Moral da história

Quero compartilhar com vocês meu lado mau:

lembram do proprietário do meu antigo apartamento, que, ao renovar o contrato, pediu o DOBRO do valor do aluguel? O dobro, com a cara mais lavada do mundo? Para esta pessoa que vos escreve, cujo salário NÃO dobrou? Pois bem: passado mais de um mês depois que saí de lá, ele ainda não conseguiu alugar pra ninguém! Huohuohuohuohuohuo! ( = risadinha malevóla) E digo mais: espero que fique MESES com o apê às moscas, perdendo dinheiro, até se ver obrigado a abaixar o aluguel! Huohuohuohuohuohuo!

***

Ok, vou me recompor agora. Mas é sério: não desejo as melhores coisas do mundo a pessoas gananciosas e exploradoras assim, não. É graças a elas (e a imobiliárias incompetentes) que está se formando essa bolha no Brasil desde o segundo semestre do ano passado (mais precisamente em Beagá e em São Paulo). O lado bom é que, graças a elas, pude mudar para um apartamento ainda melhor. Como diz aquele sábio ditado, há males que vêm para o bem.

E essa história toda me lembrou outro ditado, que aprendi quando eu ainda era criança e, nas férias de julho, frequentava a roda de um contador de histórias de uma biblioteca pública perto de casa. Ele era ótimo!

Esta fábula me marcou muito nos meus 8 ou 9 anos. Vou contar para vocês a partir da minha memória fraca:

Era uma vez um pescador paupérrimo, casado com uma lavadeira muito gananciosa.
Um dia ele foi pescar e deu a sorte de pegar um peixe enorme, gigante mesmo, quase do tamanho de uma baleia.
Ele ficou todo feliz pensando que poderia levar aquele peixão pra casa e ter fartura de comida por várias semanas ou meses. Sua mulher nem acreditaria quando chegasse!
Foi aí que, surpreendentemente, o peixe falou!
Ele quase caiu pra trás, mas o bichão estavam falando mesmo. E dizia: “Homem de bem! Sou um peixe mágico! Se você me soltar, prometo realizar um sonho seu! Basta acreditar em mim e seu desejo se realizará!”
O pescador, que tinha mesmo um bom coração — e estava com medo, obviamente –, soltou o peixão e foi para casa, sem saber se tinha tomado a melhor decisão.
Lá chegando, ele encontrou, no lugar do casebre de papelão, uma casinha simpática, feita de tijolos, confortável e aconchegante.
A mulher estava exultante e quis saber o que tinha acontecido. Mas, quando ele disse que tinha sido atendido por um peixe mágico, ela cobrou: “E você só pediu isso? Volte lá agora mesmo e peça uma casa maior!”
Ele, que além de bonzinho era pau mandado, obedeceu. Chegando ao mar, chamou pelo peixão e explicou a ele a situação. O peixão cedeu.
Ao voltar para casa, encontrou uma mansão de dois andares, com piscina e carro na garagem, daquelas que o Faustão sempre sorteia. Um caminhão de móveis também tinha passado por ali. A esposa estava bem vestida, parecia outra pessoa.
(E assim vai indo a história, com aumento gradual da riqueza do casal, sempre a partir dos delírios da ex-lavadeira, como vocês já devem ter entendido.)
Até que uma hora ela soltou esta: “Ora essa! Se o peixe é mágico, e você ainda lhe salvou a vida, podia te pagar direito, né! Quero um travesseiro de penas de ganso! E jóias, muitas jóias! Quero mais imóveis, uma casa nos alpes!”
E o pescador voltou e encontrou o peixão e o mar estava cinza ilustrando a braveza com que o peixão foi ficando! Aliás, cinza era antes — agora o mar estava vermelho como sangue! E o pescador, humildemente, relatou as novas exigências da mulher. O peixão bufou e bradou: “Tudo bem, homem do bem! Vá para casa e, de novo, encontrará o que me pede!”
Quando o pescador lá chegou, ficou abismado: o que via era o mesmo casebre de papelão em que morava antes, quase sem móveis. A esposa lhe apareceu maltrapilha, vestindo os trapos de antes. Estava possessa: “O que aconteceu com aquele peixe louco? Pifou?? Volte agora mesmo lá e diga a ele que é bom devolver tudo, ou será pescado de novo!”
Confuso, o pescador voltou ao ponto de sempre e chamou seu peixão como aprendera antes (com alguma frase que me escapa nesta contação malfeita). Um redemoinho surgiu do mar, revoltadíssimo, vermelhíssmo, cinzíssimo, um vendaval quase arrastou o pobre homem para fora do barco, uma nuvem de areia se formou na praia e um vozeirão ecoou, qual trovão:
Quem tudo quer, tudo perde!

Moral da história: vai dobrar o aluguel da sua AVÓ! 😛

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12 comentários sobre “Moral da história

  1. Lembro-me dessa situação, e na ocasião também lancei umas pragas no caboco, que chamei de senhoria (nominho feio, sô), exatamente pela ganância. Pois bem, moral da história, ele pedeu 100% do que recebia, e você ganhou com o novo ap. Também não sou de desejar mal aos outros, mas tenho muita má vontade com gananciosos que se aproveitam de situação privilegiada.
    Abraços, Cristina. rsrs

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  2. kkkk Gostei dessa praga derradeira. Mas aplica-se até àqueles que você deu o pé-na-bunda? Esses, tadinhos, já têm uma cruz louca de grande pra carregar ( a fila andor pra eles); melhor praguejar só contra os que pediram demissão, né não?
    Contra estes, acho bem razoável. rsrs
    Abraços, Cristinas. rsrs

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  3. Então vamos concentrar a praga nesse danado, que não encontre novo amor dentro dos próximos oitenta anos, a não ser que reconheça a bobagem que fez, volte arrastando, peça perdões e mais perdões, sofra muito e jamais torne noutra.
    Tá bom assim?
    Parece justo, né?

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  4. Pronto. Sentença consensual bem dosada, passemos a fase da execução da sentença, que consiste em mentalizar a praga decretada, pelo prazo de oitenta anos, em regime semi-aberto, sujeita a suspensão, caso um novo amor cure e compense todos as dores advindas.
    Já tô com um tico de dó do pobre.
    rsrsrs

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  5. Decisão sobre o agravo de declaração oposto: A execução da sentença só será suspensa em caso de reconhecimento da bobagem e, nos estritos termos do decisun das 20:53, de 03/07/2011, ou encerrar-se-á com o cumprimento total da pena de 80 anos, em regime fechado, sem direito à progressão de regime.
    rsrsrs

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