Maternidade: uma mudança nova por dia

mother-and-baby-1646450_960_720

Até pouco tempo, nosso ritual do sono era assim:

eu colocava Luiz no berço e avisava que ia encher a banheirinha. Enquanto ela enchia, o que só leva uns dois minutos, eu ia e voltava várias vezes ao quarto, aproveitando para dar sustos e fazer brincadeiras, enquanto ele ria-ria-ria, de perder o fôlego. Eu dava banho, que ele amava. Enquanto o vestia, ele já ia ficando relaxadão, chupeta na boca, os olhinhos virando de sono. Eu dava o peito em seguida, e não raro ele dormia no meu colo mesmo. Colocava no berço e ele apagava quase instantaneamente.

De repente, sem aviso prévio, Luiz parou de gostar de ficar no berço enquanto encho a banheira. É só colocar ele lá e já abre o berreiro. Na primeira noite em que isso aconteceu, achei que fosse algo pontual. Na segunda noite, fiquei chateadíssima: poxa, essa era a hora de ouvir as gargalhadas, cadê as risadas gostosas do Luiz? Por que esse choro? Na terceira noite, me conformei: ele tinha mudado de gosto e não teríamos mais – ao menos até a próxima mudança – esse momentinho só nosso antes do banho. (Tive que inventar outro momentinho.)

Passou mais um tempo, e ele começou a chorar também durante o banho. Reclamar muito, remexer na banheira. Nova mudança aparentemente sem sentido.

Poucos dias depois, ele parou de dormir com toda aquela facilidade. Tive que improvisar: cantar, contar historinhas, fazer carinho na sobrancelha. Para pegar no sono, em vez de 5 minutinhos, passamos a gastar uns 30 (hoje foram 90…). Às vezes eu ficava com sono primeiro.

Agora, nova mudança: Luiz começa a negar o peito. Sempre pensei em me esforçar para amamentar os seis meses. Foi uma luta, mas cheguei lá. Daí pensei: “Poxa, senti tanta dor, passei por tanto problema no começo da amamentação, por que parar justo agora que está tranquilo?” E resolvi seguir até que ele fizesse 1 ano. Agora estava pensando em estender até os 2 anos, indicados pela Organização Mundial da Saúde. Mas minha ressalva era sempre uma: o dia em que o Luiz começar a rejeitar meu peito, eu paro. Esse dia está cada vez mais próximo e estou tendo que trabalhar na minha cabeça que, em breve, terei de dar início ao temido desmame.

Isso tudo para dizer que, em coisa de um mês, Luiz passou por quatro mudanças de comportamento relevantes, e apenas em um breve momento do nosso dia. Houve outras dezenas de mudanças na madrugada, no acordar, no café da manhã, no brincar, no transcorrer do dia todo. E em tão pouco tempo…!

Quando a gente pensa que está craque na arte de ser mãe, com rotinas bem estabelecidas para todos os interessados, surgem essas guinadas que desconstroem tudo. E não adianta choramingar, sofrer, lamentar: temos que respirar fundo e adequar. A maternidade é uma adaptação diária. É lembrar, a todo momento, que aquele pequeno serzinho, por menor que seja, já tem muitos desejos, personalidade, individualidade. E que o mais mágico de um relacionamento – embora difícil – não é torcer para que tudo fique sempre igual, mas trabalhar para que eu seja capaz de mudar junto com meu filho, dia após dia, mantendo a mesma sintonia. Que o diferente seja tão bom quanto o igual era antes…

Que outras mudanças me esperam? Que venham!

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Anúncios

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s