Clóvis Rossi fala o que é preciso para ser jornalista

Quando eu trabalhava na Editoria de Treinamento da Folha, fiz cerca de 100 vídeos, que foram divulgados no blog Novo em Folha e na intranet do jornal. Eu tinha separado esses vídeos aqui no blog, para quem tivesse interesse em assistir (principalmente estudantes de jornalismo), mas descobri recentemente, com pesar, que não só o blog praticamente sumiu do mapa como todos os vídeos também desapareceram.

Por sorte, eu sou a pessoa mais organizada do universo e tenho todos esses vídeos salvos no meu computador. Um dia em que eu estiver bem à toa, vou colocá-los um por um no YouTube, para que não se percam, porque tem muita história bacana ali.

Hoje eu ainda não estou à toa, mas fiz questão de fazer o upload do vídeo com o jornalista Clóvis Rossi, indiscutivelmente um dos melhores e maiores do Brasil, que morreu aos 76 anos. Ele participou de uma das séries do Novo em Folha, em que um jornalista fera dizia o que era preciso para ser um bom jornalista. Além dele, teve gente como a Mônica Bergamo, a Renata Lo Prete, a Eliane Cantanhêde, a Claudia Collucci, a Elvira Lobato, o Fernando Rodrigues, o Frederico Vasconcelos, o Gilberto Dimenstein, a Laura Capriglione, o Rubens Valente etc. Uns falaram por vários minutos, outros foram mais objetivos.

Clóvis Rossi faz parte do segundo grupo. Apesar de ser repórter especial no jornal e um dos mais premiados jornalistas do Brasil, ele me recebeu com a maior simpatia, simplicidade e falta de vaidade do mundo. Não me lembro exatamente o que disse, mas foi algo na linha de: “Quem sou eu pra falar o que um bom jornalista deve fazer”. Como se fosse um foca, e não o Clóvis Rossi. Zero arrogância, zero antipatia. Quando dei o “rec” na câmera, ele falou sua receita, de uma tacada só, em uma frase só, levando apenas 12 segundos para passar o recado.

Com certeza foi o vídeo mais curto que já fiz. Não por isso o mais raso.

Foi depois de conhecer pessoas como Clóvis Rossi que tive a convicção de que os melhores jornalistas quase sempre são os mais humildes, quase sempre são os menos vaidosos. Pode anotar aí: aqueles que ficam toda hora fazendo autopropaganda não passam de enganadores.

Hoje o site da “Folha” traz vários depoimentos emocionantes de gente que conviveu de verdade com Clóvis Rossi, foi amigo dele, aprendeu com ele. (Até chorei lendo o do Ricardo Kotscho). E todos são unânimes em dizer o quanto ele era generoso. E como esta é uma característica rara, viu! Ainda mais neste meio de vaidades do jornalismo. Por isso, mesmo sem ter realmente convivido com ele, lamento, como leitora de suas colunas, por sua morte. Ainda mais diante do otimismo que ele demonstrou no último texto publicado. Deu até um aperto no coração.

Eu só tenho a compartilhar estes generosos 12 segundos que ele me deu, com muita simpatia, num meio de tarde. Ficam sendo uma lembrança valiosa, que agora volto a compartilhar com todos.

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2 comentários sobre “Clóvis Rossi fala o que é preciso para ser jornalista

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