A história do gato que não parava de miar

Foto: Yung Bender / Unsplash

Tudo começou há uns dois meses.

Um gatinho, que parecia filhote (não sei por quê, mas parecia), deu para miar o dia inteiro. In-tei-ro. Manhã, tarde, noite, madrugada.

Foto: Loan / Unsplash

O miado parecia sofrido, lamurioso. Principalmente alto.

A primeira coisa que pensamos é que poderia ser um filhote que ficou preso em um cano, algo assim. Pensamos até em chamar os bombeiros, mas não tínhamos ideia de onde ele poderia estar.

Até que o miado diminuiu, diminuiu, e parou.

Ou melhor, achamos que tinha parado.

Logo ele recomeçou, principalmente durante a madrugada. Dava 3h da matina e eu estava acordando com aquele miauuuuuu insistente.

Irritante.

Virou assunto no grupo de WhatsApp do prédio. De quem é esse gato dos infernos que nos acorda toda noite? Que não para de miar nunca?

Logo apontaram para uma vizinha, a do andar de cima, mas ela negou veementemente que sua gatinha estivesse por trás daquela lamúria.

Um dia, olhando para fora, avistamos um bichano preto, com cara de gato adolescente, na janela do apartamento em frente.

Do outro prédio.

 

Foto: Pacto Visual / Unsplash

 

Mesmo com um muro entre nós, e com a distância entre as janelas, deu para perceber que ele era o autor daquela orquestra desafinada.

Miauuuuuuuuuuuu-miauuuuuuuuuuuuuuu, fazia, estridente.

Da janela da vizinha. E olhava pra gente.

Pensamos que ele pudesse ter sido abandonado, estar passando fome, ou doente.

Mas como a dona ou dono do apartamento poderia abandonar o apartamento com gato dentro e ainda deixar as janelas todas abertas assim?

Será que esse proprietário sem coração fazia viagens a trabalho, ou tinha expediente de madrugada, e deixava o bichano pra trás, sem ração? Miauuuuuuuuuuuuu…

Foto: Borna Bevanda / Unsplash

Os miados prosseguiam insistentes, agudos, altos, principalmente de madrugada. Os vizinhos dos dois prédios insones, mas ninguém fazia nada a respeito. Só reclamava.

– Que diabo de gato é esse que nunca para de miar?

E eu continuei conjecturando. Será que o dono do apartamento (e do gato) morreu? O bicho está lá passando fome ao lado do prato de comida vazio e de um cadáver?

Só isso conseguia explicar o fato de que o próprio tutor não se sentisse incomodado com os miados, como todos os demais moradores já estavam, há tanto tempo.

Vai ver, morreu.

Alguma pessoa solitária, sem parentes ou amigos, aposentada talvez, que teve um infarto fulminante e ninguém deu pela falta dela.

Só o gato, que não para de miar para alertar todo mundo: está morta! Está morto! E eu estou com fome! FAÇAM ALGUMA COISA, dizia ele, com seu miau patético.

Eis que resolvemos fazer alguma coisa. Contatamos o síndico do prédio do gato. Explicamos a ele a situação. Você não ouve também?, quisemos saber.

Ele disse que sempre ouviu, sempre se irritou, mas não sabia de onde vinha, achava que era do nosso prédio, e ficou por isso mesmo.

Aparentemente, dezenas de adultos insatisfeitos combinaram entre si que o melhor era cruzar os braços e ver se alguma entidade divina calava o bico, ou melhor, a boca, do felino berrante.

 

Foto: Matheus Queiroz / Unsplash

 

O resultado da nossa ligação é que o síndico foi até o apartamento, tocou a campainha e foi devidamente atendido pela proprietária – que está viva e passa bem, obrigada (embora talvez sua audição mereça uma verificação mais acurada).

Ela disse que, na verdade, os autores dos miados são dois, e não um. Ou melhor, duas. Uma das gatas dela entrou no cio, depois foi a vez da outra. E essa cantoria alternada de miaus de madrugada, há dois meses, nada mais é que as duas bichanas buscando parceiros no Tinder do reino animal.

Pra acabar com isso, reza a cartilha dos especialistas que basta que as gatas sejam castradas. Simples assim.

Foto: Yung Bender / Unsplash

Agora veremos o fim da história: será que a tutora vai criar vergonha e esterilizar suas bichanas, como recomendam todos os veterinários (veja mais AQUI), e encerrar este show que deixa toda a vizinhança insone? Ou será que seguiremos nesta tormenta enquanto o cio durar, o que pode levar semanas ainda de idas e vindas? Será que o síndico vai aplicar uma multa à proprietária pelo incômodo gerado? Será que os vizinhos vão fazer um motim e sair pela rua, de madrugada, com pantufas, pijamas e placas pedindo uma solução para o problema? Será que algum gato das redondezas vai invadir aquela janela e fertilizar aquelas gatas, gerando uma ninhada enorme de novos gatinhos barulhentos?

Em breve eu conto o capítulo final desta novela! Por enquanto, só me resta aguardar e (tentar) dormir.

 


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Por Cristina Moreno de Castro (@kikacastro)

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Redes sociais: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro e www.instagram.com/arvoresdascidades.

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