Algumas histórias sobre Alberto Dines (1932-2018) no livro ‘Sucursal das Incertezas’

Alberto Dines fará falta ao jornalismo brasileiro | Foto: Divulgação / EBC

 

Enquanto escrevo este post, na noite de terça-feira (22), meu pai está trabalhando na roça, sem acesso a tevê ou internet. Provavelmente ainda não ficou nem sabendo que o grande jornalista Alberto Dines, com quem trabalhou no “Jornal do Brasil”, morreu algumas horas atrás.

Na falta de um texto do meu pai, o jornalista José de Souza Castro, sobre seu quase contemporâneo (meu pai tem 74 anos, Dines tinha 86), dei uma busca no livro “Sucursal das Incertezas” (disponível para download gratuito na Biblioteca do Blog), em que meu pai conta várias histórias sobre o jornalismo brasileiro desde os tempos do telex ponta a ponta. Alberto Dines é citado nominalmente lá 33 vezes.

Pincei quatro trechos marcantes, mostrando como Dines era inteligente e driblava a censura da ditadura militar brasileira, além de um que fala sobre como foi demitido do “Jornal do Brasil”. Boa leitura:

 

“Alberto Dines, convidado no começo de 1962 para ser o editor-chefe, substituindo Jânio de Freitas (Odylo havia saído em 1958), consolidou as mudanças no jornal. No começo da década de 70, o JB era o maior jornal do Rio, com tiragem de 150 mil exemplares em dias úteis e 230 mil aos domingos. Considerando-se que a população brasileira era metade da atual, os números são impressionantes, se comparados com os de agosto de 2007, quando o Globo vendeu 276.733 exemplares por dia, em média, ficando em terceiro lugar no ranking do Instituto Verificador de Circulação (IVC), atrás da Folha de S. Paulo e, surpreendentemente, do tablóide mineiro Super Notícia, o mais vendido no país.

Como editor-chefe, Dines criou, entre outros, o Caderno Especial, a Revista de Domingo – um caderno de oito páginas, precursor da revista de nome igual lançada em abril de 1976 –, o suplemento Livro (um guia quinzenal de idéias e publicações), o Caderno i (infantil), o JBzinho e o Festival JB de Curta-Metragem. Conviveu com a censura prévia e com a intimidação e a prisão de diretores e editores, em pelo menos duas ocasiões. O JB teve a sede invadida por militares em 1964, sofreu boicote econômico na década de 70 e publicou algumas páginas “subversivas” que ficaram na história do jornalismo brasileiro.

Com base no AI-5, editado dia 13 de dezembro de 1968, no ano seguinte um redator do JB, Antônio Callado, teve os direitos políticos cassados por dez anos. Nascido em Niterói em 1914, Callado foi contratado pelo JB em 1963. Esteve preso por alguns dias logo depois do golpe militar. O jornal enviou-o à Ásia, em 1968, para cobrir a Guerra do Vietnã. Na volta, foi preso e ficou na cadeia por 15 dias. Os militares no poder, aliados e admiradores dos Estados Unidos, não gostaram das reportagens. Além de cassar seus direitos políticos, o presidente Arthur da Costa e Silva, por decreto, proibiu Callado de trabalhar em qualquer veículo de imprensa no Brasil.

Ele não podia também lecionar ou exercer outras atividades intelectuais no país. Ser trabalhador braçal, se exilar ou morrer de fome – eis as opções que lhe oferecia, sem explicitá-las, o amável general. Pressionada, a condessa Pereira Carneiro demitiu Antônio Callado, mas manteve-o, secretamente, na folha de pagamentos, até que o decreto fosse revogado pelo próprio Costa e Silva.”

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“Elio Gaspari, que foi editor de Política, por algum tempo, afirma no livro A Ditadura Escancarada que, na década de 70, o JB não ostentava a mesma ousadia do final dos anos 60. No dia da decretação do AI-5, que institucionalizou a ditadura, o editor-chefe Alberto Dines encontrou uma forma de ludibriar os censores. Usou o espaço em que o jornal normalmente divulgava a previsão meteorológica, no canto superior esquerdo da primeira página, para informar aos leitores: “Tempo negro. Temperatura sufocante, o ar está irrespirável, o país está sendo varrido por fortes ventos”.

Passou batido pelo censor, mas não pelo governo, que prendeu o diretor José Sette Câmara, ex-governador do Estado da Guanabara. A condessa Pereira Carneiro reagiu: avisou que a circulação do JB ficaria suspensa enquanto seu diretor continuasse preso. O governo tentava passar a idéia de que o país era democrático, e recuou temendo a repercussão que tal fato teria internacionalmente. No mesmo dia da prisão, Sette Câmara foi solto.”

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“Alberto Dines havia transformado o JB numa espécie de escola de jornalismo. Ele lançou em 1965, depois de terminar o curso na Columbia University, os Cadernos de Jornalismo (mais tarde chamados de Cadernos de Jornalismo e Comunicação). Seu editor, até o caso do seqüestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, era o mineiro Fernando Gabeira, responsável também pelo Departamento de Pesquisa, com o qual o jornal podia aprofundar temas tratados em reportagens, artigos e editoriais.”

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“Alberto Dines lembra que havia planejado publicar com grande destaque o golpe no Chile e a morte do presidente Allende, em 11 de setembro de 1973. Depois de fechada a edição, Dines tomou conhecimento, já em casa, da comunicação da Polícia Federal de que o assunto não poderia ser manchete. Ele voltou ao jornal e resolveu publicar a primeira página sem qualquer título – sem manchete, como exigia o governo –, mas com o texto, em corpo maior que o normal, ocupando toda a página (com exceção, é claro, do sagrado “L” dos Classificados). O truque agradou a todos, menos ao governo.

– Coincidência ou não, três meses depois fui demitido do JB – afirmou Dines, num depoimento para o projeto Memória da Imprensa Carioca.

A saída de Dines foi traumática. No dia 7 de dezembro, no cantinho esquerdo, no alto da página 3, o JB publicou, sob um singelo título (Aos leitores): “Deixou ontem o lugar de Vice-Diretor Editor-Chefe do Jornal do Brasil o jornalista Alberto Dines. Na mesma ocasião, a Diretoria decidiu extinguir o cargo de Vice-Diretor Editor-Chefe”.

Só. Nos dias e meses seguintes, Dines não voltou a ser mencionado no jornal, nem mesmo nas muitas colunas assinadas. O nome virou tabu.

No entanto, o jornal não tinha do que reclamar, a julgar pelo balanço de 1973, publicado no dia 22 de abril do ano seguinte. O JB faturou bem no último ano de Dines no jornal e lucrou o equivalente a 7,7 milhões de reais, para um capital social de 50,8 milhões de reais. Com a conclusão da nova sede, na Av. Brasil, 500, afirmava o relatório da diretoria, “as operações, economicamente melhor desenvolvidas nas novas instalações, geraram uma Receita 40,2% superior à do exercício anterior, incrementando a tiragem vendida em 32% e a produção de páginas de publicidade em 28%”. Contudo, o balanço expunha números que levariam, mais tarde, ao estrangulamento financeiro do jornal. Inclusive, o exigível em longo prazo equivalente a quase três vezes o montante do capital social.”

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Não preciso nem dizer que recomendo a todos que se interessem pela história recente do Brasil (que alguns querem trazer de volta, lamentavelmente) ou que se interessem por jornalismo a leitura do livro “Sucursal das Incertezas”, que meu pai escreveu e deixou disponível para quem quiser baixar, de graça, bastando clicar AQUI. Em outro trecho que não coloquei aí em cima, ele lembra uma frase que diz muito sobre a personalidade de seu ex-chefe Alberto Dines: “Comandar não é dar ordem, comandar é aprender, fazer junto, co-mandar: o outro também manda, você manda junto”. Como deve ter sido bom ser comandado por alguém que pensa assim, não é mesmo?

Outro jornalista que respeito muito e que prestou homenagens a Alberto Dines foi o Ricardo Kotscho. AQUI é possível ler o texto dele. Esta matéria da Agência Brasil traz um resumo biográfico de Dines, para quem não conviveu tão bem com ele quanto os jornalistas Kotscho e José de Souza Castro.

 

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Os 13 melhores livros para crianças de 0 a 3 anos

Em foto aos 2 anos e 4 meses, 59 livros e 12 CDs.

Uma das coisas que mais tento estimular, desde cedo, no Luiz é o prazer pela leitura. Sempre que cabe no bolso, compro um livrinho pra ele, e um de seus programas favoritos é visitar uma livraria infantil que existe aqui perto de casa e ficar por lá, vendo os livrinhos, mesmo que a gente não vá comprá-los.

Quando fizemos aquela mudança de casa, providenciei uma bibliotequinha em duas prateleiras da cômoda do quarto dele e, ao contar os volumes, fiquei surpresa ao constatar que já havia 59 livros e 12 CDs no acervo. Muitos dos quais herdados dos primos e tinha alguns até que eram da minha própria infância! Luiz ficou felicíssimo com a biblioteca e é sempre um dos lugares do quarto que gosta de mostrar para as visitas.

De novo, como sempre digo aqui no blog: este post não tem pretensão de bater martelos, é apenas a minha experiência. Não li todos os livros escritos para crianças de 0 a 3 anos no mundo para pinçar os 13 melhores; eu li os 60 exemplares da pequena biblioteca do Luiz, e elegi os 13 que mais marcaram seus 2 anos e meio de vida. Aí estão os nomes, em ordem cronológica, e os porquês:

Palavras – Pequena Biblioteca – Col. Meu Mundo de Palavras – Press, Little Tiger – Publifolha – R$ 32,90

Este foi o primeiro livro de que o Luiz gostou, ainda bem pequeno. E o primeiro que compramos para ele. Na verdade, é um box com quatro livretos, de muitas imagens e poucas palavras, além de páginas ultraduras: um sobre veículos, um sobre lanches, um sobre brinquedos e um sobre amigos. Esta mesma coleção também tem versões com outros tipos de vocabulários.

No Ritmo da Bicharada – Vale das Letras – R$ 53,08

Este foi o segundo a encantar o Luiz, também na fase do engatinhar. O livro traz melodias e 45 sons de instrumentos musicais, além de belas ilustrações de bichos em 5 habitats diferentes. Só acho que os sons poderiam ser um pouco mais longos do que são, mas o resultado, de toda forma, é muito legal.

 

Procure e Escute – Animais – ed. TodoLivro – R$ 32,90

Este livro, presente da amiga Carol, fez a festa do Luiz por muitos meses! Mostra cenas de bichinhos na fazenda, na selva, na mata, na savana e no fundo do mar. A criança aperta um botão, que vai ditando: “Encontre o polvo. Encontre a vaca. Encontre o jacaré.” E ele vai apertando no bicho correspondente, com um som indicando se acertou ou errou. Era divertidíssimo!

 

365 Histórias Encantadas para divertir e sonhar – ed. Culturama – R$ 15,92

Este livro, presente da amiga Paola, também fez os sonhos do Luiz por muitos meses. Antes de dormir, era tradição folhearmos as páginas em busca das ilustrações, principalmente do urso e do boi. Ele sempre gostou mais dos desenhos que das histórias, mas, se eu contasse histórias a partir dos desenhos, também estava valendo e ainda era uma maneira de estimular o amor pelo livro.

 

365 Histórias Para Ninar – Claire Bertholet, Sally-Ann Hopwood, Lenia Major, Jacques Thomas-Bilstein, Michael Espinosa e Claire Grémont – Girassol – R$ 53,90

Outro livro encantador de pequenos contos, com ilustrações muito bonitas, pelas quais adoramos passear nos minutinhos antes do sono.

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Razões para não ser privatista e moralista

Texto escrito por José de Souza Castro:

Leio hoje na “Folha de S.Paulo” que os acionistas da empresa telefônica Oi aprovaram em assembleia orçamento de R$ 74,6 milhões para remuneração de sua diretoria durante o ano de 2018, valor 73% maior do que o aprovado no ano passado. Tudo bem, se a Oi não tivesse decidido, em 2016, apelar à Justiça para tentar sobreviver ao elevado endividamento e estivesse agora em recuperação judicial com dívida de R$ 65 bilhões.

A Oi resultou do processo de privatização das telefônicas na década de 1990, pelo governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. E agora, no governo Temer, do MDB, se volta a falar de privatizações sob a alegação moralista de combate à corrupção. Como se não houvesse, como se depreende dessa decisão da Oi, corrupção no setor privado.

Na década de 90 ainda havia justificativa econômica para privatizações, o que não ocorre agora, como bem observa André Araújo, que faz um levantamento sobre a importância das estatais no mundo. O autor é advogado formado pelo Mackenzie. Foi diretor do Sindicato Nacional da Indústria Eletroeletrônica e da Associação Brasileira da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica, entre outros cargos. Atualmente, tem um blog no site GGN.

Os grandes alvos dos privatistas que atuam no Brasil, depois de perderem força no resto do mundo, são: Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, todas estatais que impulsionam o desenvolvimento econômico brasileiro. Juízes moralistas deram as mãos aos neoliberais, “para juntos liquidarem com as empresas estatais e venderem tudo o que o Estado criou a partir dos anos 50”, lamenta André Araujo, para quem as prioridades e os desafios de hoje são diferentes daqueles da “Era Thatcher”.

Que acabou, “mas esqueceram de avisar aos privatistas brasileiros”.

O autor observa que 13 das vinte maiores empresas de petróleo do mundo são estatais que detêm 91,4% das reservas mundiais, como a Statoil da Noruega, e as quatro primeiras petroleiras no ranking das 20 maiores: Sinopec, China National Peroleum, Saudi Aramco e Petro China.

Todas de olho no petróleo do Pré-Sal brasileiro.

“Na Europa, grandes empresas estatais são eixos da economia de países ricos e de economia solida”, diz Araujo. Mesmo grandes multinacionais privadas têm forte participação do Estado, caso da Renault.

Na relação de empresas estatais europeias, ele cita a Électricité de France, a italiana ENEL, a francesa SNCF, a alemã Deutsche Bahn e a italiana FS, dos setores elétrico e ferroviário. “O padrão das ferrovias por toda a Europa é de empresas estatais, assim como bancos, empresas de energia e de telecomunicações; na Suécia são 49 empresas estatais com valor de mercado de 60 bilhões de dólares, submetidas ao Serviço Nacional de Auditoria, padrão de referencia no mundo”, diz André Araujo.

O governo francês controla, em conjunto com Itália, Espanha e Alemanha, o Airbus Group, segunda maior empresa aeronáutica do mundo. Também é estatal a RAI, maior rede de televisão e rádio da Itália. “França e Itália têm larga tradição de grandes e eficientes empresas estatais como eixo da economia”, assegura o autor.

Na Alemanha, diz Araujo, o Estado da Baixa Saxônia controla a Volkswagen, enquanto o Estado federal alemão comanda a Deutsche Telekon, grande empresa de telecomunicações  com forte participação na British Telecom. É também dono do banco de fomento KfG, financiador de exportações alemãs, enquanto estados federados controlam 11 bancos regionais importantes para a economia alemã. Continuar lendo

#Playlist: a trilha sonora do festival de blues de Rio das Ostras

Vanessa Collier é esta detonando no sax!

Pensa só. Fã de blues como eu sou, e nunca pude ir ao maior festival de jazz e blues do país, o de Rio das Ostras. Geralmente ele era em agosto, se não me engano, quando eu nunca estava nem de férias nem de folga. Neste ano, em sua 15ª edição, o evento vai acontecer no feriado de Corpus Christi: daqui a pouco, entre os dias 31 de maio e 3 de junho. Adivinha só… também não vou poder ir.

E a organização chamou muita gente fera para tocar em 2018, viu. A programação já inclui, de cara, três blueseiros brasileiros das antigas, de quem sou muito fã: o gaitista Jefferson Gonçalves, o guitarrista Igor Prado e Big Gilson, que era da ótima banda Big Allambik.

Além deles, estarão lá, entre uma porção de gente legal, o guitarrista de Chicago Stanley Jordan, acompanhado de Armandinho, e a saxofonista Vanessa Collier, que adorei conhecer agora, enquanto montava esta playlist.

Sim, porque, se eu não vou poder ir ao festival, que ele venha até minha casa. Se você puder ir, vá! Rio das Ostras eu já tive o prazer de conhecer e, só pelas praias, já valeria a visita. Com música boa – e gratuita –, então, nem se fala. Mas se você estiver na mesma que eu, aproveite para curtir as músicas do pessoal que vai se apresentar por lá, e que reuni aí embaixo em uma playlist de 55 minutos de duração:

 

 

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Em 2 anos de governo Temer, estimados 730 retrocessos

 

Quando o (des)governo de Michel Temer completou um mês de existência, eu tinha conseguido colecionar uma lista com 30 retrocessos. Um por dia.

Agora ele completa dois anos de existência e, é claro, fui obrigada a desistir, há tempos, de acrescentar retrocessos à minha lista – ou eu não faria mais nada da vida. Se tivesse continuado, era provável que o ritmo fosse o mesmo, e hoje tivéssemos bem uns 730 descalabros pra contabilizar.

Aí vem o sujeito na maior cara de pau, mal orientado por uma equipe de marqueteiros bem ruim de serviço (e de gramática), e tenta se comparar a Juscelino Kubitschek, com seu famoso slogan “50 anos em 5”. Foi tão tosca a ideia que logo virou piada: todo mundo tirou a vírgula do “Brasil voltou, 20 anos em 2” e o slogan apenas serviu pra desenhar o que todo mundo já sabe: houve retrocesso, e dos bravos.

Todo mundo já escreveu um bocado sobre isso nos últimos dois dias e eu não faria o mesmo, mas gostei tanto do texto zangadíssimo de Ricardo Kotscho que resolvi compartilhá-lo por aqui. Dois trechinhos:

“Só pode ser delírio querer vender a ideia de que o Brasil voltou aos bons tempos nas mãos desta gente corrupta e medíocre, que destruiu os direitos sociais, concentrou a renda, aumentou a mortalidade infantil, fez o brasileiro voltar a cozinhar no fogão a lenha, aumentou o número de desempregados para 14 milhões de trabalhadores e não passa uma semana sem ser ameaçado por novas denúncias.”

“Nesta volta ao passado que o período Temer representou, vai levar bem mais de 20 anos para o Brasil recuperar a confiança e a auto-estima, recuperar os alicerces de um país democrático e o respeito do resto do mundo.”

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

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