Aécio Neves contra 66 usuários do Twitter

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Não dá mais para ficar alienada, nem um pouquinho. Como avisei por aqui, fiquei desconectada do mundo desde a quarta-feira da semana passada. Sem ler jornal, numa ilha onde mal funcionava a internet, onde não podia entrar nenhum carro (quatro dias sem ver carros!), onde eu mantive a televisão devidamente desligada (só liguei para ver as vitórias do Galo sobre o Palmeiras e o Botafogo). Pois é. Quando volto, descubro que:

  • houve um atentado terrorista no Chile, deixando 14 feridos num metrô;
  • um monte de figuras públicas importantes foram denunciadas por supostamente terem desviado recursos da Petrobras;
  • um presidenciável acionou a Justiça pela quarta vez, contra rede social, para identificar “detratores”.

Das três notícias bombásticas, a terceira me afeta mais diretamente, porque diz respeito à minha bandeira particular, da liberdade de expressão e de imprensa. Não é de hoje que acompanho o uso da máquina do judiciário para coibir a livre expressão e a livre imprensa e, em alguns casos, tentar promover a censura.

O primeiro caso que acompanhei, lá atrás, em 2006, foi o do jornalista Lucas Figueiredo. Um resumo da ópera pode ser lido AQUI. Em 2008, acompanhei a orquestração judicial movida pela Igreja Universal do Reino de Deus contra o jornal “Folha de S.Paulo”. Pode ser relembrada AQUI. Mais tarde, em 2012, houve mais dois casos de censura pela via judicial, como se vê AQUI e AQUI. Meu blog já foi alvo de tentativas de censura similares em duas ocasiões, como se vê AQUI e AQUI. E, mais recentemente, o chargista Duke, do jornal “O Tempo”, de quem sou fã, começou a passar pela via-crúcis, como pode ser lido AQUI.

Enfim, é um tema que me é bastante caro. Por isso achei que valia a pena registrar aqui no blog que o candidato Aécio Neves (PSDB) mais uma vez se valeu do judiciário para pedir ao Twitter para revelar os perfis de 66 usuários — entre os quais ao menos alguns jornalistas, uma professora universitária, um escritor e um cineasta –, sem avisá-los, e sob segredo de Justiça.

O pedido pode ser lido na íntegra abaixo:

O jornal “Folha de S.Paulo” fez uma reportagem sobre o assunto (creio que o único jornal, até o momento), que saiu na edição de hoje e pode ser lida AQUI. Segundo o jornal paulista, “o magistrado Helmer Augusto Toqueton Amaral determinou que a banca do tucano envie relatórios comprovando a publicação de calúnias ou difamações contra Aécio nesses perfis. Ele rejeitou pedido do tucano para que a ação tramitasse em segredo de Justiça e para que os usuários não fossem avisados sobre o procedimento”. É graças a essa decisão inicial que diversos blogs e outros perfis no Twitter e de outras redes sociais tomaram conhecimento da ação e vêm repercutindo tudo desde o dia 7 de setembro.

Como eu estava desconectada, só fui tomar conhecimento ontem, e só hoje fui ler as coisas com calma, junto com as graves denúncias sobre os desvios na Petrobras e o grave atentado ao metrô do Chile. Me surpreendi ao constatar que há, entre os 66 perfis de Twitter, até o perfil oficial do site “Diário do Centro do Mundo“, do jornalista Paulo Nogueira, que é vinculado ao portal iG. E o do jornalista Altamiro Borges. E de ao menos duas pessoas que não conheço, mas com quem sempre interajo no Twitter e posso garantir que não são um “robô”, como sugere a ação, a Cássia V.F. e a Beatriz Amorim. Ou seja, há, entre os 66 “detratores orquestrados”, jornalistas e outros seres pensantes, que simplesmente exercem seu direito sagrado e constitucional de livre manifestação. Possivelmente muitos desses perfis nem atingem muitas pessoas, e tampouco causariam grande “estrago” à imagem de Aécio Neves, caso se dediquem exclusivamente a publicar notícias ou análises contrárias aos interesses do candidato tucano.

Na minha opinião, o que causa estragos mesmo é essa insistência do candidato em pedir que o Google, o Yahoo!, o Bing, o Twitter etc, vigiem usuários/cidadãos que têm o direito de não gostarem de algumas informações já divulgadas por diversas vias e que desabonam o candidato. E olha que esta opinião é partilhada por especialistas, como pode ser lido nesta reportagem da maio, ainda da “Folha de S.Paulo”. Sou sempre favorável aos que conseguem aceitar que uma democracia só se sustenta se houver liberdade para se fazer críticas e apontar malfeitos — que são alguns dos papéis da imprensa.

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