Dois romances gráficos sobre inclusão e respeito às diferenças

Ilustrações de capa dos livros A Diferença Invisível e O Pequeno Astronauta.
Ilustrações de capa dos livros A Diferença Invisível e O Pequeno Astronauta.

Tirei a última semana para matar minhas saudades de ler graphic novels ou romances gráficos. A verdade é que andei descobrindo uns bem legais nas minhas andanças pelas livrarias*, que cheguei a sugerir para a melhor biblioteca de BH, mas, enquanto não se convencem de que vale a pena adquirir esses livros, peguei outros tantos emprestados na seção dos quadrinhos para adultos.

Dos cinco romances gráficos que li na semana passada, dois me tocaram mais a fundo e resolvi recomendá-los aqui no blog. Coincidentemente, o mote de ambos é o tema da inclusão e do respeito às diferenças. (Que foi tema do meu último post também, diga-se de passagem).

A diferença invisível, de Julie Dachez e Mademoiselle Caroline

O primeiro foi este “A Diferença Invisível”, de duas autoras francesas. Ele narra a história real da psicóloga Julie Dachez, que foi diagnosticada com autismo em 2012 e, desde então, tornou-se uma ativista pelos direitos e pela inclusão das pessoas com TEA (transtorno do espectro autista).

Este livro dela foi publicado em 2016 e chegou ao Brasil um ano depois, pela editora Nemo.

Quando foi diagnosticada, aos 27 anos, ainda era adotado o termo síndrome de Asperger, que caiu em desuso por várias razões, que podem ser vistas neste artigo ou neste vídeo, ambos feitos pelo Instituto NeuroSaber.

Então o uso desse termo ao longo da obra pode incomodar as pessoas que lidam com o TEA hoje, à luz do que se sabe mais de uma década depois que Julie escreveu seu livro.

Mas, na minha opinião, este continua sendo um livro bem didático e interessante, com várias informações úteis sobre algumas características compartilhadas por muitas pessoas com autismo.

Cena de A Diferença Invisível
Cena de A Diferença Invisível

Ao acompanhar os quadrinhos, praticamente sentimos na pele a hipersensibilidade que Julie sente ao som e à luz forte, seu cansaço até físico ao interagir com muitas pessoas e sua necessidade de seguir rotinas rígidas. Nas páginas finais, o livro traz algumas informações de contexto histórico e científico para além da vivência de Julie, que servem como guia prático inicial a muita gente que não sabe nada do assunto.

Mas o mais importante, a meu ver, é que ele traz uma mensagem sempre valiosa sobre o respeito às diferenças e sobre o esforço coletivo que deveria existir para que o mundo fosse mais amigável e habitável para tod@s. Inclusive nos ambientes de trabalho, mas também nas rodas de amigos e nos relacionamentos amorosos.

 

Capa do livro A Diferença InvisívelA diferença invisível
Julie Dachez e Mademoiselle Caroline
Ed. Nemo
192 páginas
R$ 46 na Amazon (preço consultado na data do post, sujeito a alteração)

***

O pequeno astronauta, de Jean-Paul Eid

Li depois esta pérola linda que é “O Pequeno Astronauta”, que me tocou ainda mais que o livro anterior.

Esta obra é bem menos autobiográfica, mas o autor líbano-canadense conta no fim que ele se inspirou na vivência com o próprio filho:

“Hoje meu filho tem 20 anos. Ele vive com uma paralisia cerebral. É um garoto feliz. Este livro é dedicado a Mathilde, a irmã mais velha que todos os caçulas desejam ter quando vêm ao mundo.”

Nesta história de lindos traços, acompanhamos a jovem Juliette, em uma visita que ela faz à antiga casa da família.

Lá, suas memórias são despertadas por cada esquina de cada cômodo, e ela vai se lembrando da chegada do irmãozinho Tom, de quando ele foi diagnosticado com paralisia cerebral, de como a família se adaptou para cuidar dele e enchê-lo de afeto, das preocupações, mas também alegrias e motivos de orgulho que o pequeno trouxe a todos.

Cenas de O Pequeno Astronauta
Cenas de O Pequeno Astronauta

De novo, senti este livro como uma exaltação das diferenças neste mundo em que a normalidade é abraçada, em que qualquer coisa que saia do esperado gera tensão (quando não ódio).

As memórias de Juliette também são exemplo de inclusão e mostram como Tom trouxe muito amor à sua família. Sem ingenuidade, porque há várias situações de preconceito e abandono devidamente retratadas também.

Mas foi um livro que me encantou, tanto pelas imagens quanto pelas falas, especialmente as cenas de explosão da mãe de Tom (com a diretora da escola, com o policial, com o marido). Achei tudo muito sincero, comovente e precioso, provavelmente por partir da experiência real do autor. Vale a pena conhecer este pequeno astronauta ❤

 

O Pequeno Astronauta, de Jean-Paul EidO pequeno astronauta
Jean-Paul Eid
Ed. Nemo
152 páginas
R$ 65 na Amazon (preço consultado na data do post, sujeito a alteração)

 

* P.S. Estes foram os romances gráficos que descobri nas minhas andanças literárias e que estou torcendo para a biblioteca querer incluir em seu acervo: Túneis (de Rutu Moda), Meus Fantasmas (de Tessa Hulls), A Conversa (de Darrin Bell), Resta Um (de Jordan Crane) e A Casa (de Paco Roca).

 

Leia mais resenhas de livros em HQs e graphic novels:

 

➡ Quer reproduzir este ou outro conteúdo do meu blog em seu site? Tudo bem!, desde que cite a fonte (texto de Cristina Moreno de Castro, publicado no blog kikacastro.com.br) e coloque um link para o post original, combinado? Se quiser reproduzir o texto em algum livro didático ou outra publicação impressa, por favor, entre em contato para combinar.

➡ Quer receber os novos posts por email? É gratuito! Veja como é simples ASSINAR o blog! Saiba também como ANUNCIAR no blog e como CONTRIBUIR conosco! E, sempre que quiser, ENTRE EM CONTATO 😉

Assinar no LinkedInCanal do blog da kikacastro no WhatsAppReceba novos posts de graça por emailResponda ao censo do Blog da Kikafaceblogttblog


Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Avatar de Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista desde 2007 (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), dona da empresa Kikacastro Comunicação desde 2022, blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo