Três meses depois, e o tênis não presta mais

Eu já disse algumas vezes no Twitter e vou repetir aqui: se você teve problemas com algum banco, vá direto ao site do Banco Central e faça uma denúncia, que o banco responderá rapidinho e de forma bastante atenciosa. Se o problema foi com alguma operadora de telefonia, televisão a cabo e/ou internet, faça essa denúncia no site da Anatel. Elas vão resolver rapidinho também. Isso inclui a denúncia de vendas casadas (internet rápida só se comprar X canais), que é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Agora estou tendo problema com um tênis e não sei a quem recorrer (não boto fé na eficácia do serviço do Procon, embora possa vir a ser útil agora). Isso porque a própria Ouvidoria do fabricante me deixa sem resposta há nove dias.

O caso é o seguinte: comprei um tênis Next, da marca Olympikus em um site chamado Corpo Perfeito, que encontrei via Buscapé, por ter o preço mais razoável para o tipo de tênis (saiu a R$ 122,23). É um calçado próprio para corrida, que poderia me ajudar no meu dia a dia de correria a trabalho ou a lazer.

Até então eu tinha um Nike Shox, que tinha ganhado de presente da minha mãe uns cinco (ou mais) anos antes, e resistiu bravamente por todo esse tempo, até virar um lixo que não tinha mais condição de ser usado. Ele deve ser mais caro, mas, pelo meu histórico, recomendo.

Voltando ao Olympikus (e dizem que é uma marca boa…). O calçado chegou no dia 2 de fevereiro, conforme email do site que guardei aqui.

Ainda no mês de abril (ou seja, menos de TRÊS MESES de uso depois), comecei a reparar que o solado dos dois pés estava se soltando. Ele continua bem fixo na ponta, mas as laterais estão completamente soltas, pelo menos quando piso no chão (!). Fui levando, mesmo assim, porque estava sem tempo para ficar correndo atrás disso.

Até que um dia comentei com alguém: “O Nike Shox demorou cinco anos pra abrir o solado, este já abriu em três meses!” E a pessoa falou: deve ser problema de fabricação, porque não faz sentido isso ter acontecido tão rápido.

Foi aí que, em 6 de maio, enviei um email ao Corpo Perfeito e ao SAC da Olympikus, relatando o que ocorreu.

O primeiro me respondeu prontamente, dizendo que os produtos são enviados exatamente como foram entregues pelo fabricante, então a responsabilidade seria da Olympikus. Ainda se ofereceram para intermediar o contato com o fabricante, o que foi feito.

A Olympikus me contatou no dia 10 de maio. Pediu as seguintes informações:

  • linha, referencia, nº e cor do produto (encontra-se na etiqueta de codigo de barras, na caixa);
  • data de aquisição do produto e se possui a nota fiscal;
  • por quanto tempo e para qual atividade foi usado.
  • se possivel, e for de sua preferencia, nos encaminhe imagens de seu produto.

Parecia pegadinha, para ver se eu comprei falsificado ou original. Por minha sorte, guardo todas as notas fiscais do planeta, até de calculadora de R$ 2,99, e informei tudo o que me foi pedido. Vejam as fotos:

No dia 11 de maio, a mesma atendente me respondeu dizendo que eu tinha que enviar o produto por Correio lá para a fábrica, no Rio Grande do Sul, para que fosse analisado pelos laboratórios deles.

“Caso seja constatada falha no processo produtivo ou nos materiais empregados, destruiremos o par enviado e sera autorizada a substituição do produto, por outro par igual ou similar ao seu, dentro do mesmo valor do que nos foi enviado. Caso esteja dentro dos padrões e não constatado a falha, devolveremos o mesmo no endereco informado com uma carta explicando a impossibilidade da troca.”

Deixa eu ver se entendi: gastei uma graninha com um tênis “de corrida” que em menos de três meses apresentou grave defeito, tenho a cópia da nota fiscal mostrando a data da compra, mandei as fotos, e mesmo assim tenho que esperar análises laboratoriais em outro Estado e ficar sabe-se lá quanto tempo sem tênis nenhum, até que me respondam se vão assumir o erro ou não?!

No mesmo dia, enviei um email para ela perguntando quanto tempo essa análise levaria. Estou aguardando essa resposta há NOVE dias…

No dia 17, enviei outro email perguntando se, como em qualquer país civilizado que respeita os direitos do consumidor, eu não poderia simplesmente ir a alguma loja próxima da minha casa, que venda o mesmo modelo de tênis, para que eles vissem o defeito, trocassem o produto e fossem ressarcidos pela fábrica depois, sem perder o meu tempo e me fazer ficar semanas sem tênis nenhum. Estou há três dias esperando essa resposta…

É por isso que divido essa história com vocês, meus amigos. Evitem essa marca, porque, se um dia derem o azar de pegar um produto defeituoso, eles vão fazer de tudo para dificultar sua vida e para ignorar seus direitos de consumidor.

Leia todos os capítulos desta novela:

  1. Três meses depois, e o tênis não presta mais
  2. Ainda a novela do tênis da Olympikus
  3. Dois meses e meio e vem o tênis errado!
  4. O fim da novela da Olympikus, em quatro capítulos
  5. Epílogo surpreendente (e positivo)
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41 comentários sobre “Três meses depois, e o tênis não presta mais

  1. Aí eu fico pensando: se o produto tivesse sido comprado em uma loja, resolveriam o problema com agilidade ou enrolariam do mesmo jeito?

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  2. Kika, eu não compro Olimpikus para corrida porque não dura nada mesmo. O solado é bem fininho, rapidamente já tá na lona. Comprei no dia 2 fevereiro, também,um Mizuno, que eu gosto muito, que soltou o solado no calcanhar essa semana, mas mandei o sapateiro passar uma cola e tá tudo certo, enfim, não tenho a mínima paciência para iniciar essa saga que você está passando. Parabéns e boa sorte.

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    • Também não tenho saco pra essas discussões com ouvidorias, mas ao mesmo tempo acho incrível que um tênis de três meses tenha que ir ao sapateiro porque os caras não assumem a própria responsabilidade. Os direitos de consumidor no Brasil ainda são muito desrespeitados…

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  3. Comprei sempre Adidas. Meus tênis sempre duram de dois a três anos (por “durar”, entenda-se eles estarem apresentáveis para usar em ocasiões que exigissem um tênis razoavelmente novo). Uma vez fui na promoção e comprei outra marca, que não era OlympiKUs. Não durou seis meses. Não chegou a abrir o solado, mas já não estava apresentável. Voltei a comprar só Adidas, e não me arrependi.

    Sobre o que você pode fazer, você pode seguir o que eu fiz no meu blog nos casos da Gol, da Claro e do Citibank.

    1) Garantir um bom SEO, para aparecer no alto das pesquisas do Google. Algumas coisas já estão adequadas acima, mas o título do post deveria conter a palavra “Olympikus”, por exemplo, com o endereço refletindo essa mudança, de preferência sem usar conjunções, preposições e artigos. O nome das imagens deveria ser algo como solado-furado-olympikus.jpg. E por aí vai. Isso já faria você subir no Google, e eles fatalmente teriam de te dar atenção.

    2) A Olympikus tem Twitter? Reclamações no Twitter costumam ser atendidas por departamentos que estão preocupados com a imagem da empresa, então é maior a chance de você ser atendida. Além dos casos citados, em que o Twitter me ajudou bastante, o Santander também prestou atenção em uma reclamação minha que eu nem fazia questão de dar andamento.

    3) Depois, siga atualizando esta mesma postagem com o andamento. Assim, se o atendimento continuar péssimo, você mostra como é. Se melhorar, você acaba dando uma chance de a empresa se redimir e até melhorar sua imagem. Win-win situation.

    4) Se nada disso resolver, mande uma carta para seções de jornais, como “A cidade é sua”, da Folha, ou “Advogado de defesa”, do JT. Costuma ajudar.

    5) Se nem isso ajudar, aí é Pequenas Causas, mesmo, desde que você julgue que vale a pena por um valor tão baixo.

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    • Minha ideia não é ferrar com a imagem da empresa, por isso não me preocupei com essas questões de SEO. Mas, além de relatar no blog, divulguei no Facebook e no Twitter, com cópia para o @OlympikusBR. Coisa de 20 minutos depois do meu tweet, o @OlympikusSAC me escreveu o seguinte, lá mesmo: “Oi Kika, você pode nos passar seu e-mail? Vamos entrar em contato hoje mesmo para entender melhor o que aconteceu. Obrigado.” Já passei o email, agora estou aguardando o contato e a solução.

      Certamente vou postar mais sobre isso aqui, seja pra dizer que não resolveram (e aí vou pensar no que fazer em seguida), seja para dizer que solucionaram bem, apesar do atraso.

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    • A minha ideia também não é “ferrar a imagem” da empresa. Mas obter atenção. E um post que figura lá no alto no Google certamente vai atrair muito mais atenção do que um post num blog em miguxês que está enterrado na página 73 dos resultados do Google.

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      • Ah, mas o meu não é uma coisa nem outra, rs 😀
        Se vc procura por “Olympikus ouvidoria” no Google, meu post já aparece em sexto lugar, na primeira página. Se a busca é por “Olympikus procon”, está em 5º lugar. “Olympikus solado solto”, também é 5º.

        E aí a pessoa lê esse título “Três meses depois, e o tênis não presta mais” e pensa: “Putz! é exatamente o que aconteceu comigo! Deixa eu ler esse troço.” 😉

        Já são 80 leitores em pouco mais de uma hora de post…

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    • Comenta, sim: quando é para reclamar! hehehehe

      Agora, prepare-se, que este post provavelmente vai sempre aparecer nas estatísticas. Até hoje vira-e-mexe recebo visitas de gente procurando por “fraude citibank”, “mau atendimento gol” e outras variações (o da Claro não gerou isso).

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      • É que todo mundo ainda está muito desprotegido quando o assunto é direito do consumidor. Os blogs são uma das poucas formas de apoio mútuo… Até porque essas seções de jornais já recebem dezenas de cartas por dia…

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    • Elas (as seções dos jornais) já me ajudaram bastante, mas tenho evitado procurá-las, justamente por causa do alto volume. Se via Twitter e via blog os problemas vão sendo resolvidos, por que aumentar ainda mais o volume de emails que os jornais recebem? Mas, na hora em que blog e Twitter não funcionarem, aí tem-se de apelar para os jornais. A não ser que se pegue um cara destes pela frente.

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  4. na minha mão (pé) só dura o rainha mesmo… to com o mesmo problema com minha lente. Tinha garantia extendida no antirisco, mas com 14 meses ele ja tinha um super risco bem na altura do foco, o que dificulta bem focar. Levei pra optica e eles enviaram pra crisal. Depois de 20 dias contastaram que realmente estava riscado MAS que como a garantia da optica tinha acabado, eu TERIA de enviar o oculos, por causa da garantia extendida. Então o oculos voltou pra maceió, para eu REENVIAR pelos correios, para eles trocarem a lente…

    Eu realmente não entendo tantoa burocracia e desperdício de tempo e recursos.

    Meus tenis xinguilingues duram muito, só a titulo de curiosidade.
    😉

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    • E dizem que essa burocracia não existe em outros países, onde as leis de direitos do consumidor são mais antigas e os órgãos de fiscalização são mais eficazes. Tenho um conhecido que estava nos Estados Unidos, constatou o tênis com problema no meio da rua, passou por uma loja, entrou nela, mostrou o problema, e eles trocaram na hora. Nem tinha sido a loja em que ele comprou, ele nem estava com nota fiscal em mãos, mas a loja trocou, resolveu o problema dele, ele ficou satisfeito com o atendimento da marca, e depois loja e fabricante se entenderam. Tão simples!

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  5. Ah, e também não comprem na Ricardo Eletro. Comprei uma máquina de lavar lá no final de abril e até hoje estou a ver navios.

    Ah, Cris, você já fez uma reclamação no Reclame Aqui? Esse site tem ganhado força, e as empresas respondem rapidinho. Na pior das hipóteses, a marca fica com uma imagem ainda pior, porque lá tem ranking e tudo mais: http://reclameaqui.com.br

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  6. Eu já tive tênis da Olympikus, do modelo de vôlei, e não tive problemas, isso lá por 2005. Recentemente, procurava um modelo semelhante para comprar, e mais de um lojista aqui em BH, de lojas de confiança, me disse que não trabalha mais com tênis da marca por causa da baixa qualidade dos produtos. (O que é uma pena para mim, porque além da OLK só outrs três marcas têm a minha numeração – 46: Nike, Asics e Mizuno.)

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  7. Alias, twitter o uso do twitter de algumas empresas como “SAC” é bem interessante. Tive melhores resultados do que as centrais normais. AO menos é mais rápido, sobretudo o da LG, que, depois que eu reclamei de um problema que tive com a assistencia tec. local, eles me contactaram por twitter e logo em seguida por telefone e resolveram o problema.

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  8. Cris, ontem o presidente da Vulcabrás, maior fabricante brasileira de calçados, deu longa entrevista no Jornal das 10 da GloboNews confirmando que vai passar a fabricar sua linha de tênis, inclusive Olympikus, na Índia, porque lá é melhor, bla bla bla… e que a empresa vai manter no Brasil a parte mais nobre (projeto e desenvolvimento do produto). O presidente chama-se Milton Cardoso. No site da Vulcabrás, lê-se:

    “As grandes marcas esportivas internacionais ainda não eram conhecidas no Brasil quando os jovens brasileiros iam para a escola de Olympikus. Criado em 1975 pela Azaleia, o primeiro modelo de Olympikus era o tênis ideal para as mais duras provas do dia-a-dia da escola. E já nascia competitivo. Forte, resistente, indestrutível, foi um dos primeiros modelos de tênis feitos em couro, superando os tradicionais modelos em tecido da época.

    Foi a partir da década de 80 que entraram no Brasil as marcas esportivas internacionais, trazendo produtos com nova tecnologia, estratégias de marketing inovadoras e grandes celebridades do esporte em campanhas publicitárias. Mas nada disso assustou a Olympikus. Sabe aquele atleta que olha firme no olho do adversário sem piscar? Pois a Olympikus fez isso, foi para o jogo e enfrentou todos os seus concorrentes. Afinal, o Brasil era a casa da Olympikus. E time que joga em casa, com a torcida, não se entrega.”

    Uma coisa é certa: o pessoal é bom de marketing. Não desista.

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  9. Vai direto no juizado de relações de consumo com todos esses documentos que vc gastou. Lá, pede não só o tenis, mas o equivalente a 20 tênis de danos morais por todo esse transtorno. Na primeira audiência eles vão te oferecer alguma coisa e vc ve se é melhor aceitar ou esperar o julgamento. Eu fiz estágio de direito no juizado lá de BH e funcionava muito bem. O daqui é novo, mas acho que vale ir pelo transtorno q te causaram. Boa sorte. Bjos

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  10. Cristina, tive problemas com o speedy, estava sem sinal e a assistência técnica não estava resolvendo por telefone, deixando-me na espera até a linha cair. Então, tuitei dizendo que a assistência técnica do speedy-telefonica, não cumpria o contrato. Imediatamente, recebi um tuiter, pedindo desculpas e com link da empresa, para que pudesse reclamar. Entrei no site e minutos após, fui informado de que um técnico viria pessoalmente atender etc etc. Cumpriram o prometido. O técnico veio, verificou o defeito, consertou direito, com a presteza que se espera.
    Acho que é um bom caminho. Os marquetiros têm medo de propaganda contrária.
    Abraços.

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  11. Cris,
    Ouça um ex-chefe e ex-atleta: tênis de corrida (running) é Asics ou Mizuno. E ponto.
    Os japoneses são os maiores “engenheiros” neste negócio: estas marcas desenham equipamentos para todo o tipo de pisada (pronada, supinada ou neutra)
    São caros, muito caros, no Brasil. Os top´s estão por uns R$ 550,00.
    Mas os “mais ou menos”, principalmente da Asics, que são muuuito melhores que qualquer Nike, Adidas, New Balance, podem ser encontrados “na faixa” de R$ 390,00.

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  12. Fófis,
    A Kika aqui de casa sempre arruma alguém prá trazer dos EE.UU. Mês passado chegaram dois pares a R$ 225,00 cada um! Exatamente a metade do preço do Brasil, é mole?
    Outra saída: no fim das coleções, março/abril/maio, você pode encontrá-los por até R$ 300,00. Fique atenta, principalmente com as vitrines de uma certa rede mineira de material esportivo, a maior do Brasil, na verdade.
    Então, é mais ou menos assim: compre tênis quando não estiver precisando. Uma boa compra só tem a ver com oportunidade, não com necessidade. Pesquise, saiba quanto custa: é a partir deste referencial que você poderá saber o que é um negócio imperdível e comprar por R$ 250,00 algo que no mercado esteja a R$ 550,00.
    Detalhe: depois de usar um destes, não tem volta!

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    • Pois é, quando se trata de roupa e calçado eu costumo só comprar na hora que tou precisando MESMO. Por exemplo, casaco no inverno, quando tá frio (e ele tá mais caro). Outro dia mesmo me ocorreu de comprar uma bota… Mas vou tentar seguir seu conselho 🙂

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  13. Vai bater recorde de comentários…rs. Isso porque todo mundo já teve um problema com produtos que anunciam “maravilhas” e em brevíssimo tempo de uso já estão defeituosos. O pós-venda desses produtos e nas lojas submete os consumidores a uma ciranda: teve sorte, ótimo; teve azar, vai atrás de PROCON, SAC, etc. Eu tive sorte (!!!) com um Olympikus. Mas já vi outras pessoas reclamarem da qualidade deste produto…

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