Fiquei sabendo da morte da Hebe pelo porteiro, na manhã de sábado – porque nos últimos dias tenho me dado ao luxo de ficar alienada dos jornais. Ele estava triste e me deu a notícia como se uma parente tivesse morrido e com a certeza de que eu também ficaria triste.
Óbvio, é claro, que não senti nada pela morte dela, mas, em respeito a ele, declarei: “Que pena, né. Mas ela estava muito doente, devia estar sofrendo.” E tal.
Lembrei de um episódio que já estava se apagando da minha memória e que decidi resgatar aqui no blog, como fiz há um ano.
O dia em que a Hebe me entrevistou.
Eu tinha feito uma participação pequena no filme do “Menino Maluquinho”, como a Julieta, a “menina maluquinha”. As gravações foram em 1994, mas o filme só foi lançado em julho de 1995. Estava no auge, portanto, quando a produção da Hebe decidiu convidar toda a turma para o programa especial de dia das Crianças, em 12 de outubro.
Depois, sei lá por qual razão, mudaram os planos e resolveram levar só o “casalzinho” do filme. Provavelmente para economizar, já que todos os “atores mirins” eram de Belo Horizonte e o SBT teria que arcar com passagens, hospedagem e táxi.
Lembro que, até aquele dia, eu nunca tinha assistido a um programa da Hebe Camargo. Afinal, eu tinha 10 anos de idade e a única coisa que eu sabia do programa dela é que minha avó, de 75, gostava de vê-lo.
Quando contei para as amiguinhas do colégio sobre o convite, a maioria retrucou: “Hebe? Se ainda fosse a Xuxa…” Elas tinham razão. Não que eu gostasse da Xuxa também, mas a Hebe parecia algo fora de lugar. Passava tarde na tevê e nenhuma criança assistia. Mas, é claro, eu estava entusiasmada com a experiência nova.
Fui com minha mãe. Foi a primeira vez que pisei em São Paulo. Lembro que minha primeira impressão da cidade foi péssima. Era cinza, grande e, na minha memória, seus viadutos, túneis e avenidas eram colossais e desproporcionais. Quanto carro! Lembro que achei tudo grande demais.
Ficamos hospedadas no Hilton, se não me falha a memória. Que não faço ideia de onde fica (deve ter mais de um, né?). Sei que o colchão era mole pra danar e eu fiquei pulando nele como se fosse cama elástica.
Minha mãe tinha comprado uma roupinha nova pra eu usar no programa, um coletinho e saia vermelhos, mas nem precisava, porque a produção tinha conseguido o figurino do filme e eu ia entrar vestida de Julieta.
Se não me engano, naquele programa também havia outras “atrações”, como a dupla Sandy e Júnior e a Angélica, cantando uma música nova sobre relógios. Eu estava nervosa, supertímida, e encontrei com o Samuel Costa, todo à vontade e falante, numa espécie de salinha de espera, que não era o camarim.
Só fui conhecer a Hebe na hora de entrar no palco. Era tudo ao vivo. Eu, nervosíssima. O Samuel, à vontadíssimo.
E, à medida que o programa passava, pior eu ficava. Porque a Hebe fez umas duas perguntas pra mim e umas 25 pro Samuel, apertava a bochecha dele, dizia o quanto ele era incrível, e parecia nem saber quem eu era. Acho até que ela errou meu nome, a certa altura.
Depois não consegui assistir de novo a esse vídeo, porque gravamos num VHS lá em casa e o videocassete estava com problema, então saiu tudo tremido. Acho que a fita nem existe mais. Por isso, e como uma memória muda muito ao longo de 17 anos, só me restaram essas breves lembranças – e a impressão de que Hebe Camargo não era mesmo para crianças.
***
Infelizmente não achei nada no Youtube, mas encontrei estes vídeos com a chamada para o programa e com a Angélica, do mesmo dia:
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