O fanatismo e o ódio de um país que está doente

Charge do Duke!
Charge do Duke!

Nesta quarta-feira, completamente apertada com o fechamento da revista, não consegui acompanhar o noticiário geral do país e do mundo, como faço todos os dias. À noite, já em casa, liguei no “Jornal Nacional” para tentar pegar pelo menos uma lasca de informação do que aconteceu no dia. Em um mesmo bloco, vi manifestantes de extrema-direita invadindo a Câmara, interrompendo uma sessão legislativa, e gritando por um golpe militar. Em seguida, pancadaria em frente à Alerj, com manifestantes perseguindo e agredindo o repórter Caco Barcellos.

Juca Kfouri, a quem muito admiro, resumiu bem a situação bipolar NESTE POST.

Luiz estava dormindo no meu colo, enquanto eu via o noticiário. Observei sua carinha inocente, chupeta indo e voltando, e meus olhos se encheram de lágrimas. Em que mundo cão ele veio parar!

Desde as eleições de 2014, o Brasil se tornou um imenso ringue, se tornou um estádio de futebol em dia de clássico, se tornou um conto do Steinbeck. O cúmulo da situação de ódio e fanatismo é quando um pai mata o filho único por discordar de ele participar de ocupações em protesto contra o (des)governo Temer. A tragédia familiar, que termina com o suicídio do pai, é um retrato de um país doente, nas palavras do jurista Eugênio Aragão.

Eu já vinha alertando para isso há muito tempo aqui no blog (veja os links ao pé deste post). A situação está fora de controle, degringolando. Será que ainda dá tempo de respirar fundo e lembrar que, opa, aquele ali é seu filho único e não um inimigo? Ou, opa, aquele outro sujeito é um jornalista exercendo sua profissão?

Ou é isso ou logo não conseguiremos nem respirar mais.

Leia também:

  1. Manifesto a favor do direito de divergir
  2. Fanatismo é burro, mas perigoso
  3. O anarquista que enxerga
  4. Para uns, para outros e para mim
  5. Tem certeza absoluta? Que pena
  6. O vizinho que pensa diferente de você
  7. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  8. Reflexão para as pessoas cheias de si
  9. A saudável loucura de cada um de nós
  10. Qual é a sua opinião, cidadão?
  11. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

5 comments

  1. Os manifestantes que invadiram a Câmara gritavam pela intervenção militar e contra o comunismo no Brasil; na audiência da comissão do senado sobre o projeto “Escola sem partido”, um pequeno grupo de manifestantes favoráveis ao projeto chegaram no final da sessão e gritaram “contra a doutrinação comunista nas escolas” (!). Eu acho que deveríamos fazer um estudo sobre a qualidade da água que essa gente anda tomando, vai que tem alguma substância estranha…

    Eu não sei o que virá pela frente. As perspectivas não são das melhores pelo o que se observa atualmente. 😦

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  2. O Conversa Afiada publica hoje uma continuação do artigo de Eugênio Aragão (http://www.conversaafiada.com.br/brasil/aragao-chama-dallagnol-de-fascista) que explica o fascismo: “Por fascismo entendo essa pratica politica oportunista que se aproveita das fobias coletivas para incutir ao público o ódio a um inimigo comum: o judeu, o índio, o corrupto, o político, o comunista… seja lá o que for. E, mobilizado esse ódio, busca, com a promessa populista de soluções não realizáveis, com argumentação simplória de autoridade, estabelecer seu domínio totalitário sobre a sociedade e o estado.
    É isso que essa campanha pelo “combate” à corrupção está trazendo. O só uso do substantivo “combate” já diz a que essa campanha veio: a uma guerra, com inimigos a serem eliminados.”

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