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Prefeito Lacerda, o vendedor de rua

texto de José de Souza Castro:

O empresário Márcio Lacerda está-se confirmando como o bom negociante que é, como prefeito de Belo Horizonte. Ele acaba de permutar um trecho da Rua Musas, no Bairro Santa Lúcia, medindo 1.709,903 m², por uma área de terreno com 443,079 m². No primeiro terreno, uma empresa privada promete construir um hotel. No segundo, a prefeitura planeja construir nova rotatória na Rua Musas que vai beneficiar, principalmente, o futuro hotel.

Não é um bom negócio? Os vereadores que acabam de aprovar o projeto de lei 1625, enviado à Câmara Municipal no dia 11 de abril de 2011 pelo prefeito, certamente acham que sim. Mas, bom negócio para quem? Eu, como contribuinte, não acho que fizeram um bom negócio para mim. Nem para você, cidadão de Belo Horizonte, que me lê.

Talvez seja bom negócio para a empresa que vai construir o hotel, que o prefeito preferiu não nominar na mensagem enviada naquela data aos vereadores, juntamente com o PL 1625/2011 que “Dispõe sobre desafetação de trecho de via pública e autoriza alienação, na forma de venda ou permuta, da área que menciona e dá outras providências”.

Para justificar o negócio, Márcio Lacerda diz que ele viabilizará empreendimento hoteleiro, tendo em vista a “Copa das Confederações, a Copa do Mundo de Futebol 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016”.

Leio numa coluna do jornal “O Tempo” que “39 dos 41 vereadores, ou 95%, são considerados hoje apoiadores do prefeito”. Assim, fica fácil fazer negócio. E quando se fala em Copa do Mundo, fica ainda mais fácil.

A imprensa deu pouca atenção ao negócio. No dia 30 de abril, o “Estado de Minas” se dignou a escrever sobre o polêmico projeto. Destaco:

“Com cerca de 200 quartos, o hotel cinco estrelas será erguido no cruzamento da Avenida Raja Gabaglia com a BR-356, de frente para o BH Shopping, no Santa Lúcia, onde um metro quadrado está avaliado em cerca de R$ 1 mil, de acordo com imobiliárias que vendem na região. O projeto do hotel já foi idealizado pela empresa Tenco Realty”. E conclui a notícia:

“Procurada, a PBH informou que ‘apenas o líder de governo na Câmara fala sobre projetos de lei do Executivo’. Segundo a assessoria de comunicação do vereador Tarcísio Caixeta (PT), líder de governo, ele está viajando e ‘sem comunicação’. O projeto não cita o grupo interessado no terreno, mas, em entrevistas à imprensa, o presidente da Tenco Realty, Eduardo Gribel, já anunciou a construção de uma unidade da rede americana Hyatt, que espalhou hotéis luxuosos pelo mundo, no local.”

Por essas simples informações, não tenho dúvidas: um negócio muito transparente…

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

Um comentário em “Prefeito Lacerda, o vendedor de rua Deixe um comentário

  1. O Sr. Eduardo Gribel Homem de Castro, que pretende “comprar” a Rua Musas, no Bairro Santa Lúcia, para construir um hotel de 30 andares, foi um dos contribuintes para a campanha do Prefeito Márcio Lacerda, nas eleições de 2008.
    De acordo com os dados disponíveis na página do Tribunal Regional Eleitoral, ele e sua empresa, a Tenco Realty, ajudaram apenas três candidaturas: a de Márcio Lacerda (PSB) à Prefeitura da capital; a de Marília Aparecida Campos (PT), à Prefeitura de Contagem; e a do Vereador Tarcísio Caixeta (PT), atual líder do Prefeito na Câmara de Belo Horizonte. Isso sugere relações bastante seletas e, ao que parece, muito pessoais.
    Se, como observa o escritor carioca Alcione Araújo, em crônica publicada no “Estado de Minas” em 23 de maio, o que todos se perguntam é por que “este empresário e não outro será beneficiado com um mimo” do Prefeito – isto é, a nossa rua! –, então se poderá concluir que não se trata só de uma “venda” de patrimônio público sem licitação, mas de uma troca de “mimos” entre amigos.
    O que pensar? Em 2008 o Sr. Gribel dá um presentinho de 12 mil e 500 reais ao então candidato Márcio Lacerda, bem como outro de 10 mil ao também candidato Tarcísio Caixeta. Agora, Prefeito e Vereador não fazem mais que retribuir com um presentão avaliado em 3 milhões e 500.
    O único problema é que o presente que pretendem dar à Tenco e a seu dono, a Rua Musas, não pertence a eles. Mas a nós, os cidadãos de Belo Horizonte. E se o Prefeito e o Vereador não veem nenhum problema ético nessa transação, então convém lembrar: nós, moradores desta rua e desta cidade, nunca recebemos nada do Sr. Gribel – nem queremos receber! Por isso a nossa rua não está disponível para a troca de favores, mimos e afagos entre os senhores.

    Jacyntho Lins Brandão
    jlinsbrandao@yahoo.com.br

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    http://www.salveamusas.com.br

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