Não veja: olhe. Não ouça: escute.

Para pegar na locadora: QUASE FAMOSOS (Almost Famous)

Nota 10 – crítica escrita em 19/02/2002

Quase Famosos: um dos filmes mais completos que já vi. Agrada, diverte e comove os que não gostam de música; faz um pouco mais aos que gostam e verdadeiramente empolga os fãs do Rock.

Cameron Crowe se superou. Neste filme ele misturou suas experiências próprias, seu talento como escritor precoce e seu gosto musical. Conseguiu fazer o que muitas pessoas talvez já tenham tentado: criar uma obra tão prima que não é só para ser vista, mas olhada. E não pode ser só ouvida, mas escutada.

Isso não seria possível se os atores não tivessem sido tão bem escolhidos. Patrick Fugit fez o garoto de 15 anos que bem pode ter sido o Crowe mais jovem, que acompanhou uma turnê do Led Zeppelin. Kate Hudson fez a fã que segue seus ídolos por gostar de verdade de cada música deles, não por tietagem. A atriz foi perfeita e misteriosa. Jason Lee foi um vocalista típico de bandas de rock e atuou bem demais ao lado de Billy Crudup, o apaixonante guitarrista da banda StillWater. Para completar, a experiente Frances McDormand. Uma coisa é certa: não teve um único ator que não tenha convencido do início ao fim. A banda inteira teve aquele ar de jovens “quase famosos”, idealistas e que querem curtir a vida. O garoto carregou consigo aquela cara de “descoberta”. Todos representaram um mundo, à sombra do espírito do Rock em seu auge.

E, para dar todo o clima de um filme desse nível, a trilha foi indispensável. A década de 70 é retratada com todos os grandes nomes da música. Para terem uma idéia: The Who, Black Sabbath, Beach Boys, Neil Young, Deep Purple, Lynyrd Skynyrd, Jimi Hendrix, David Bowie, Cat Stevens e Stevie Wonders. Além destes, há aquela inesquecível cena dos músicos cantando “Tiny Dancer” do Elton John e no mínimo cinco músicas do Led Zeppelin. Tem a cena no carro, com a clássica “Misty Mountain Hop” deles, e várias vezes podemos sentir o solo tão lindo de “The Rain Song”. É um dos poucos filmes em que podemos assistir a tudo de olhos fechados e sorrindo…

Agora as cenas: uma das mais divertidas é a das confissões no avião (que o trailer estraga). Mas também tem a no aeroporto, do grupo cantando no ônibus, dos enormes olhos da irmã se despedindo, do disco no som, da imagem de “Plant” chapado num telhado, dos shows… Se você tiver pegado o DVD, não deixe de ver as cenas deletadas. Uma das melhores do filme, apesar de não incluída, é um pedaço em que o garoto tenta convencer sua mãe a deixá-lo viajar e apresenta para ela o clássico “Stairway to Heaven”. Ela acaba convencida, claro; coisa que não tinha sido mostrada e deixara um vácuo na tela. De todo modo, me identifiquei nos personagens que tocam uma bateria invisível e arranham uma guitarra inexistente cada vez que são envolvidos por essa melodia contagiante.

É tudo encantador, numa historinha que é no mínimo rica. Se o filme não serve para mostrar que o que é bom é atemporal, ele mostra com certeza que o que é bom pode ser muito bem resumido em duas horas. Pelo menos se o que é bom for arte.

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8 comentários sobre “Não veja: olhe. Não ouça: escute.

    • Pois é! E quando eu escrevi esse texto (repare que eu tinha 17 aninhos… meu deus!, quase nove anos atrás 😦 ), era ainda mais viciada em Rock, então me arrepiava de ver esse filme! Depois acabei ganhando ele (em VHS) de presente do site Fulano, onde eu postava essas críticas, a melhor coincidência 🙂

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  1. Eu também adoro esse filme !
    A trilha é realmente fantástica. Acho que gosto de tudo que toca no filme. rsss
    Gosto da parte da turbulência, onde cantam Peggy Sue do Buddy Holly, mesmo que essa passagem seja referência a um ícone que morreu justamente em um acidente aéreo.
    Parabéns pela crítica, principalmente considerando que você tinha apenas 17 anos.
    Bjos

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