Como o lucro do maior banco privado brasileiro cresce em meio à crise

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, lucrou no primeiro trimestre deste ano R$ 6,4 bilhões. Em 2017, o banco já registrara lucro recorde de R$ 24,87 bilhões, dos quais R$ 17,6 bilhões (70,6%) foram distribuídos às famílias dos controladores, que se preparam para receber neste ano, pelo andar da carruagem, mais R$ 9 bilhões de dividendos. O Conselho de Administração aprovou em 2017 a distribuição mínima de 35% do lucro aos controladores.

Números que mereceram excelente análise, AQUI e AQUI, feita pelo diretor de redação do “Jornal do Brasil”, Gilberto Menezes Côrtes. Não perguntem quanto essas famílias pagaram de Imposto de Renda sobre tais dividendos. Até onde sei, muito pouco – ou nada. Como lembra Côrtes:

“A fusão entre Itaú e Unibanco foi alvo de autuação da Secretaria da Receita Federal em 2012, com cobrança de R$ 11,847 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,867 bilhões em Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL). Atualizada, a multa iria a R$ 26 bilhões. Mas o banco conseguiu vencer no julgamento do recurso no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em abril de 2017. Livre do encargo (ainda objeto de recurso da Fazenda Nacional) o Conselho de Administração decidiu pela farta distribuição de dividendos acumulados.”

Bancos e seus donos têm meios e meios de se livrarem da pesada carga tributária que recai sobre os demais brasileiros. E meios e mais meios para evitar que se altere a injusta tributação que se pratica no Brasil desde tempos imemoriais.

Como o Itaú e seus comparsas conseguiram aumentar seus lucros em plena crise brasileira? Como obter 22,2% de lucro sobre o patrimônio, mesmo tendo emprestado menos nos primeiros três meses deste ano? Os lucros aumentaram, mas as aplicações do Itaú encolheram 0,6% em 12 meses…

Côrtes tem algumas explicações. Uma delas: “A queda nas operações às grandes empresas foi de 8,3%. O Itaú aproveitou para limpar a inadimplência do banco de varejo no Brasil  e reduziu em  23,8% as provisões para devedores duvidosos, que caíram de R$ 5,392 bilhões, em março de 2017, a R$ 4,111 bilhões em março deste ano. Só no primeiro trimestre, a queda foi de 8,3%.”

Outra: “Aproveitou a redução de 2,4% no custo da captação centrando operações mais rentáveis em pessoas físicas (+6% de crédito), enquanto as pequenas, micros e pequenas empresas tiveram oferta 5,2% maior. Nas pessoas físicas, que concentraram 42% dos créditos (39,8% em março de 2017), as maiores expansões foram em cartão de crédito (15,6%), crédito pessoal (4,2%) e o crédito imobiliário (4,3%).”… “O avanço sobre os clientes pessoas físicas vem acompanhado do aumento da renda das tarifas de serviços (8,7%, contra inflação de 2,68%), enquanto as rendas de operações financeiras aumentaram 8,9% no mesmo período”.

Sou cliente do Itaú desde 1993, quando passei a trabalhar como repórter na sucursal do Globo, que fazia o pagamento da folha de pessoal na agência Savassi. Continuei lá por inércia. É onde recebo a aposentadoria pelo INSS. Para manter a conta, o banco me cobra mensalmente mais de 70 reais. Multiplicando o valor pelo número de clientes, não é pouco. (Quanto, nem o Leão da Receita Federal deve saber.) Daí que a tarifa vem crescendo bem acima da inflação – como o lucro do Banco. Em janeiro de 2017, por exemplo, paguei 40 reais.

Ou seja, também sou culpado pelo exorbitante lucro dos donos do banco. E não posso nem reclamar com o bispo, pois ele nada pode fazer…

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