15 textos sobre o caos político das últimas semanas

País dividido. Foto de Lincon Zarbietti para o jornal "O Tempo"

País dividido. Foto de Lincon Zarbietti para o jornal “O Tempo”

Os acontecimentos no país andam tão turbulentos que é difícil tecer qualquer comentário ou análise sobre tudo isso. Num dia, uma revista divulga vazamento de uma delação que ainda nem havia sido homologada, implicando, ainda que sem provas, Dilma e Lula em esquema de corrupção. No dia seguinte, o ex-presidente é levado à força para depor. Logo depois, milhares vão às ruas protestar contra o governo. Aí a delação é homologada e descobrimos que ela também implica, ainda sem provas, o presidente do maior partido de oposição, Aécio Neves, em transações suspeitas. Continuar lendo

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Pausa para o Carnaval :)

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Neste ano terei folga de Carnaval! E, claro, vou ficar quietinha aqui na minha Beagá, que está bombando na folia deste ano. Vou descansar bastaaaaante, acabar de ver alguns filmes do Oscar e também pular e sambar, lógico!

Hoje os finalistas do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas serão anunciados e alguns deles deverão ser ouvidos nos blocos da capital mineira. Mas a música do Carnaval 2015, para mim, é “Hoje Ninguém vai ser Censurado”, do Bloco do Pescoção, que tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas de Minas. O bloco vai sair na próxima terça-feira, em frente à Casa do Jornalista (saiba mais AQUI).

Esse samba-enredo, que ficou em segundo lugar no Concurso Mineiro de Marchinhas, foi escrito pelo meu colega Ricardo Corrêa, o competente titular da coluna Aparte, do jornal “O Tempo”. E acho que jornalistas do Brasil inteiro vão se identificar com a letra 😉

Aprendam aí:

Hoje ninguém vai ser censurado
Letra e música: Ricardo Corrêa e Rodrigo Rodrigues

Sou jornalista
Eu ganho mal
Mas vim pular meu carnaval
Eu tô de plantão, vou pro Pescoção
Mas da folia eu não abro mão! (2x)

(A pauta)
A pauta caiu
O vivo falhou
A voz tá rouca no rádio
Das cervejas que eu bebi
Mas hoje, mas hoje não saio daqui

(A fonte)
A fonte sumiu
Eu sou assessor
Reunião não acaba
Telefone já tocou, ferrou
Sua demanda já me estressou

(Eu sou)
Eu sou repórter, mas o editor é que me enche de perguntas
Se a fonte é boa, se eu vou bancar
Pré-checa pra poder soltar

Eu sou repórter, mas lá de cima já mandaram questionar
Se o envolvido for um amigo
Pré-checa pra não magoar
Se o envolvido for um amigo
Pré-checa pra não magoar

(Mas hoje)
Hoje ninguém vai ser censurado
O passaralho, só pra quem ficar calado
O gravador ficou em casa, a notícia somos nós
O microfone é pra soltar a voz.

***

Agora só volto ao blog na semana que vem, na Quarta-Feira de Cinzas, dia nacional da ressaca. Até lá! 😉

Um médico do SUS faz campanha em lugar errado

Um médico oftalmologista da Santa Casa de Belo Horizonte, num arroubo de militância política, resolveu alterar o equipamento que imprime exames de vista de seus pacientes. Pelo menos desde maio, como revelou o blog “Olho Neles“, do jornal mineiro “O Tempo”, todos os pacientes atendidos por este “doutor” — jovens, velhos, pobres ou não, todos eles pacientes do Sistema Único de Saúde, o SUS — receberam um exame de vista com a mensagem impressa, bem no alto: “Fora Dilma”. Quantos deles, agradecidos pelos atendimentos prestados pelo médico em questão (supondo que tenham sido bons), podem ter decidido mudar o voto por causa dessa mensagem?

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Afora a questão legal, que passa por essa última pergunta, e provavelmente será analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral caso o PT entre mesmo com representação, acho que o mais grave do episódio acima é a questão ética. Um funcionário a serviço do SUS lança em exames médicos mensagens com sua convicção política pessoal. Um problema de ética tão grave quanto se o grito em questão fosse de “Fora Marina” ou “Fora Aécio”. Simplesmente, não é o lugar. É como se eu publicasse um “Fora Partido X” no alto da primeira página do jornal onde trabalho, aproveitando que tenho acesso ao software que o publica. Ou como se um diretor de escola publicasse um “Fora Político Tal” no alto do cabeçalho de todas as provas dos alunos.

Se o médico quisesse ir trabalhar com uma blusa de “Fora Qualquer Coisa”, embaixo de seu jaleco, não seria um problema tão grave. Mas alterar os exames médicos de centenas de pacientes, ao longo de mais de três meses, em um hospital filantrópico sustentado por recursos públicos, aí é demais.

Me lembrou a charge do Duke publicada ontem:

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Se você não acompanhou o caso, recomendo a leitura das reportagens abaixo, fruto de apuração dedicada dos jornalistas Ricardo Corrêa e Lucas Ragazzi, que editam o blog “Olho Neles” — o único que está fazendo cobertura eleitoral de verdade (além das insuportáveis agendas de candidato) em BH:

Vale ressaltar que, desde o primeiro momento, a Santa Casa se posicionou veementemente contra o mal feito pelo funcionário em questão, culminando nesse pedido de desculpas formal à presidente da República. Resta ver se a instituição vai mesmo punir o funcionário e divulgar com transparência essa punição. Os pacientes do SUS (e os futuros pacientes que ele venha a ter) têm o direito de saber o nome e CRM de um médico tão antiético e antiprofissional como este.

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