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Carta a um vizinho lunático

Prezado senhor vizinho de baixo,

Venho mais uma vez falar com o senhor, mas desta vez com ruga de preocupação fincada na minha testa em relação à sua saúde mental.

Está tudo bem? Tem tomado os remédios direitinho? Algo tem te deixado estressado?

Pois tenho que te dizer que achei preocupante receber mais uma vez um interfone do meu zelador, às 23h20 de uma noite fria de domingo como esta, dizendo que meu vizinho de baixo mais uma vez pede que eu pare de fazer barulho.

Minha reação óbvia foi a seguinte:

— Este cara é louco! Eu estava lendo na minha cama!

(Na verdade eu estava sentada no computador digitando um e-mail, mas essa é uma tarefa tão silenciosa quanto ler deitada na cama, então achei que, para um senhor tão obsoleto quanto meu estimado vizinho, ler na cama resumiria mais didaticamente meu estado de letargia completa.)

— Deitada lendo?, perguntou o incrédulo zelador.

— Sim!

— Mas ele disse que se você não parar com o barulho, ele vai chamar a polícia.

(Quase pensei em chamar a polícia eu mesma, e o hospício, para apreender o senhor. Mas também seria engraçado se o senhor chamasse os tiras e eles viessem aqui bater na minha porta e vissem o jornal aberto na minha cama, o computador aberto ao lado e eu, de pijama e chinelos, revezando numa das duas atividades.)

— Pois então é algum vizinho de baixo do apartamento dele, ou sei lá eu de onde!

Detalhe: nem barulho de TV ou de rádio está rolando aqui agora. Só o tec-tec no meu teclado, que, ao que me consta, não é um barulho dos mais ensurdecedores a ponto de invadir paredes.

Portanto, meu caro vizinho, eu te peço uma gentileza: tome seus remédios direitinho, ou pare de usar drogas alucinógenas, faz favor! Se eu estivesse dormindo e recebesse a ligação estridente do interfone, seria eu a chamar a polícia. E é o que farei na próxima vez.

Grata,

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

12 comentários em “Carta a um vizinho lunático Deixe um comentário

    • Vou copiar este textinho da Wikipédia e deixar debaixo da porta do cara: “Alucinações auditivas. Geralmente são referidas vozes, dirigidas ou não ao sujeito que vivencia a experiência, com maior ou menor hostilidade – audição dos próprios pensamentos ou sons do mundo cotidiano. As referências mais conhecidas nas mitologias são o canto das sereias das lendas gregas e o chamado do próprio nome pelo Mapinguari da floresta amazônica. As alucinações auditivas devem ser distinguidas do resultante das afecções dos processos auditivos ocasionadas, segundo Luria, por lesão nos diferentes elos da cadeia auditiva, a exemplo das alterações do limiar de percepção, surdez (perda auditiva em diferentes graus), dor associada à intensidades sonoras (recruitment), zumbidos, chiados e ruídos (acúfenos) resultantes de processos patológicos distintos. Ainda segundo esse autor as alucinações auditivas (músicas, falas, etc.) podem ser provocadas por irritação das áreas primárias do córtex auditivo como o demonstraram as experiências de Forfoerster e Penfield.”

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  1. Quando eu morava no interior isso vivia acontecendo! Um vizinho sempre reclamava ao zelador que eu e minha amiga vivíamos arrastando os móveis e ouvindo música alta, e o pior é que algumas vezes sequer estávamos em casa! Num sei, mas acho que deviam incluir os remédios dos sno condomínio – se o retorno fosse em sossego, é provável que eu ficasse até feliz em pagar, rsrsrs

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  2. Sem pretender solucionar o problema, sugiro que fale pessoalmente com ele, na presença do zelador. Aho que uma carta pode deixá-lo ainda mais agressivo (lembre-se que ele está muito bravo com seus barulhos ensurdecedores).
    Abraços, Cristina.

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