Que tal fazer um álbum de fotografias para cada ano de vida do seu filho?

Nove mil quinhentos e noventa e quatro.

Essa foi a quantidade de fotos e vídeos – principalmente fotos – que fiz do (ou com) o Luiz desde que ele nasceu, há 2 anos e 5 meses.

Uma média de 11 cliques por dia.

Se Caetano perguntava, já em 1968, “quem lê tanta notícia?”, eu pergunto hoje: “Quem vê tanta foto assim?”

É irresistível e extremamente fácil sair registrando todas as caras e momentos fofíssimos dos nossos filhos, mas é muito difícil ter tempo para rever essa tonelada de imagens depois. E, mesmo se houver esse tempo, há sentido nisso? Às vezes eu penso que essa banalização da imagem só serviu pra uma coisa: desvalorizar a fotografia. A gente passa o dia inteiro deslizando o dedo na tela do celular, vendo fotos e mais fotos, e não conseguimos nem escolher uma única para eternizar num porta-retrato.

Eu posso estar ficando velha, mas me assusto com esses momentos de agilização do tempo e banalização das coisas, que vêm no mesmo pacote da ultratecnologia. Sinto saudades de sentar no sofá, pegar um álbum de fotografias, e ir passando as páginas calmamente, olhando os detalhes, lendo as observações escritas a caneta, dizendo quem é quem, onde foi tirada a foto e por quê.

Queria poder eternizar a infância do Luiz, e não afogá-la em mil cliques sem sentido. E foi com isso em mente que Continuar lendo

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