Cheguei em casa agora, não estou nada inspirada, então vou reproduzir um texto que escrevi no ano passado sobre uma das coisas que mais odeio e desprezo no universo inteiro, disparado: pessoas que humilham outras apenas por serem de camadas sociais mais baixas, ou por serem subalternas no trabalho ou por qualquer outra desrazão discriminatória idiota.
O caso abaixo aconteceu comigo. E nem foi o pior que já presenciei*
Estava eu na fila do caixa, aquelas para “até dez itens”.
Um sujeito, que vestia a camisa “homofobia mata” (bela defesa, por sinal), passava exatos 18 itens, retirados de um único carrinho, junto com seu parceiro de compras. Para burlar a regrinha, que tornava a fila gigante faltando dez minutos para o fim do expediente no supermercado, um deles passou oito itens, o outro passou dez.
Mas ninguém é imbecil. Muito menos a caixa do supermercado, que já devia estar contando aqueles dez minutos para ir embora logo para longe das longas filas. E ela falou alguma coisa, motivada pelo comentário indignado de outro cidadão atrás desses dois.
Começa o bate-boca entre este cidadão e os burladores-de-regras. O de camisa contra a homofobia, mais exaltado, dá um sopapo na caixa, por meio das seguintes palavras:
“Não vou falar com você porque você é uma simples caixa.”
Ela cora. Tem vontade de chorar. Faltavam apenas dez minutos para ela se livrar desse comentário preconceituoso, humilhante e desrespeitoso. Poderia ter ido embora sem esta.
Vale dizer que o cidadão indignado atrás dos dois burladores-de-regras fez uma bela defesa da caixa. Mas inútil.
Inútil porque esse preconceito está arraigado nesta sociedade. Inútil porque as pessoas só defendem seus próprios interesses, com raras exceções. O mesmo que defende os homossexuais trata a caixa do supermercado como coisa menor.
A sociedade em que vivemos só não está totalmente perdida porque há ainda os cidadãos que acreditam nesta inutilidade. E os caixas e garis, que cumprem bem suas tarefas diárias, apesar dos sopapos que levam a todo momento.





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