Eu sou o primeiro tipo, e você?

Vejam a ilustração de Roberto Kroll, que encontrei hoje no blog Árvores de São Paulo, do ambientalista Ricardo Cardim:

ipe-figura

Eu estava pensando sobre isso há poucos dias, quando passei pelo bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, e reparei em como as ruas estavam bonitas, todas pintadas do colorido das pétalas de ipês e outras flores. E quando uma amiga comentou que o quintal dela precisava ser varrido, mas estava bem mais bonito “sujinho” de folhas 🙂

Flor não suja, enfeita. Concorda? Então você é o primeiro tipo de pessoa também 😉

E aí vai uma seleção de posts para enfeitar seus olhos neste começo de fim de semana com feriadão:

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Reflexões sobre aptidão, trabalho e o aprendizado além da escola

Foto: CMC

Foto: CMC

A vida inteira, desde criança, eu sempre quis ser jornalista. “Jornalista ou escritora”, eu dizia. Aos seis anos de idade, eu criava meus livrinhos, que ilustrava e grampeava. E escrevia no expediente, como eu via nos livros de verdade: “Autora: Cristina Castro. Editora: Cristina Castro. Diagramadora (aprendi esse palavrão bem cedo!): Cristina Castro. Ilustrações: Cristina Castro.” E assim por diante.

Mais tarde, já na escola, passei a criar jornais de duas a seis páginas, com entrevistas com os colegas de sala. Eu mesma diagramava no PageMaker, entrevistava, transcrevia a fita, editava. Inventava enquetes, pesquisas de opinião, materinhas… Isso tudo na era pré-blog, pré-Facebook, quando a impressora colorida ainda era um luxo em casa.

Depois, aos 19, fui trabalhar no Banco do Brasil. E tirava as horas de folga, fora do expediente, para fazer um jornal mural, que eu trocava semanalmente da parede da cantina. Os colegas gostavam, eu adorava fazer!

O jornalismo sempre esteve em mim, mesmo que amadoramente. (Profissionalmente já está há nove anos, quando comecei na Rádio UFMG Educativa e no jornal de bairro “O Carrilhão”, depois passando pela “Folha de S.Paulo”, G1, UOL e “O Tempo”). Por isso, nunca me ocorreu fazer qualquer outra coisa da vida.

Mas, nesses tempos de crise na indústria do jornalismo, de passaralhos e outras aberrações, às vezes me pego pensando: será que não sirvo pra mais nada?

Passei tanto tempo debruçada sobre o jornalismo, que nunca prestei realmente atenção nas outras profissões. Mas fico pensando como deve ser interessante estudar os pássaros, por exemplo. Que estresse pode haver na vida de um ornitólogo? Ele trabalha em campo, observa, fotografa e documenta espécies incríveis e maravilhosas de aves. Não é demais?

Ou um entomólogo. Como deve ser legal e fascinante o trabalho de um Ângelo Machado, com suas descobertas fascinantes sobre as libélulas, borboletas, besouros e aranhas! Depois, ele passou todo aquele conhecimento complexo para a literatura infantil, traduziu tudo de um jeito que até as crianças pudessem entender e se admirar. Criou pequenos cientistas.

A vida inteira eu fui doida com a natureza. Sempre gostei de observá-la, principalmente esses pequenos bichinhos. Quando eu tinha 4 ou 5 anos, meu passatempo favorito era coletar formigas “para domesticar”. Eu e minha melhor amiga — a Laura — catávamos formigas com nossos dedinhos ávidos e as colocávamos em sacolas plásticas (com furinhos, para respirarem), cheias de terra, folhas e até grãos de açúcar. Depois iam parar na lata de lixo de casa…

Quando a família ia para o sítio, sempre me levavam para um “passeio ecológico”, quando coletávamos pinhos, flores exóticas, pedrinhas coloridas e outras maravilhas perdidas nas ruas de terra. Na praia, eu colecionava conchinhas, que depois catalogava por tipo e cor. Eu era uma naturalista e nem sabia. Adorava folhear o livro “O Naturalista Amador“, que meu pai tem em casa, e ver as diferenças da natureza encontrada em tundras, prados, silvados, florestas, desertos, grasslands e cercas-vivas. Aprendi o que é uma “tundra”, que nem existe no Brasil, quando ainda era bem nova.

No entanto, na escola, a disciplina de que eu menos gostava era justamente a Biologia. Era nela que tirava as piores notas. O estudo de tecidos, de protozoários, de doenças sexuais, de moléculas. Aquela mistureba de assuntos, da microbiologia ao cosmos, ensinada por professores que foram tão pouco marcantes que nem consigo lembrar de seus rostos e nomes.

Penso agora: a culpa é das escolas! Não conseguimos descobrir nossa verdadeira vocação ou aptidão com esses livros didáticos insossos e professores burocráticos. Não há uma disciplina que nos estimule a amar e observar a natureza — isso é metido entre dois capítulos em meio a aulas chatas de biologia molecular. Por outro lado, a melhor professora da minha vida foi de português, e ela me estimulava a ler, escrever, divulgar meus textos, fazer peças de teatro e até jornaizinhos para serem mimeografados e distribuídos por toda a escola. Sem dúvida, acalentou meu sonho de ser “jornalista e escritora”, assim como o convívio com meu pai-herói.

Mas será que eu também não daria uma boa bióloga? Ou uma matemática? Eu sempre amei matemática, adorava queimar neurônios tentando resolver desafios impossíveis (coincidentemente, também fiz muito isso ao lado da amiga Laura, mas muitos anos mais tarde). Nunca fui genial em matemática, mas tinha boas notas e adorava ver a simplicidade de um problema resolvido!

Aos 17 anos, verdes de tudo na vida, somos obrigados a escolher uma profissão, prestar vestibular e seguir em frente naquela escolha. Aos 30, já com uma bagagem boa, quando deveríamos estar começando o auge daquela profissão que requer tanta energia, é meio frustrante perceber que poucas empresas valorizam o profissional que é ao mesmo tempo dedicado, criativo e entusiasmado. Não são as características que mais encantam os patrões, sabe-se lá por quê. E será tarde para tentar um segundo caminho? Ir estudar os passarinhos ou fazer curso de detetive?

Sigo pensando: em algum lugar do mundo, hão de querer minha paixão, que já me rendeu até o apelido de “bomba atômica”. Se não for no jornalismo, que seja em outra área do conhecimento. É uma pena que a escola não tenha me mostrado que eu sou capaz de seguir por dezenas de rumos, e não só por um. Que não preciso pôr uma viseira: posso me aventurar, explorar, dividir. Teria facilitado as coisas. Mas a escola da vida está me ensinando isso agora, e acho que nunca é tarde para mudar.

Veremos por onde andarei aos 40. Espero ainda ter o blog para compartilhar as aventuras de então 😉

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Bem-vinda, primavera! Obrigada, inverno!

Hoje começa a estação do ano mais florida. Ou não: afinal, é no inverno que os ipês — as árvores mais lindas que existem — encantam nossos olhos.

No início do inverno, propus aos leitores deste blog que se juntassem a mim numa caça aos ipês de suas cidades. A ideia era fotografar os mais bonitos — roxos, rosas, amarelos, brancos — e enviarem para mim. Recebi vários (por email, Facebook e Twitter) e eles foram sendo acrescentados à galeria do blog ao longo de toda a estação. Agora dou por terminada esta caçada — até o inverno do ano que vem! 😉

Ao todo, recebi 56 fotos de ipês fotografados exclusivamente no inverno deste ano de 2015. Destaco cada um deles na galeria abaixo, com as datas dos cliques, o local e o nome do fotógrafo. Clique sobre qualquer imagem para ver a foto em tamanho real:

CLIQUE AQUI para ver a galeria completa, com ipês também de outros invernos.

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O fim da humanidade em 12 gerações?

Reprodução / Youtube

Reprodução / Youtube

Notícia boa: existem 3 trilhões de árvores em todo o planeta, uma média de 422 por pessoa, oito vezes mais do que se supunha até a divulgação desse novo estudo publicado na “Nature” nesta semana.

Notícia ruim: a cada ano, as atividades humanas destroem 15 bilhões de árvores e só reflorestam ou recuperam 5 bilhões. Desde o início da civilização, quase metade das árvores (46%) já desapareceram e, se o ritmo se mantiver como está, todas as árvores do planeta desaparecerão em míseros 300 anos!

Li um resumo no “El País”, que você pode acessar AQUI.

Seguindo a linha do post de ontem: durma-se com um barulho desses! Valeu, jornalistas, caros divulgadores, vocês contribuem com minha insônia e com minha lucidez, simultaneamente.

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Santuário do Caraça, um paraíso a duas horas de BH

Como contei aqui na última sexta, passei o fim de semana em um lugar escondido na natureza, sem sinal de celular, tranquilo como quase nenhum outro lugar do planeta. Só não tinha dito que lugar era este. Mas hoje dedico o post inteiro a ele, o Santuário do Caraça.

Placas que nos recebem logo que chegamos à estradinha do santuário do Caraça :) Clique na imagem para ver em tamanho real. Todas as fotos: CMC ou Beto Trajano

Placas que nos recebem logo que chegamos ao Caraça 🙂 Clique para ver em tamanho real. Todas as fotos: CMC ou Beto Trajano

Estamos falando de um dos recantos mais históricos nos arredores de Belo Horizonte. Fundado em 1774, a quase 1.300 metros de altitude, encrustado no alto da serra do Espinhaço, o complexo arquitetônico é patrimônio cultural do Brasil e o terreno, de 12 mil hectares, é patrimônio natural da Unesco. É centro de peregrinação religiosa, de turismo, de educação (recebe trocentas excursões de estudantes) e de pesquisa ecológica. Batizado de uma das “7 Maravilhas da Estrada Real”, o santuário fica a apenas 120 km da capital mineira.

Feita toda essa apresentação preliminar, passo a falar da minha experiência por lá nesta minha primeira visita (de muitas, espero!).

Chegamos no fim da hora do almoço de sábado, às 14h, e fomos direto ao refeitório, que ainda conserva aquela cara dos internatos de antigamente, com mesões enormes e todos interagindo. As refeições são uma atração à parte do fim de semana no Caraça. A diária da hospedagem inclui café da manhã, almoço e jantar, e posso dizer que (principalmente o café) foram algumas das melhores refeições que já fiz na vida.

Clique na foto para ver maior.

O refeitório esvaziado, no fim do almoço. Clique na foto para ver maior.

Na tarde do sábado, passeamos pelas belas trilhas que levam ao bosque (onde até fiz qi gong), ao Banho do Imperador (poço onde Dom Pedro II foi se refrescar e em que, se não estivesse tão seco, poderíamos ter nadado também), ao calvário, ao mirante… Também exploramos o próprio complexo do santuário, onde há o claustro, a Casa das Sampaias (onde viviam as funcionárias do colégio de padres quando ele ainda era ativo), a igreja (fundada em 1883), as catacumbas… além de sala de jogos, biblioteca, jardins etc.

Existem trilhas maiores e mais difíceis (algumas parece que exigem até escaladas), que levam a pontos como a gruta de Lourdes, a capelinha que a gente avista bem de longe, a Pedra da Paciência e a cascatinha, mas não percorremos nenhuma delas neste primeiro fim de semana.

À noite, antes e depois do jantar, pudemos ver o visitante mais ilustre do santuário: o lobo guará, que aparece ao chamado do padre, surge tímido em meio à roda de turistas, come alguns ossos deixados para ele em um tabuleiro, e depois some de novo. Vai e volta, vai e volta, posa para cliques e flashes, e ficamos ali admirando aquele bicho esquisito, meio-cachorro-meio-raposa, ameaçado de extinção, e que, mesmo assim, não se importa de entrar num território cheio de humanos estranhos tomando taças de vinho e copos de cerveja. Enquanto isso, vamos ouvindo uma verdadeira aula do padre (infelizmente, esqueci de anotar o nome dele), sobre os hábitos desse animal.

O padre e o lobo

O padre e o lobo

Dizem que uma anta também aparece de vez em quando para comer com o lobo, mas não tivemos a sorte de vê-la.

A ala em que dormimos, que tem uma linda vista para a serra, é, assim como todo o complexo, uma construção bastante antiga, daquelas casas que parecem ter vida como seus habitantes. Que ecoam os passos, as vozes, e se silenciam de repente, no fim da noite, num breu total. Foi um sono profundo que eu dormi naquela noite, de 23h às 6h30, ininterruptamente, e acordei tão cedo assim (como não fazia há séculos) porque já estava revigorada. Saí andando de pijamas e de câmera em punho, fotografando o santuário, ainda dorminhoco, envolto em neblina. Os jacus agora comiam os restos dos ossos deixados pelo lobo-guará, só migalhas.

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Os jacus, bem cedinho.

No domingo, depois do café da manhã mais farto do mundo, fomos visitar o museu. Ali conhecemos a história do colégio interno, que já abrigou várias personalidades importantes das letras e da política, e cuja história foi interrompida por um incêndio, em 1968, que começou na oficina de restauração de livros e se propagou pelos dormitórios da criançada (ninguém se feriu, mas os bombeiros levaram mais de cinco horas para chegar, de Belo Horizonte, e começar a conter as chamas). O museu tem fotos, vistas bonitas de todo o santuário e um relato interessantíssimo escrito por Dom Pedro II em seu diário. Fiz questão de fotografar para reler mais vezes (clique para ver as imagens em tamanho real e ler também):

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Fomos embora perto da hora do almoço, passando agora pela estrada que leva a Ouro Preto, que tem paisagens deslumbrantes da Serra do Espinhaço e é muito mais bonita que a tenebrosa BR-381, embora seja um caminho mais longo para Belo Horizonte.

Foi um fim de semana mágico, encantado, mergulhado no passado, na natureza e no descanso, cercada por pessoas relaxadas, interessadas, sorridentes, de várias crianças e famílias, por passarinhos, jacus, lobos, araucárias e montanhas de cartão postal. Fiquei tão pouco, mas foi como se eu tivesse me distanciado uma semana desse caos barulhento e poluído onde moramos.

Quem quiser só passar o dia no santuário também pode! A visita começa às 8h e vai até as 17h, com taxa de R$ 10 por pessoa, se não me engano. Eles entregam um mapinha na entrada. O local para visitantes tem lanchonete, banheiros e uma lojinha para comprar souvenires (claro que comprei um ímã de geladeira!).

Abaixo, separei uma galeria de fotos, com 40 imagens, que ajudam a ilustrar o que já descrevi até agora. As legendas também contam bastante coisa:

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Veja nos links as informações sobre como chegar, preços das hospedagens e mais informações sobre o santuário.

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