Pequena revolução no refeitório

Achei o relato abaixo muito legal e faz parte daquilo que vivo defendendo que existe e sobre o qual já prometi um post específico várias vezes: as chamadas “pequenas revoluções” (tipo esta, esta e esta).

Quem me enviou o texto foi meu amigo Leonardo Kenji e só o reproduzo porque o autor Bruno Brambilla Belo autorizou que ele publicasse no blog dele — e já está lá.

Vejam só:

“Há um tempo atrás eu escrevi pra vcs perguntando o que fazia com um crachá, que eu havia “pêgo emprestado”, de uma pessoa que tinha usado pra guardar uma mesa numa praça de alimentação, lembram-se? A pessoa vai comprar comida e deixa o cracházão em cima da mesa, ocupando um lugar vazio, pura e simplesmente pra “guardar lugar”.
Eu ficava emputecido com isso e por várias vezes peguei o crachá do indivíduo e sentei no local que ele havia guardado. Quando a pessoa chegava ela me perguntava “tinha um crachá aí?!” e eu “não, o lugar estava vago”. Problema resolvido, eu levava o crachá embora, quebrava e a pessoa não me enchia o saco pq não tinha como provar que tinha sido eu que tinha pego.
Até que, num belo dia em que eu estava de muito mal humor e num espírito-de-porco fudido, eu resolvi pegar o crachá e entregar na mão de um funcionário da praça de alimentação, ficar no lugar e quando a pessoa chegasse falar pra ela “entreguei na mão do funcionário”.
E foi exatamente isso que eu fiz, peguei o crachá, dei na mão de um funcionário, sentei no local e foda-se a pessoa que estava lá. A pessoa chegou e o diálogo foi mais-ou-menos assim:
— Tinha um crachá aí?
— Tinha sim.
— Onde ele está agora?
— Dei na mão de um funcionário.
— POR QUE VC FEZ ISSO?!
— Eu não sabia de quem era.
— TODO MUNDO FAZ ISSO!
— Não tenho culpa se todo mundo é mal educado.
— EU VOU CHAMAR A POLÍCIA!
— Fique à vontade.
— NÃO ERA PRA VC TER TIRADO O CRACHÁ DAÍ!
— Vc teve sorte que eu não peguei pra mim.
E essa conversa continuou, a mulher esbravejando e eu, calmamente, falando que isso não era problema meu e sim dela. Ela esbravejou muito mas muito mesmo e ficou procurando o crachá, sem sucesso. E eu falando calmamente, sem levantar a voz, sem gritar nem nada. Enfim acabou que eu acabei de almoçar e ela ainda estava lá, esbravejando, xingando, reclamando, procurando o crachá com os 200 funcionários do shopping.
Eu ri. Muito. Muito mesmo.
Isso tudo em 29 de abril de 2011.
Eis que, semana passada, eu fui lá no Center 3 de novo e vi um adesivo colado em todas as mesas, o adesivo que segue no anexo [abaixo].
VICTOLY!
Moral da história: ser filhodaputa pode ser útil pra sociedade.”

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