Tributo ao Affonsinho, um músico do Bem

Ontem falei que o que me atraiu instantaneamente à Banda Mais Bonita da Cidade foi o clima bom da música, que remete a um estado de espírito agradável.

Pois bem, essa é a mesma filosofia do meu cunhado e um dos melhores guitarristas do Brasil, o músico Affonsinho.

Em seus CDs de MPB/bossa nova/samba, as letras sempre remetem a imagens positivas, do bem, alegres, para cima. Isso é perceptível em todas as canções.

Na música “Cê viu só”, por exemplo, tem o trechinho: “Cê viu só, coração, que tudo tem jeito / Deixa o sol descer do breu / Bagunçar você e eu”

E olha o jeito quase infantil de falar do fim de uma fossa:

“Meu bem ‘cê jogou fora o meu carinho
Mas eu peguei de volta ele no chão
Botei no sol, tirei o pó
Limpei, lustrei, poli, deixei ali
Até que um dia vi que não
Achava mais você no meu coração
Porque ‘cê me mandou catar coquinho
Mas eu não fui catar coquinho não
Passei no meio de um toró
Olhei, espirrei, tossi, mas fui por aí
Com um pé no céu e outro na mão
Caí noutra paixão e agora
sei de nada não…”
E olha que gracinha é a música em homenagem à minha sobrinha:
“De manhãzinha tagarela a borboleta
não deixa o sol perder a hora e o blá-blá-blá
O galo nem cocoricou sua corneta
mas pras asinhas dela
o dia é um relógio de brincar”

E a nuvem boa romântica:

“voa, nuvem boa
fly me to the sweet moon
on a toy ballon, num vento à toa
nuvem boa
que me leva
no colo que você me dá”

Mineiros geralmente conhecem bem o Affonsinho, que toca em várias rádios, fez releituras da nossa Clube da Esquina, escreveu o primeiro sucesso do Skank, ganhou prêmios, teve várias bandas de blues e hoje toca mais sua bossa-samba-pop.

Cariocas também conhecem e até os japoneses, porque os CDs já chegaram lá do outro lado do mundo. Já os paulistanos, inexplicavelmente, não dão espaço nenhum a ele nas rádios e nos jornais, mesmo com um trabalho reconhecido em todo lugar. Parece que tem que tocar em novela da Globo pra dedicarem páginas como fazem com a Maria Gadú (:???:), Mallu Magalhães (:???:) e outros “fenômenos” (já disse que gostam dessa palavra, né?) por aí.

E não é porque é meu cunhado que fico puta com isso, não. É porque isto:

E isto:

E isto:

E isto:

Ele não chegou nessa vida de músico ontem, mas há 31 anos (quando fundou o Hanói Hanói). Quem quiser conhecer mais sobre seu trabalho, pode ver AQUI, AQUI ou AQUI.

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