Um brinde ao Jô, com a caneca cheia de alegria (1938-2022)

Foto: Divulgação

Nota da Cris: Hoje o Brasil perdeu Jô Soares, um daqueles caras “diferenciados” em tudo o que faz. Ficou mais famoso por seus programas de entrevistas, no SBT e na Globo, mas também escreveu best-sellers (já li três deles: O Homem que Matou Getúlio Vargas, O Xangô de Baker Street e As Esganadas), criou personagens no teatro e na TV e publicou várias colunas na imprensa.

Hoje a “Folha” relembra, por exemplo, as cartas que ele escreveu ao presidente Jair Bolsonaro criticando/satirizando seu governo. Aliás, o mais legal do Jô Soares é que ele era bem-humorado. Pra mim, as pessoas mais inteligentes são as que sabem falar de assuntos duros com leveza e bom humor.

E a maior prova de seu talento é que ele deixa é uma legião de fãs, que ficavam acordados até tarde da noite para não perder seu talk-show. Um deles é meu marido, que escreveu o texto abaixo em homenagem ao “Jóssua”.

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Texto escrito por Beto Trajano:

 

Jô Soares, em foto de divulgação

Hoje de manhã, eu e a Cris estávamos na cozinha fazendo café e conversando. Contei a ela que, ontem à noite, quando fui jantar, liguei a TV e coloquei no Podpah – para quem não conhece, o maior podcast de entrevistas do YouTube.

Enquanto a gente conversava, falei que, para mim, desde que o “Programa do Jô” terminou, o Podpah é o melhor programa de entrevistas. E contei que lá em casa era tradição nos juntarmos no fim de noite na frente da TV para assistir ao “Programa do Jô”, a quem carinhosamente chamávamos de “Jóssua” (como bons mineiros, gostamos de juntar palavras).

Também contei sobre a entrevista mais marcante que assisti no Jô, a dos então desconhecidos Mamonas Assassinas. Foi no ano de 1995, no SBT. Desde esta época, eu já ficava acordado até tarde para ver o Jô. Eu e todos da minha família tínhamos um carinho especial por ele.

 

 

Logo depois da nossa conversa na cozinha, pego o celular e leio a notícia da morte do Jóssua, aos 84 anos. Contei no mesmo instante para a Cris, e ela me pediu para escrever este texto com a minha memória afetiva (que é como a de milhões de fãs).

 

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Jô Soares e seu sexteto. Foto: reprodução

Além do Jô, a gente adorava o Bira, o Derico, o Alex. Para quem não se lembra, os dois primeiros eram o baixista e o saxofonista do Sexteto do Jô e o último era o garçom, responsável pelas bebidas que eram servidas aos convidados do programa.

Também havia um grande mistério sobre o que o Jô tomava em sua famosa caneca, outra personagem marcante do programa.

 

Latuff homenageia Jô Soares.

 

Acho que não tem como ficar falando de entrevistas marcantes, porque foram inúmeras. Minhas favoritas eram com os músicos, acho que era quando ele ficava mais feliz. Mas ele entrevistou todo tipo de personalidade e também pessoas anônimas para o grande público: políticos, cientistas, atores, empresários, artistas plásticos, médicos, advogados, adultos, velhos e crianças.

Por falar em crianças, foi no “Programa do Jô” que ouvi pela primeira vez a Mallu Magalhães. Com 15 anos, a menina tinha acabado de viralizar no extinto My Space, em 2008.

 

 

Bem velhinho, agora, Jô parte para reencontrar muitos amigos. Que seja recebido por Bira, ao som marcante de seu contrabaixo e com muita música e festa. Não se esqueça de levar a caneca, cheia de alegria, para um brinde!

Fica a dica

Para quem gosta, assim como eu, de assistir a programas de entrevistas, vale conhecer o PodPah no YouTube. Mítico e Igão andam assumindo este legado do Jô.

Também não posso de deixar de recomendar o recém-lançado podcast dos meus amigos Marcão, Fuscaldi e Helton, o Bora Pra Resenha, que também está no YouTube. O último episódio que eu vi foi com o chargista Duke:

 

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Por Cristina Moreno de Castro (@kikacastro)

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Redes sociais: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro e www.instagram.com/arvoresdascidades.

1 comentário

  1. Em 1969 eu estudava jornalismo na UFMG. Uma das lembrança que tenho de Jô Soares foi um artigo que escreveu no “O Pasquim” intitulado “A Cama”. O ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, processou-o por obscenidade, e perdeu a causa. Alguém se lembra desse ministro terrível da ditadura militar? Beto Trajano – e milhões de outras pessoas – mostra que tem boas lembranças do gordo.

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