Hora Mágica

A hora mágica se faz presente em Mucuri, sul da Bahia. (Foto: CMC)

Muito prazer, povo: esta aí em cima é a Hora Mágica.

Ela se manifesta em todas as cidades, todos os dias.

Acontece naqueles minutos, às vezes segundos, em que a luminosidade se torna nem dia, nem noite.

Tudo fica meio fluido, meio flutuante, o sol já se pôs, mas ainda há restos de luz natural, e as lâmpadas da cidade já estão, mesmo assim, acesas.

Quem é míope sabe bem que hora é essa: a hora em que nada se enxerga, não adianta estar de óculos. Consequentemente, não se escuta bem também.

Com isso, fica mais fácil nos perdermos nos devaneios internos, mesmo que nesse instantinho só, tão rápido e tão corriqueiro.

Uma das coisas que mais sinto falta da minha infância e adolescência era poder aproveitar a Hora Mágica caminhando pelas ruas da cidade, por aí, pra comprar um pão que seja.

Na idade em que estamos agora, cheios de responsabilidades inadiáveis, é sempre impossível sair dos nossos compromissos para aspirar esse ar surreal.

E, encaixotados, sonhamos menos e sentimos menos a excepcionalidade que é estarmos vivos.

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