Temer precisa vender logo a Petrobras antes que a popularidade de seu governo baixe a zero

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Saiu a primeira pesquisa de opinião pública após quase um mês de governo Temer. É a pesquisa MDA encomendada pela Confederação Nacional de Transportes, do ex-senador Clésio Andrade (PSDB-MG), divulgada nesta quarta-feira, 8 de junho. Mostra que a lua-de-mel com o governo interino, se houve, já acabou.

Pois “a avaliação da gestão Temer é positiva para apenas 11,3% dos entrevistados e negativa para 28% deles”. Mais: 33,8% dos entrevistados aprovam o desempenho pessoal de Temer e 40,4% desaprovam. Ainda: 46,6% acham que a corrupção no governo Temer será igual ao do governo Dilma, 28,3% esperam menor e 18,6% que será maior.

Dois dias antes da divulgação constrangida dessa pesquisa por apoiadores do impeachment de Dilma, foi revelado que o ministro Gilmar Mendes, do STF, havia autorizado a investigação de Clésio Andrade (e Aécio Neves) por suspeita de corrupção. Mais um pouco e se completariam nove anos desde que escrevi no Observatório da Imprensa artigo mostrando como, no ninho tucano, agia Clésio, o primeiro vice-governador das duas gestões de Aécio Neves em Minas.

Como se sabe, a justiça tarda e falha. Mas deixemos isso pra lá. Estou mais interessado agora numa notícia de terça-feira intitulada “Petrobras confirma processo de venda de terminais de gás e térmicas”.

A consequência se viu no dia seguinte com as ações da Petrobras subindo mais de 8%. Festa no mercado. Os rojões juninos só não foram mais retumbantes porque, em razão dos traques do governo Temer evidenciados pela pesquisa, as intenções de acabar com a estatal em proveito das grandes petroleiras internacionais talvez não se realizem, por falta de tempo.

E porque, afinal, com as últimas altas do preço mundial do petróleo, que superou US$ 52 o barril, maior cotação desde outubro passado, e com a forte queda do dólar ante o real que reduz bastante a dívida da Petrobras, não será tão fácil convencer os brasileiros, inclusive deputados e senadores, que é necessário vendê-la na bacia das almas. Como se fez, no governo Fernando Henrique Cardoso, com a privatização da Vale.

É preciso correr logo com essa venda da Petrobras, antes que gritem “pega ladrão!” Haja pernas, ministro José Serra…

E a Petrobras não ajuda. Por que o novo presidente, Pedro Parente, de quem o mercado esperava tanto, permitiu que se divulgasse na mesma quarta-feira que a produção de petróleo e gás tinha crescido 5% em maio, na comparação com abril, para 2,83 milhões de barris de óleo equivalente por dia e que, em relação a maio de 2015 a alta foi de 2%?

Assim não dá. Como o governo vai continuar podendo desdenhar para vender a maior estatal brasileira?

Pena que a Vale foi privatizada em maio de 1997 com pífios ganhos do governo em caixa e arrecadação de impostos, mas com lucros fabulosos para os acionistas privados –, até que, no ano passado, apresentou prejuízo líquido acumulado de R$ 44,2 bilhões, “o maior já registrado por uma empresa de capital aberto no Brasil desde 1986”.

Não fosse a precipitação de FHC (e de seu ministro do Planejamento, José Serra), imagine-se a correria que seria hoje no sentido de privatizar a Vale, para que voltasse a dar lucros. Para o Brasil? Ora, bolas!

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Um comentário sobre “Temer precisa vender logo a Petrobras antes que a popularidade de seu governo baixe a zero

  1. Uma das coisas que se quer vender:
    http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/novo-poco-em-libra-confirma-extensao-da-descoberta-de-oleo.htm
    Novo poço em Libra confirma extensão da descoberta de óleo
    15.Jun.2016

    “O Consórcio de Libra concluiu a perfuração e a avaliação do sétimo poço do bloco, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. Com ele foi encontrada a maior coluna de óleo (net pay) já descoberta em Libra, com 410 metros de espessura. Essa coluna supera a última encontrada, de 301 metros, anunciada em março deste ano. (…) Até o momento, foram concluídas as perfurações de sete poços em Libra (seis pelo Consórcio e um pela Petrobras) e o oitavo (3-RJS-743A), também na área noroeste do bloco, está em perfuração. A área de Libra foi a primeira concessão sob o regime de partilha da produção.

    O Consórcio de Libra é formado pela Petrobras (operadora com 40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%), tendo como gestora do contrato de partilha da produção a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

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