Homenagem a Homero Cabral de Souza (1939-2026), meu herói Timirim

Homero Cabral de Souza, o Timirim.
Homero Cabral de Souza, o Timirim.

Homero Cabral de Souza (Tio Homerim, Tio ‘Mirim ou simplesmente “Timirim”), o décimo primeiro dos 12 filhos de meu avô paterno, morreu na última terça-feira (28) e seu corpo foi sepultado no dia seguinte no Cemitério Bosque da Esperança, distante do centro de Belo Horizonte, no caminho para o Aeroporto de Confins. Quando menino, Timirim era o meu herói. E continuou assim até agora.

Ele nasceu em novembro de 1939 numa fazenda de Santo Antônio do Monte (MG). Dito assim, é de se imaginar que Tio Homero era filho de fazendeiro. Engano. O pai, Zico Cabral, fazia de tudo para criar os 12 filhos com a ajuda de sua mulher, a vovó Maria das Dores. Como descreve um dos filhos, padre Olavo Cabral de Sousa, em seu livro “Sorrisos e Lágrimas”, ele

“roçava, capinava, plantava, era carpinteiro, ferreiro, consertava telefone, relógios e até encanava braços e pernas quebrados. Ferrava e amansava cavalo bravo. Madrugava para fazer rapadura ou matar porco para a despesa. Mamãe, além de cuidar da criançada, torrava farinha, cozinhava, lavava, costurava, remendava… todas as roupas eram feitas em casa”.

Como se vê, Timirim tinha a quem puxar. E como puxou!

Foi professor de Português, dono de cursinho preparatório para concursos, viajou vendendo medicamentos para várias regiões de Minas, montou uma firma de representação para vender lavanderias para hospitais, fez curso de homeopatia na Universidade Federal de Viçosa e instalou sua clínica num sítio que comprou em Divinópolis, vizinho do sítio Zico Cabral, de sua irmã Terezinha. Por muitos anos, também teve um programa radiofônico sobre saúde na Rádio Divinópolis e só se aposentou para cuidar de um câncer no cérebro, recolhendo-se a uma casa de idosos em Belo Horizonte. Até morrer, aos 86 anos.

Fui ao velório com minha mulher Ivona e minha irmã Maria de Lourdes, levados por um filho de meu irmão Antônio, o Abelardo. Já sabíamos que, da numerosa família, muitos estariam ausentes. Ou porque morreram, como o Antônio, neste ano, ou porque estavam doentes, como os irmãos do morto, Terezinha, Joana e Otaviano. Outra sobrevivente dos 12 irmãos, a caçula Maria Vilda Cabral de Souza, um ano mais velha que eu, estava lá com o marido, o ex-caminhoneiro Ângelo Silva, que se recuperou de três cirurgias por problemas cardíacos.

Também estava presente a ex-mulher do Tio Homero, Marlene José da Assumpção, mãe dos quatro filhos: Simone, Sueli, Suelene e Sílvio.

Uma família que, tenho certeza, estará por aí por séculos afora. Sim, somos duros de matar.

Timirim (na cadeira de rodas) com os irmãos Terezinha e Otaviano, em festa da família no último domingo. "Foi a despedida de Timirim do sítio que ele tanto amava..."
Timirim (na cadeira de rodas) com os irmãos Terezinha e Otaviano, em festa da família no último domingo. Foi a despedida de Timirim do sítio que ele tanto amava…

***

Nota da Cris: No livro que meu pai escreveu sobre a história da família (“Minhas histórias de Castros, Cabrais e Morenos”, de 2015), Timirim aparece em vários momentos e é protagonista de muitas dessas histórias.

Numa delas, como disse meu pai, fica claro como esta família é de “duros de matar”. Ali na página 82, ele conta que Timirim nasceu em São José dos Rosas, distrito rural no município de Santo Antônio do Monte, e que seu irmão Olavo escreveu que ele nasceu “perigosamente”: “Se me lembro! É claro. Até do primeiro choro. Sozinha, sem ajuda de ninguém, mamãe quase morreu para salvar a vida da criança. Só Deus salvou a dela”.

Eu convivi muito pouco com Timirim nos últimos anos, mas tenho boas lembranças dele de quando eu era criança. Ele tinha toda a paciência do mundo e até brincava de casinha comigo. O que mais guardo na memória é que ele era muito bem-humorado e estava sempre com um sorriso no rosto. Mesmo com essa vida de tanta trabalheira, como escreveu meu pai nesta bela homenagem de hoje. Aliás, até na foto acima, de poucos dias atrás e já bastante adoentado, dá para ver a carinha boa dele. Que você possa descansar agora, Timirim!

***

Leia também:

➡ Quer reproduzir este ou outro conteúdo do meu blog em seu site? Tudo bem!, desde que cite a fonte (texto de José de Souza Castro, publicado no blog kikacastro.com.br) e coloque um link para o post original, combinado? Se quiser reproduzir o texto em algum livro didático ou outra publicação impressa, por favor, entre em contato para combinar.

➡ Quer receber os novos posts por email? É gratuito! Veja como é simples ASSINAR o blog! Saiba também como ANUNCIAR no blog e como CONTRIBUIR conosco! E, sempre que quiser, ENTRE EM CONTATO 😉

Assinar no LinkedInCanal do blog da kikacastro no WhatsAppReceba novos posts de graça por emailResponda ao censo do Blog da Kikafaceblogttblog


Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Avatar de José de Souza Castro

Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo