Seguindo o conselho da Larissa e do José Américo, decidi que hoje eu encararia de vez o vizinho de baixo.
Cheguei a fazer uma carta, mais educada que os dois posts-desabafo neste blog, mas decidi que o melhor era ir até o apartamento dele, acompanhada do zelador, e me apresentar.
Interfonei da portaria e ele não deixou que eu subisse. Mas aceitou falar comigo pelo interfone.
Falei tudo o que eu tinha que falar e ele ficou praticamente só escutando. Aí uma hora ele disse:
— É, o zelador me explicou ontem que o barulho reflete mesmo. (Tom de voz de quem pede desculpas).
— Mas reflete qual barulho? O das páginas do livro que eu tava lendo? (Meu tom de voz era um misto de impaciência com vontade de chorar).
— Não, o barulho de outros apartamentos reflete e fica parecendo que é o seu.
— Muito bem, então eu queria que o sr. pensasse bem antes de acordar o zelador e mandar ele me acordar para reclamar de um transtorno que não é causado por mim. Ontem fiquei com insônia até depois de 1h por causa desse episódio, que me chateou muito. Eu me considero uma pessoa muito cuidadosa em relação aos vizinhos, nem sapato de salto alto eu uso. É por isso que eu queria falar pessoalmente, para me apresentar e resolver de uma vez esse problema. (Meu tom de voz era firme).
— Gostei muito que você ligou. (O tom de voz dele era amistoso).
— Boa noite.
— Boa noite. (Tons de voz neutros).
Agora vamos ver se terei a sorte da Larissa ou se continuarei com medo de caminhar descalça na minha própria casa.






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