Duas noites seguidas de insônia merecem um poema

Noite em Cavernas

Tem restos de pensamentos

em todas as minhas noites.

 

Aqueles que aconteceram e os que eu

martelomartelomartelo

incoerentemente

irritantemente

como um futuro planejado

ou no desejo de um passado.

 

Meus sonhos têm cheiro real

e a umidade do ar me abafa

em cavernas gotejantes

do meu labirinto particular.

 

Nascem problemas miúdos

estalagtiticamente,

tornando as passagens mais densas

e impenetráveis.

 

Quero dormir, na paz dos burros

e dos sem criatividade.

Mas nascem idéias,

poemas, situações novas para o

filme da minha vida,

que roda desde que sou

uma pessoa sem contas para pagar.

 

São os ratos do dia,

aqueles que ficam

roendoroendoroendoroendo

uma carcaça infindável, que só

se esvai na noite, depois que o

limite entre a insônia e

a morte dos ossos

torna-se insuportável.

 

A noite tem um ponto,

ainda não desvendado,

em que cai num buraco:

os ratos dormem,

os martelos cessam de bater.

O meu corpo morre,

temporariamente,

prevendo as erupções da noite seguinte.

(06/12/2004)

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