- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Tenho 41 anos e não chego a sofrer nem com o etarismo nem com os efeitos da menopausa.
Mas tenho plena consciência de que um grande AINDA paira em cima deste texto.
É questão de muito pouco tempo para que o mercado de trabalho comece a me achar velha para funções que domino e pratico exemplarmente há 20 anos na área da comunicação e especificamente do jornalismo.
O relógio biológico também já está tiquetaqueando no que diz respeito à menopausa, que normalmente ocorre entre 40 e 58 anos de idade, segundo a sétima edição do “Guia da Menopausa“, publicado pela Sociedade Norte-Americana de Menopausa e traduzido pela Associação Brasileira de Climatério (sim, descobri hoje que existem estas entidades).
Fato é que os algoritmos do LinkedIn já sacaram que sou público para esses assuntos, porque vira e mexe me aparecem textos a respeito, como os escritos pela sempre ótima Cris Pàz.
Outro dia apareceu um texto sobre isso, por exemplo, da Clea S., listando alguns dos vários transtornos causados pela menopausa, que a acomete agora, aos 55 anos. Diz ela:
“A menopausa causa quase 100 reações na mulher, podendo começar lá atrás, aos 40 anos – o que se chama perimenopausa.
(…) Além do brain fog, uma insônia gigantesca (que só piora com a imunoterapia pós câncer de mama), e dor nas juntas (…).
Fora secura da pele (em todos os lugares), frozen shoulder em muitas mulheres, falta de libido, e muitos outros sintomas. Ah, sem falar nos famosos calorões…
Portanto se você entrar em uma reunião com uma mulher entre seus 45+, saiba que tudo pode acontecer.
Releve aquela palavra esquecida, um calor absurdo que vem do nada, etc. Dê um voto de confiança.”
O “Guia da Menopausa” lista várias outras mudanças que podem atingir as mulheres nesta fase da vida, além das já citadas pela Clea: dor de cabeça, alterações na memória e na concentração, oscilações de humor, falta de energia, depressão e ansiedade, preocupações urinárias, ganho de peso, alterações no cabelo, alterações oculares, auditivas e até dentárias.
Compartilhei o texto dela com a seguinte observação:
“Os caras já são etaristas sem saber de todos esses infortúnios que podem acontecer durante a menopausa. Imaginem quando souberem! Aí é que não vão contratar mulher 50+ MESMO! 😓 Empatia e inclusão no mercado de trabalho só vão até a página 2.”
Não sei se, até que minha idade chegue, seja ela qual for, já teremos todos amadurecido enquanto sociedade, capaz de enxergar valor em quem continua entregando cada vez mais valor justamente por conta da experiência acumulada. Seja no mercado de trabalho ou em todas as outras áreas da vida.
Mas, pelo que sei da nossa sociedade, desconfio que não.
*
P.S. Na próxima quarta-feira (5), vou trazer para cá dois livros que me tocaram muito e que tratam, justamente, do tema “inclusão”.
***
Veja também estes posts sobre etarismo:
- A graphic novel “A obsolescência programada dos nossos sentimentos”
- O filme “O Último Azul”
- O filme “Nonnas”
- O filme “Nyad”
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