As três razões para meu voto

Como prometido, hoje vou escrever sobre meu voto. Apesar de muitos terem dito que eu não deveria declarar meu voto, por estarmos em um momento de muita agressividade na internet, acho que estas são eleições em que não podemos nos omitir, temos que tomar um partido, sair do muro, porque muita coisa está em jogo. Claro que não escrevo este post para aqueles que já estão convictos de seu voto (e todos têm seus motivos para escolher um ou outro candidato, que devem ser respeitados), mas para os que ainda estão abertos a mudar de opinião (ou tomar uma posição), a partir da reflexão. E, para contribuir com essa reflexão, trago uma planilha com diversos dados que coletei a partir de registros oficiais, além de mais de 70 links para notícias confiáveis, selecionadas a partir de critério jornalístico, que detalham o que escrevo ao longo do post, e que podem ser consultadas como fonte de informação. Espero que os leitores, mesmo os que discordem de mim, mantenham o respeito, como sempre mantiveram neste blog 😉

Decidi que vou votar 13, ou seja, pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por três razões principais:

  1. Porque seu governo conseguiu conquistas importantes em algumas áreas;
  2. Porque as principais críticas que são feitas ao governo perdem força se comparadas com o governo de Fernando Henrique Cardoso, último presidente da República filiado ao PSDB;
  3. Porque, embora eu considere a alternância de poder muito importante para uma democracia, não acho o princípio válido quando a alternativa é Aécio Neves, personagem que venho acompanhando de perto desde que assumiu o governo de Minas pela primeira vez, em 2003.

Passo a explicar melhor cada uma dessas razões.

1) Para mim, as melhores conquistas do governo Dilma, que foi um governo de continuidade do Lula, dizem respeito:

Para mim, é uma conquista impressionante que o número de miseráveis e de subnutridos no meu país tenha sido reduzido tão consideravelmente em tão pouco tempo. Me parece que isso só foi possível por ter havido uma política de Estado que priorizou isso, antes de qualquer outra coisa. Vejo que a vida do povo, de modo geral, melhorou muito, com o acesso ao ensino superior e a bens de consumo importantes. No campo da economia, a cartilha desenvolvimentista seguida pelo governo de Dilma tem sido defendida por Bancos Centrais de todo o mundo, e os neoliberais, da linha de Armínio Fraga, estão começando a perder espaço.


2) A inflação está nas alturas? O crescimento está baixíssimo? A cesta básica está impossível de pagar? A Petrobras está sucateada? Não é o que os números me mostram, pelo menos não dessa forma tão trágica como vem sendo alardeada pelos defensores do Estado mínimo.

Vamos aos fatos:

  • a inflação no mês passado foi de 0,57%. No mesmo mês de 1998 (primeiro mandato de FHC), houve deflação de 0,22%. No mesmo mês de 2002 (segundo mandato de FHC), foi de 0,72%.
  • O ano de 1998 fechou com inflação de 1,65%. Já em 2002, fechou a 12,53% (o governo FHC já tinha conseguido reduzir a hiperinflação a quase zero, que foi seu grande mérito no primeiro mandato, então não é mais válido o argumento de que a inflação estava a 1000% antes de chegar a 12,5%; no segundo mandato, o presidente do Banco Central, responsável direto pelo controle da inflação, era Armínio Fraga, que Aécio escolheu agora como seu ministro da Fazenda). Em 2013, fechou a 5,91% (abaixo do teto da meta) e o acumulado nos últimos 12 meses está em 6,75%.
  • Uma das razões para o aumento da pressão sobre os preços nesta época do ano é a prolongada seca (veja AQUI também); portanto, há chances de o ano fechar com inflação dentro da meta estipulada pelo BC, como em todos os outros anos do atual governo (2011, 2012 e 2013).
  • Considerando a média da inflação em todo o mandato, a do governo Dilma é a mais baixa desde o Plano Real, inclusive que as dos governos FHC e Lula.

O crescimento está terrível? Pibinho? Em relação ao crescimento chinês do governo Lula, está mesmo. Em relação ao governo FHC, não é bem assim.

  • O país cresceu 0,04% em 1998 (último ano do primeiro mandato de FHC) e 2,66% em 2002 (último ano do segundo mandato).
  • Em 2013, o crescimento foi de 2,49%. Em 2014, o acumulado em 12 meses está em 0,93%.
  • Gozado é que, pelo menos desde 2013, o PIB de Minas tem crescido ainda menos que a média nacional. E, sim, o Estado também foi prejudicado pela seca.

A cesta básica custa R$ 303,54 em Belo Horizonte (setembro), segundo o Dieese. Subiu muito em relação aos R$ 93,58 que custava em 1998, certo? Errado: graças ao aumento do salário mínimo, que saltou de R$ 130 (ou o equivalente a R$ 362,29, tendo em vista a inflação acumulada no período) para R$ 724, o trabalhador que gastava mais de 158 horas de trabalho para bancar esta cesta hoje gasta 92 horas, ainda segundo o Dieese.

A Petrobras, que tinha lucrado R$ 701,7 milhões em 1998 e R$ 8,089 bilhões em 2002, lucrou R$ 23,6 bilhões em 2013 (foi a empresa que mais lucrou no país em 2013, dentre todas as 313 de capital aberto) e, só no primeiro semestre de 2014, já lucrou R$ 10,4 bilhões. O valor de mercado da Petrobras caiu em relação ao auge que atingiu no governo Lula (de R$ 380 bilhões em 2010 para R$ 240 bilhões nesta semana). Mas era de R$ 15,5 bilhões em 2002. (Leia mais AQUI)

Também é legal comparar o olhar que o Brasil passou a ter no resto do mundo. Em 2002, tivemos que recorrer ao FMI para empréstimo de US$ 41 bilhões. Apenas três anos depois, Lula quitou a dívida, que estava em US$ 15 bi e, em 2009, tornou-se credor do organismo, emprestando US$ 14,5 bi para ajudar países em dificuldades financeiras. Em 2012, já no governo Dilma, o Brasil aumentou o aporte no FMI, enquanto fez exigências para que países em desenvolvimento tenham mais participação no Fundo. Esse histórico pode ser visto AQUI, em infográfico do jornal “O Globo”. É inquestionável como o Brasil cresceu aos olhos do mundo, passando a ser mais respeitado desde o governo Lula e o surgimento dos Brics, em 2006/2011, grupo que criou seu primeiro banco de desenvolvimento neste ano. Para ficar em um exemplo fácil, a Copa do Mundo, que todos diziam que seria caótica, foi vista como “a melhor dos últimos tempos” pelo britânico “Financial Times“.

Por fim, vale comparar a gestão da energia nos dois governos. Apesar de estarmos com os reservatórios com níveis inferiores aos de 2001, numa das secas mais prolongadas da história, não houve necessidade de racionamento de energia, nem houve apagão – como naquele ano, durante a gestão de FHC.

Não consegui reunir todos os dados que eu queria, porque isso é uma coisa que demanda tempo e isso tem-me faltado. Queria ter coletado mais informações e números, sobre educação e investigações da Polícia Federal, por exemplo, como o cineasta Pablo Villaça fez tão bem. Mas é possível ver estes indicadores acima e outros que encontrei, com as respectivas fontes para cada um deles, na planilha que montei. CLIQUE AQUI para acessá-la.


3) Se o PT e o PSDB nos enojam com o aparelhamento de Estado para benefício do partido — como demonstraram os escândalos do mensalão e este agora da Petrobras (que já resvalou em um dos ícones tucanos, Sérgio Guerra, e em todo o PSDB), e os escândalos do mensalão tucano (que tem como um dos réus Clésio Andrade, vice de Aécio no primeiro mandato e marido da atual presidente do TCE, Adriene Barbosa, que tomou posse como conselheira em 2006, indicada por Aécio quando Clésio ainda era seu vice), a máfia dos fiscais do ISS (que atinge as prefeituras de José Serra, Gilberto Kassab e Fernando Haddad), as propinas milionárias pagas pela Alstom e Siemens para ficarem com os trens e metrôs de São Paulo, além de dezenas de outros escândalos descobertos nos governo FHC, Lula, Dilma, Alckmin, Serra, Eduardo Azeredo e outros –, Aécio Neves me preocupa ainda mais porque, além de também ter aparelhado as estatais mineiras, como Cemig e Codemig, usou seu governo em Minas para benefício próprio ou de sua família, como podemos inferir pelas notícias sobre o aeroporto de Cláudio (e muitas outras práticas coronelistas em Cláudio, que incluem até suspeita de compra de votos), a pista de Montezuma, práticas de nepotismo, que podem ter favorecido diretamente empresas da família — tudo com a conivência completa do Ministério Público do Estado e do já citado TCE presidido por sua amiga, a mulher de Clésio Andrade — ou, muito antes, no início de sua carreira política, por Aécio ter sido nomeado diretor da Caixa por seu parente, que era ministro da Fazenda (e há suspeita de que ele tenha sido conivente, ou pelo menos omisso, em relação à Máfia das Lotecas).

Fora essa parte dos escândalos, que pode ser encontrada por qualquer eleitor que “der um Google” por aí, questiono (e não só eu!) a forma como ele governou Minas Gerais (direto do Rio de Janeiro, onde mais morou), com um choque de gestão questionadíssimo (ver AQUI e AQUI), com relatos de ter deixado um “Estado quebrado” para Anastasia, com educação sucateada (e salários abaixo do piso nacional, como se vê nesta carta de professores), investimentos em saúde e educação questionados na Justiça até hoje, falta de transparência, inclusive nos gastos com publicidade, que explodiram em seu governo e foram destinados, em parte, a empresas de telecomunicações de sua família (ou, agora, a contribuir para a campanha eleitoral, conforme entendimento do TSE), e construção de uma obra faraônica, a Cidade Administrativa, por R$ 1,2 bilhão, que já teve que ser reformada um ano depois de pronta; questiono sua nulidade como senador e, antes, como deputado; e não gosto de seus traços autoritários, ao sair processando tudo e todos, até o Google, o Twitter e blogueiros, só por publicarem informações ou opiniões que lhe desagradam. “Traços”, aliás, foi bondade minha, porque considero que muitas das ações do pessoal de Aécio foram tentativas claras de intimidação e de censura prévia, que não condizem com a democracia que estamos tentando construir para o Brasil. (Dois documentários já foram produzidos a respeito: veja AQUI e AQUI).

Ainda vale ressaltar que, embora os governos de Lula e de Dilma tenham apanhado de todos os lados, seja nas redes sociais, na blogosfera ou na imprensa, não tenho conhecimento de ações judiciais movidas por eles para tentar calar as pessoas ou os veículos de comunicação. Como esse assunto, da liberdade de expressão e de imprensa, me é muito caro, acho importante registrar essa diferença abissal entre os dois candidatos nesse assunto. Não se trata de corporativismo de jornalista, mas de um princípio básico da democracia. É importantíssimo, fundamental mesmo, que a imprensa — e as pessoas de um modo geral — sejam livres para se expressarem em uma democracia, porque só com a crítica pode haver evolução.

É tudo mentira? Conspiração da “blogosfera comunista” e da “esquerda caviar”? Bom, deixei os links de diversos jornais, com todos os matizes ideológicos, para que você tire suas próprias conclusões. Mas, lendo a análise de apenas um dos debates presidenciais, feita pela “Folha de S.Paulo” (que está longe de poder ser tachada como petista), é fácil verificar qual candidato distorceu mais o que disse, em detrimento da verdade. (Atenção, que tem o “não é bem assim” e o “é bem assim”.)

Para concluir, olhando para o futuro, como diz Aécio, não gosto da perspectiva de um Brasil presidido por um candidato que tem o apoio de Bolsonaro, RonaldoMarco Feliciano, Silas Malafaia e Levy Fidelix. Claro que Dilma também reúne a seu redor um monte de políticos das trevas, mas percebo que a nata do conservadorismo brasileiro, que apoiou o regime militar e elegeu Collor em 1989, está “fechada com Aécio“. E o PMDB, que já foi um bom partido e hoje está longe disso, estará com qualquer um dos dois (alguém se surpreende?).


Enfim. Quero, sim, que haja alternância de poder, queria que fosse possível uma presidência sem blocão com o PMDB, quero que esses escândalos parem de ocorrer com todos os partidos, quero que o Brasil continue crescendo mais e mais, mas não vejo como Aécio Neves possa ser aquela alternativa que muitas pessoas pensam que é.

Concorda comigo? Compartilhe o post 😀 Discorda? Espero que com argumentos e com educação 😉


Fecho o post com o necessário bom humor, que acho que deve prevalecer mesmo durante discussões ou em momentos de tensão 😀

paul

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35 comentários sobre “As três razões para meu voto

  1. Kika, bom dia, estou com você, mas por razões simples, comparo o meu dia a dia de hoje com 1994. A minha empresa vai bem, tenho emprego, nunca vi tanta gente trabalhando com CTPS assinada, quase todo mundo tem nível superior, mesmo que não seja de uma Federal, as pessoas estão correndo atrás de qualificação, trem, metrô e ônibus lotados é ruim, mas as pessoas estão trabalhando, tem mais gente circulando no mercado. Tudo bem que meu universo não é o Brasil, mas sinto as mudanças. Se o negócio vai bem para minha empresa será bom para mim também. O Governo informatizou muito a arrecadação de impostos, vai arrecadar mais, e todo mundo vai ter que pagar, a malha fina está cada vez mais fina e isso incomoda muita gente. Olhando para o futuro vejo que estamos arrumarando a casa agora para colher os frutos lá na frente. Outros dirão, é mais dinheiro para corrupção, não consigo ver assim, muito é desviado sim, mais com o PSDB não será diferente, não gosto do Aécio, também concordo que deve haver a mudança no poder, é sadia, mas não com o Aécio, essa história de cortar salário pela metade me lembra Fernando Collor. Estou arrumando a minha casa, educando o meu filho, fazendo a minha parte, e sei que só veremos o resultado de nossas escolhas daqui 30 anos, a minha vida não vai mudar e nem melhorar agora, a mudança que todos querem é um imediatismo que não existe.

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  2. Cris, parabéns pelo artigo. Pela quantidade de links, vê-se que você pesquisou bastante, antes de declarar seu voto. Não me surpreende esse seu esforço, pois o conheço bem. Mas fico agradecido, pois tenho agora mais base para sustentar, perante a minha própria consciência de cidadão, meu voto em Dilma, embora eu também seja defensor da alternância e renovação no poder e tenha que desagradar aos vários amigos, como o jornalista Acílio Lara Resende, cuja opinião muito respeito, que gostariam que eu declarasse meu voto em Aécio.

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  3. Parabéns pelo post, Cris!
    Espero que influencie indecisos – e por que não aecistas? – no domingo! (pelo que vi no comentário acima você já convenceu um eleitor de Aécio a votar em Dilma, correto??)
    Você pesquisou para escrever, não fez como muitos que votam em fulano porque “acha que”.
    Rumo a um país cada vez melhor!!

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  4. Gostei de suas colocações, muito objetivas e claras, servirrão para encaminha-las a pessoas que estão em dúvida. Concordo com suas justificativas. Quem tem amor ao Brasil e deseja um país mais inclusivo e jussto vota em Dilma. Eu apoiei Lula e Dilma e continuo com Dilma.

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  5. Aqui é a Sandra Starling, Cris, sua “velha”conhecida… Vou votar no Aécio, sim e se ele fizer que nem a Dilma anda fazendo (e até o Lula acabou fazendo), mudo para outro. Afinal ninguém é dono da verdade. Isto é, mudo para outro(a), se estiver viva…Beijo muito grande

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    • Sandra, compreendo suas perplexidades nestas eleições. Eu também, pela primeira vez, não tinha convicção em quem votar, nesse segundo turno. Ambos os candidatos deixavam muito a desejar. Como você, sou também um desiludido com o PT, embora nunca tenha sido petista (ao contrário de você, uma das fundadoras do partido), mas bem antes eu já havia me desiludido com o PSDB. Acabei votando na Dilma, mais por causa da história dela do que pelo que ela conseguiu realizar na Presidência da República.

      Li seu artigo no O Tempo (http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/sandra-starling/quanta-ingenuidade-em-campanha-t%C3%A3o-rasteira-1.939060) e me solidarizo com sua reação às agressões sofridas por ter declarado seu voto no Aécio (que acabou não se efetivando, pelos motivos apontados no artigo.

      O bom é que, qualquer que fosse o seu voto, eu não tinha por que discordar dele. Não votando, também não tenho porque discordar.

      Grande abraço.

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  6. Como é bom ler um texto lúcido e coerente sobre este assunto. Muito obrigada! Confesso que, no início das Eleições, queria muito uma mudança. Mas quando a alternativa é Aécio Neves fica difícil não mudar de opinião. Parabéns pelo post!

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  7. Boa tarde Kika, tudo bem? Me permite comentar seu texto?

    1) O Brasil avançou de forma semelhante (no geral de maneira pior) a todos os países em desenvolvimento que adotaram matrizes macroeconômicas semelhantes as que foram adotas por FHC e Lula.

    O único aspecto onde o Brasil teve um desempenho melhor do que um grupo de controle sintético formado por países emergentes (excluindo outliers, como China) em uma situação parecida foi o mercado de trabalho (DIEESE já registra mais de 10% de desemprego nesse momento), em alguns teve um desempenho equiparável à média e em todos os outros foi pior.

    Dos aspectos em que a evolução esteve na média dos outros países: redução da pobreza e IDH. Em outros, como escolaridade, violência, desigualdade de renda, a evolução foi abaixo da média.

    Já em PIB per capita, produtividade, investimento em capital físico e capital humano, competitividade, ambiente de negócios, ambiente regulatório, indústria, energia, etc. evoluiu muito abaixo dos outros países.

    Eu sou contra o salário mínimo, mas não vou me aprofundar pois geraria um outro debate imenso. Só queria lembrar que quase metade dos trabalhadores brasileiros vivem na informalidade, portanto fora dos “direitos conquistados”.

    2) Você já analisou os dados de inflação tomando como base em quanto estava a inflação quando FHC assumiu e em quanto ele entregou? A inflação acumulada durante o período Itamar foi de 41.941.718,61%, no período FHC foi 114,43%, ou 0,00028% do acumulado anterior. Queda de 99,99972% em relação ao governo anterior. No período Lula foi 47,72%, ou 41,71% do acumulado anterior. Queda de 58,29% em relação ao governo anterior.

    Sobre o crescimento, já disse acima, o Brasil cresceu cerca de 80% a média mundial no período FHC e 40% no período Lula Crescimento mundial durante governo FHC: 24,27% ou 2,75% ao ano. Em relação ao governo anterior, FHC cresceu cerca de 73% enquanto Lula cresceu cerca de 55%.

    Depois preciso atualizar pra Dilma, mas a coisa só vai ficar mais feia pra ela.

    Outros fatores eu já citei acima. Vale salientar que a população de baixa renda não possui meios de se proteger da inflação como as classes A e B possuem (investimentos, moeda estrangeira, compras no exterior e etc.). Essa alta da inflação durante o governo Dilma tem sido muito subvalorizada pela esquerda, os mais pobres sentem e sofrem isso no bolso. Mas a esquerda ta sempre se lixando pros pobres, vale mais defender a ideologia ultrapassada.

    Sobre a dívida externa, o Lula somente trocou a dívida com o FMI por uma dívida interna com juros mais elevados. Falta de conhecimento absurda essa propagação de que o Lula obteve sucesso nessa ideia megalomaníaca dele que o Brasil pagou todas suas dívidas. Ele até foi eficiente em atingir as metas do superavit, muito mais que o FHC, mas a Dilmantega chutou tudo pro alto.

    3) Se formos entrar no mérito corrupção os dois estão na lama. Mas é indiscutível que o PT tem utilizado a seu favor sistematicamente órgãos estatais para aterrorizar a população com uma possível eleição dos tucanos. Sem falar que o Mensalão foi uma tentativa de fraudar a república nunca vista antes em lugar nenhum do mundo.

    Isso sem falar nos 56 mil homicídios por ano, 50% das casas não tem saneamento básico, fica em último ou penúltimo em todos os rankings de saúde e educação, liberdade econômica e de imprensa estão rolando escada abaixo, inflação crescendo e corroendo os ganhos de 90% da população que não tem como se proteger dela, 50 mil casos de estupro registrados anualmente, poluição e desmatamento avançando, só 5% de todos os crimes no país são investigados, o congresso e a justiça batendo recordes de ineficiência e morosidade, o BNDES batendo recordes de empréstimos para grandes empresas amigas do rei, bolsa desvalorizada, dólar em alta e real em baixa, desemprego subindo, nota de avaliação sobre risco de crédito descendo, diplomacia brasileira em frangalhos e desmoralizada, país apoiando ditaduras e perdoando dívidas, praticamente todos os setores da economia estão oligopolizados e protegidos mais uma centena de coisas… NÃO melhoraram NADA disso depois de 12 anos no poder com amplo apoio popular e maioria no congresso.

    Inclua-se que nos homicídios ocorreu aumentos em crimes contra negros, homossexuais e mulheres, tidos como “protegidos” pelo PT. E olha que eu nem vou entrar no mérito em citar o Celso Daniel, o Toninho do PT, o caseiro Francenildo dentre outros.

    EM RESUMO:

    O Brasil cresceu e avançou (impulsionado pelo aumento do preço das commodities no mercado internacional) igual ou menos que TODOS outros países em desenvolvimento do mundo nos últimos 20 anos. (Uau! There’s no miracle!) Só que isso se deu de forma mais intensa (comparativa) nos períodos FHC > Lula > Dilma.

    Mas isso é só um ponto, meus pais não tem medo de neoliberalismo ou de sucumbirem ao imperialismo americano, eles tem medo de eu entrar pra estatística dos 56 mil assassinados por ano nesse país (que sequer 5% são investigados), ou que minha irmã esteja entre as 50 mil estupradas por ano (que sequer 5% são investigados). Se eu achar um petista que se lembre que existam esses dados (mais os 50% que NÃO tem acesso ao saneamento básico) na hora de defenderem voto na Dilma, acho que podemos conversar. 😉

    Obrigado e um forte abraço!

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    • Obrigada pelo comentário educado, Giovanni, em tempos de tamanha agressividade nas redes sociais. Aliás, me sinto uma privilegiada por ter leitores com tão alto nível de cordialidade no meu blog. Deixo aí seu comentário como uma espécie de contraponto ao meu post, já que ando sem tempo para entrar em debates e esmiuçar argumentos. Mantenho as informações que compartilhei acima (infelizmente não entrei no mérito da violência em Minas, renderia um belo caldo). Os leitores que comparem os olhares e tirem suas próprias conclusões. Um abraço

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    • Oi, Giovanni, tudo bem? Não vou nem tentar rebater seus argumentos econômicos porque não tenho conhecimento pra isso, hehe. E agradeço muito sua contribuição para o debate. Mas a parte de crimes eu entendo, e gostaria de oferecer a minha contribuição. A competência para investigar os crimes que você comentou é dos Estados, e não da União. Os fatores para aumento da criminalidade – e não sei de onde você tirou esses números federais, já que os levantamentos são feitos dentro dos Estados, com diferentes metodologias, e o próprio MJ tem trabalhado para criar um padrão nacional – vão desde condições sócio-econômicas (e aí o executivo federal poderia ter influência) até iluminação pública, passando por um aumento na notificação e registro das denúncias, o que é uma coisa boa: mais gente consegue denunciar a violência que sofreu e,do lado da polícia, há mais regularidade no registro. Falando de Estados que eu conheço, sei que o estado de São Paulo,na mão do psdb há mais de 20 anos, vê um aumento dos latrocínios e sequestros e uma diminuição dos outros crimes. Não dá pra dizer que é culpa exclusiva do psdb, na minha análise, mas segundo os seus critérios seria, né? Outro estado conhecido por suas estatísticas confusas sobre o crime é o Paraná, que não divulga dados pra não ficar com a pecha de violento. E com certeza deve ter muita gente “fraudando” esses dados pelo Brasil afora, de todos os partidos. Gostaria também de saber de onde você tirou as estatísticas de 5% dos crimes investigados,poderia colocar a fonte aqui, por favor? Obrigada!

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      • Fez falta ele colocar a fonte de tudo o que falou.
        Sobre estatísticas confusas, vale destacar o caso de Minas Gerais, que é o que conheço melhor. Eles só passaram a divulgar as estatísticas periodicamente no ano passado (coincidentemente, depois de uma série de reportagens que fiz sobre o assunto, no G1, no fim de 2012, que motivou até o secretário de defesa social a me telefonar para conceder entrevista). Mas já foi um avanço, porque os dados vêm mesmo sendo divulgados. Na época do Aécio, em que os homicídios deram um salto imenso, segundo o Mapa da Violência, a transparência era, como em todas as outras áreas, inexistente. Num do links aí do post, sobre transparência, coloco uma reportagem que fiz com a Cintia Acayaba, em 2009 (Aécio governador), em que passamos três semanas pedindo dados para todos os Estados do país e só Minas — juntamente com mais 3 Estados: PI, PA e AP — se recusou a fornecer os dados completos, tornando impossível a comparação. Faltou transparência, mais uma vez… abraços!

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  8. Interessantes os números citados por Giovanni Pellegro. Interessantes principalmente porque desconhecidos por mim, até ler o comentário. Pena que ele não tenha posto links para que as citações possam ser confirmadas. Sem isso, fica a dúvida: os números serão reais? E o próprio Pellegro, será ele real? Infelizmente, uma busca no Google não ajudou a esclarecer este ponto, a meu ver importante.

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  9. bravo, bravo 🙂 foi um dos melhores posts que já li até agora. Já estou decidida há muito tempo e textos como esse me fazem ter uma dupla certeza que estou no caminho certo por um país melhor para todos nós.

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  10. Valeu, Cris!
    Tomara que você convença muitos indecisos!
    Você também podia ter falado do seu grande amigo Jarbas e do Alceu, que não se cansaram de acobertar as falcatruas do Aécio.
    Hoje, meu voto é mais anti-Aécio/PSDB do que pró Dilma/PT.
    Gostaria de ter melhores opções nesse segundo turno. Mas, no meio dessa bipolarização, sou Dilma desde criancinha!

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  11. Cristina, considerando a complexidade do tema discutido, acho que este tipo de “artigo jornalistico” não seja a melhor forma de escrever “para os que ainda estão abertos a mudar de opinião (ou tomar uma posição)”, pelo contrário. A partir de sua decisão de voto, desenvolver um raciocínio parcial, com link “selecionados”, parece não ter sentido.

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  12. Passada a temporada de promessas, quem for eleito neste domingo vai ter que cumprir algumas nos próximos quatro anos, com vistas à reeleição. A Avaaz fez uma pesquisa na sua comunidade composta de 5 milhões de brasileiros – entre não sei quantos de outras nacionalidades – e, com base na pesquisa, divulgou hoje as prioridades selecionadas, que talvez interessem a quem for eleito. São elas:

    Número 1: Educação: Tornar a educação a prioridade número 1 do Brasil, começando pelo treinamento adequado e aumento salarial dos professores da rede pública

    Número 2: Saúde Pública: Distribuir a força de trabalho de médicos nas regiões mais precárias do Brasil, garantindo pelo menos 1 médico para cada mil habitantes, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde

    Número 3: Combate à Corrupção: Proibir dinheiro de empresas privadas no financiamento de campanhas eleitorais

    Número 4: Energia Limpa & Mudanças Climáticas: Transformar o Brasil em um país com energia 100% limpa até 2050 e liderar o debate global para combater as mudanças climáticas

    Número 5: Amazônia e Florestas: Zerar o desmatamento até 2030

    Número 6: Democracia: Criar o melhor modelo de participação pública online já visto e trazer cidadãos para participar diretamente das decisões do Congresso

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  13. Muito bem escrito seu texto. Só acho complicado comparar o governo do da Dilma com o governo de FHC de 20 anos atrás. Seria como comparar um HB20 da Hyundai com um Monza. São realidades totalmente diferentes (e não é meu objetivo fazer um post detalhando, apenas registrar o que penso). Acho que o governo Lula avançou em muito pontos mas Dilma foi um grande fracasso gerencial. Eu votei nela pensando estar comprando uma candidata com visão mais técnica e menos política, apesar da cara “amarrada”. Acabei recebendo uma péssima gestora. Creio que Dilma vai ser considerada um “erro histórico” do PT no futuro.

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  14. Olá.Sei que a eleição já acabou,mas após ler este texto não pude deixar de notar vários erros nesta analise.
    1- Em 2002 a Petrobrás valia 15 bilhões de dólares,não R$ 15 bilhões.
    2- O crescimento em 2014 foi de 0,1%.
    3- Pinçar um ano ou outro para fazer comparações não é a maneira mais adequada de se comparar governos.
    4- Não tem cabimento fazer comparações de períodos e situações distintas desta maneira.

    Enfim,o resultado deixado por este governo só conheceremos daqui há uns anos.E parece que os próximos anos serão bem piores que os anos anteriores.

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