. O texto aborda a rotina de um casamento, do ponto de vista do cuidadoso marido. E é muito apropriado para este Dia dos Namorados. Por isso, recomendo a leitura pelos apaixonados e desapaixonados que passarem por aqui neste domingão.

Bom proveito:

 

“José Olímpio acordou assustado. O quarto estava escuro e mais quente que o habitual. Ele tateou o móvel perto da cama, em silêncio, para não despertar Mercedes, que ressonava a seu lado, e encontrou o telefone celular. Cobriu a cabeça com as cobertas, para evitar que a luz azul da tela acordasse a esposa, e olhou as horas. Passava das seis da manhã, estava atrasado. Continuar lendo