A novela para tirar o RG do meu filho (mas é importante tirar!)

Confesso que eu nunca tinha nem pensado em tirar o documento de identidade do Luiz até eu ler a reportagem de capa da revista “Canguru” de abril, assinada pela jornalista Luciana Ackermann. Sempre achara, até então, que uma boa idade para fazer o documento de identidade era lá pelos 12 anos, quando a criança já começa a ganhar o rosto que carregará por toda a vida, além de uma assinatura razoável. (Foi a idade em que eu fiz meu RG, e só porque o curso de natação tinha exigido na hora da matrícula.)

Mas a reportagem da Luciana, cuja leitura recomendo fortemente para todos do universo, com ou sem filhos, é sobre o drama do desaparecimento de crianças em todo o mundo, inclusive no Brasil. Uma criança some no país a cada 15 minutos – isso segundo dados subnotificados. É um verdadeiro surto, uma epidemia que o filme “Lion” já tinha retratado à sua maneira. E, embora o problema tenha causas amplas e complexas demais para ser resolvido de uma hora pra outra, vários especialistas disseram que existe uma medida simples, que cabe às famílias fazer, e que ajuda a reduzir os riscos dos pequenos: fazer o RG deles desde bebês. A impressão digital se manterá idêntica até o fim da vida e o RG é um documento com foto, portanto muito mais seguro que uma certidão de nascimento. Mais tarde, será preciso tirar novo RG, com foto atualizada e contendo assinatura, mas o primeiro documento do bebê já terá cumprido seu valioso papel ao longo de toda a infância.

OK, dito isso, passei o mês de abril inteiro angustiada para achar um horário para levar o Luiz para tirar o RG dele. E é só agora que começa minha novela.

Cabe ressaltar que as experiências abaixo foram as que eu vivi, em Belo Horizonte, e podem ser bem diferentes das que você viveu ou viverá. E que nem toda a trabalheira e incompetência do mundo deve nos fazer desistir de tirar o RG dos filhotes. No final, os percalços terão valido a pena!

1. A ilusão

Entrei no site do governo para saber o que é necessário para tirar a primeira via do documento. Descobri que basta levar a certidão de nascimento original, duas fotos 3×4, o número do CPF do pequeno (que hoje já é gerado junto com a certidão) e o RG do pai ou da mãe que acompanhar a criança no dia. E que é possível agendar o dia e horário para fazer o procedimento. “Que bacana!”, pensei. Prático demais, só chegar e ser atendido na hora. Conveniente também pra quem tem uma criança de 2 aninhos a tiracolo, certo? Bom, fiz o agendamento para o dia seguinte.

2. O estresse

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