- Texto escrito por José de Souza Castro
“Âmbar” é o título do vigésimo sexto livro do escritor mineiro Wellington Abranches de Oliveira Barros, que recebi há pouco em casa com dedicatória do autor, que leio desde o primeiro, “As Quinas do Mundo”. Leio para me divertir e aprender com esse notável professor formado pela Universidade Federal de Viçosa.

Por que âmbar? Uma homenagem a uma colega no Curso de Especialização em Comunicação Rural da USP, que se recusou, durante um trabalho prático envolvendo todos os alunos, a tirar do braço uma pulseira, explicando que era um presente da avó, emigrante da Lituânia, comprada em sua terra natal:
“Quando ela estava para morrer, prometi-lhe que nunca tiraria a pulseira do braço. Eu tinha 12 anos na época, e já faz 14 anos que ela não sai daqui”.
Além de bonito, o âmbar tem propriedades medicinais, escreveu Wellington:
“Tem ação anti-inflamatória e analgésica, alivia dores de garganta, das articulações (artrites, reumatismo), dores musculares e da dentição de bebês. Serve, também, como amuleto de energia positiva”.
Tudo graças à presença do ácido succínico liberado pelo âmbar.
Bem, já disse que Wellington, com quem trabalhei em 1975, gosta de aprender e ensinar.
Escrevi também, em artigo publicado neste blog, que Rui Barbosa não era o herói que muitos acreditam ser. Pois, neste último livro de Wellington, ele põe na última capa uma frase de Rui Barbosa que me fez pensar. É tirada de um discurso feito em 14 de dezembro de 1914 no Senado Federal. Esta:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Observa Wellington:
“O conceito de ‘O Triunfo das Nulidades’ refere-se, no contexto jurídico e político brasileiro, à ideia de que falhas formais, vícios processuais e tecnicalidades legais estão sobrepondo à busca pela verdade real e à aplicação da justiça, resultando na anulação de processos importantes e na impunidade”.
Os exemplos estão aí. Não é que Rui Barbosa, um baiano falecido em Petrópolis em 1923, com 73 anos de idade, era um profeta?
Entre muitas outras coisas que aprendi lendo “Âmbar”, está também uma maneira melhor de lidar com a velhice. Sou sete meses mais velho que Wellington. Diz ele:
“Não quero ser um velho ranzinza, que vive reclamando pelos quatro cantos da casa. Para tanto, procuro manter meus neurônios em dia”.
Caminhadas diárias, exercícios de alongamento… tudo o que serve para adiar uma inevitável dependência dos outros. Tendo em vista, sempre, que viver é melhor que morrer.
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