Ave, Nafissatou!

texto de José de Souza Castro:

A rede americana NBC informou hoje que o DNA de Dominique Strauss-Kahn foi encontrado na roupa da camareira Nafissatou Diallo que o acusa de estupro numa suíte do hotel Sofitel, em Nova York. Pode ser mais uma prova do que afirma esta muçulmana negra de 32 anos que saiu de seu país, a Guiné, em 1998, e se tornou, há alguns dias, mundialmente famosa por desbancar o gerente geral do FMI, um organismo criado após a II Guerra Mundial e que, como tem feito ao longo de sua história, garante o dinheiro dos banqueiros norte-americanos e europeus, quando investido em países pobres.

“Por que eu?”, deve estar-se indagando o francês Strauss-Kahn. Durante dezenas de anos, o FMI estuprou, por assim dizer, nações inteiras, e nunca pagou por isso. Durante séculos, europeus estupraram de fato africanas em seus países de origem – ou em outros países para onde foram vendidas como escravas – sem que ninguém fosse condenado por isso.

Por se ter rebelado contra mais um estupro de uma negra pobre, a camareira Nafissatou merece o nosso respeito, embora pouco ainda se saiba dela. Seria filha de um comerciante da tribo Peule, que constitui 40%, ou cerca de 4 milhões de pessoas, da população da Guiné. Casada com um comerciante, ela imigrou com ele e a filha de dois anos para os Estados Unidos, e trabalhou duro. Algum tempo depois, conseguiu o Green card. Há três anos, trabalha no Sofitel. Não se sabe quando, ela se divorciou do marido ou se tornou viúva. Os dados ainda são incertos. Não ficou claro para mim nem de qual Guiné se está falando. Se for a Guiné Equatorial, ela teve bons motivos para deixar o país, dominado há anos por uma sangrenta ditadura, como se pode ver AQUI. Se for as outras duas Guinés, também não faltariam motivos para buscar nos Estados Unidos, sede do FMI, uma vida melhor.

Outro parente da camareira, Mamadou Diallo Chérif, um guineense de 35 anos de idade que também trabalha em Nova York, disse em entrevista à imprensa que Nafissatou é uma boa muçulmana. “Em nossa cultura, nós não aceitamos este tipo de comportamento”, afirmou Mamadou.

Dominique Strauss-Kahn atacou a pessoa errada, no país errado. E foi preso e algemado. Enquanto espera o julgamento, ele deve estar-se remoendo: fosse no Brasil…

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5 comentários sobre “Ave, Nafissatou!

  1. Já está provado que a camareira mentiu sobre o suposto estupro e que ela já havia mentido antes afirmando que tinha sido estuprada no seu país de origem para conseguir o green card nos Estados Unidos. É óbvio que pessoas poderosas estão tentando derrubar Dominique Strauss-Kanh, possível candidato à presidência da França no ano que vem.

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    • Talvez eu esteja desatualizada, mas até onde eu me lembre a promotoria suspeita que ela tenha mentido, por causa das contradições do depoimento, mas não retirou a acusação de estupro contra o DSK. Logo em seguida, uma jornalista francesa também o acusou de estupro. Logo, acho que ainda é cedo para santificar o sujeito.

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