Blogs legais!

Desde que criei esta jocinha, vocês podem encontrar aí ao lado, na coluna da direita, uma lista de blogs que recomendo. Acrescentei alguns no meio do caminho, talvez tenha tirado outros e certamente esqueci de muitos. Mas o importante é que todos os que sobreviveram são legais e valem a visita.

Finalmente agora tirei um tempinho para colocar a descrição de cada um deles. Assim, quando vocês passam o mouse sobre um link, saberão previamente se interessa visitar aquele lugar.

Hoje resolvi visitar todos eles e selecionar alguma coisa legal para que vocês sintam vontade de espiar.

Na ordem:

O pacotão da Dilma para ajudar pessoas com deficiência, no blog Assim como Você.

A análise do Balaio do Kotscho sobre a crise do CNJ X STF.

O risco que corre a Serra da Gandarela, segundo o Boletim Mineiro de História.

Dos Cadernos de Saramago, uma pérola por dia:

Estava só. O cigarro ardia lentamente entre os dedos. Estava só como três anos antes, quando conhecera Paulino Morais. Acabara-se. Era preciso recomeçar. Recomeçar. recomeçar…
Devagar, duas lágrimas brilharam-lhe nos olhos. Oscilaram um momento, suspensas da pálpebra inferior. Depois, caíram. Só duas lágrimas. A vida não vale mais que duas lágrimas.

Não-soneto da amora, no Correndo risco de vida:

de tudo, ah minha amora, serei atenta
antes naquele instante em dezembro
e, pela tarde que cai junto à tormenta,
ei de amá-la uma infinitude
ei de achá-la no esquecimento
engasgada no pranto,
ah, minha amora, que eu a tenha,
mais do que quero, avessa a este momento.

Paris debaixo d’água, do Desculpe a Poeira:

Se o governo tivesse boas políticas para qualidade do ar, economizaria alguns bilhões de dólares no sistema de saúde, diz Sérgio Abranches, do Ecopolítica.

Fiúme tem um bom olhar pras pechinchas:

Jaime Guimarães, eterno Groo, sempre se lembra do genial Stanislaw Ponte Preta:

Alice diz: “Apenas faça.” E com drama e humor:

Liniers e seu Macanudo é genial:

Mas genial mesmo é o Laerte, o minotauro:

Ótimos artigos do meu pai, no blog do Massote.

A dança de Penny Lane, do blog da Ju Granjeia:

Takata realmente discute o aborto.

Um pequeno desafio literário no blog Novo em Folha.

Uma poeminha no blog do jornalista e poeta Talis Andrade:

Assim como a chita barata
que vive a efemeridade
de suas cores
Sigo aproveitando a luz
e expondo minhas flores
Antes que o tempo
que o sol
ou uma moça alheia
me rasgue sem vontade
e eu desbote
e fique feia.

Olhem o que achei no blog Pelo Mundo (faltou a apple dos Beatles!):

De tudo um pouco, desde que em São Paulo (ou geralmente), no Pseudopapel.

Graaaande Savage Chickens!

Coisas que nunca me disseram mas eu aprendi (e todas valem!):

Homenagem ao Juca Kfouri no blog do amigo Tadeu Galiza:

Gaitinha das boa no blog Talk is Cheap, do blueseiro Kenji:

Críticas de filme e livro, crônicas, contos e bela homenagem, na Velha Margem do Matheus.

Outro gênio, o XKCD:

Por fim, apesar de ter saído da ordem alfabética, a homenagem do dia, feita pelo Um Sábado Qualquer (crônicas de deus em pessoa):

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Os 50 dias que justificam os 500

Para pegar na locadora: 500 DIAS COM ELA ((500) Days of Summer)

Nota 7

A Talita me indicou alugar o filme “500 Dias com Ela” e escrever sobre ele aqui.

Tendo em vista o poema que escrevi ontem, não sei se fiz bem ou mal de assisti-lo hoje. Mas, enquanto escrevo este post, vou pensando melhor a respeito.

O filme mostra a relação entre Summer (Zooey Deschanel, os olhos grandes de Quase Famosos) e Tom (Joseph Gordon-Levitt, de A Origem). Ela, uma menina independente e moderna, que morre de medo de relacionamento e não quer se envolver seriamente com ninguém. Ele, um romântico, que pensava ter encontrado a mulher de sua vida.

(Parêntesis: alguém mais já deu uma de Tom com algum homem-frango à la Summer, ou sou só eu?)

Um dos diálogos que mais fizeram sentido em todo o filme foi o seguinte, transcrito de memória:

“Tom: Preciso de algo mais consistente (do que só a amizade colorida).

Summer: Eu sei…

Tom: Preciso saber que você não vai acordar no dia seguinte sentindo outra coisa por mim.

Summer: Eu não posso te dar essa garantia… Ninguém pode.”

É isso, gente. A vida é um barco sem garantias. O amor e os relacionamentos são só parte do risco. Não há como impedir que alguém simplesmente acorde um dia sem sentir mais o que sentia antes. Sem rir das piadas que antes agradaram tanto. (O que me remete à música mais triste do mundo, na versão mais triste feita para ela até hoje.)

Acontece, com todos nós, e às vezes fazemos o papel do Tom, às vezes o da Summer, mas inevitavelmente em algum momento da vida deixamos de sentir a mesma coisa por alguém e não há o que o outro possa fazer a respeito disso.

Dito isso, acrescento outras coisas que andei aprendendo: nessas horas o velho ensinamento do “Pequeno Príncipe” é muito sábio e faz muito sentido. Somos responsáveis por aqueles que cativamos. Portanto, por mais que você tenha acordado e descoberto que não gosta mais do seu antigo amor, você precisa entender que ele ainda gosta de você. Respeitar o sentimento dele. Ter paciência. E tentar ajudá-lo a sofrer menos (nisso não se inclui arrastar o relacionamento, porque fazer isso é covarde e ainda mais cruel com os dois).

Ah, sim, porque o sofrimento é inevitável. É a tal dor mais doída do mundo de que escrevi ontem. E só o tempo, ou outra atividade intensa (muito trabalho, mudança de ares etc), ou outra paixão podem ajudar alguém a curar essa dor.

Enquanto estamos vivendo a fossa que o Tom vive, a dor doída de ver a outra pessoa seguindo a vida como se você nunca tivesse existido ou importado, geralmente ficamos martelando apenas as boas lembranças sobre aquela pessoa, martelando que era “the one”, a perfeita para você. É uma pena que seja assim, porque isso só torna a fossa muito mais longa e sofrida.

Só depois de muito tempo é que é possível olhar para aquela pessoa com a serenidade e a sobriedade das lembranças realistas, que incluem os bons e maus momentos vividos juntos. É só nessa fase que, talvez, possa ser possível voltar a ser amigo de um ex. Voltar a torcer para que ele seja feliz, mesmo que com outras pessoas.

Uma coisa é certa: não há o que se fazer quanto a nada disso, a não ser viver, experimentar essas coisas. Uma fossa nunca será menos doída por ser a décima oitava fossa: todas elas doem, mesmo quando você tem 12 anos de idade. A dor é proporcional à importância que a pessoa teve para você e ao quanto ela te fez mal depois, por não ter levado em conta a sabedoria do Pequeno Príncipe.

Mas nada substitui a alegria dos bons momentos, como na cena do filme em que o Tom sai cantando pela rua, dançando, cumprimentando todo mundo, com passarinhos animados, quando ele finalmente consegue ficar com Summer: é a leveza da alma de quando finalmente conquistamos alguém, é aquela nossa vontade de dançar sozinhos e de assobiar Singing in the Rain.

Se eu queria nunca ter vivido uma fossa na vida? Não. Porque isso significaria nunca ter sentido a leveza anterior, a alegria pura do amor correspondido, mesmo que ele tenha durado alguns dias, ou meses, ou muitos anos. Esses breves momentos (uns 50 dias, em 500?) justificam toda uma vida, e só acontecem porque estamos bem vivos.

Não veja: olhe. Não ouça: escute.

Para pegar na locadora: QUASE FAMOSOS (Almost Famous)

Nota 10 – crítica escrita em 19/02/2002

Quase Famosos: um dos filmes mais completos que já vi. Agrada, diverte e comove os que não gostam de música; faz um pouco mais aos que gostam e verdadeiramente empolga os fãs do Rock.

Cameron Crowe se superou. Neste filme ele misturou suas experiências próprias, seu talento como escritor precoce e seu gosto musical. Conseguiu fazer o que muitas pessoas talvez já tenham tentado: criar uma obra tão prima que não é só para ser vista, mas olhada. E não pode ser só ouvida, mas escutada.

Isso não seria possível se os atores não tivessem sido tão bem escolhidos. Patrick Fugit fez o garoto de 15 anos que bem pode ter sido o Crowe mais jovem, que acompanhou uma turnê do Led Zeppelin. Kate Hudson fez a fã que segue seus ídolos por gostar de verdade de cada música deles, não por tietagem. A atriz foi perfeita e misteriosa. Jason Lee foi um vocalista típico de bandas de rock e atuou bem demais ao lado de Billy Crudup, o apaixonante guitarrista da banda StillWater. Para completar, a experiente Frances McDormand. Uma coisa é certa: não teve um único ator que não tenha convencido do início ao fim. A banda inteira teve aquele ar de jovens “quase famosos”, idealistas e que querem curtir a vida. O garoto carregou consigo aquela cara de “descoberta”. Todos representaram um mundo, à sombra do espírito do Rock em seu auge.

E, para dar todo o clima de um filme desse nível, a trilha foi indispensável. A década de 70 é retratada com todos os grandes nomes da música. Para terem uma idéia: The Who, Black Sabbath, Beach Boys, Neil Young, Deep Purple, Lynyrd Skynyrd, Jimi Hendrix, David Bowie, Cat Stevens e Stevie Wonders. Além destes, há aquela inesquecível cena dos músicos cantando “Tiny Dancer” do Elton John e no mínimo cinco músicas do Led Zeppelin. Tem a cena no carro, com a clássica “Misty Mountain Hop” deles, e várias vezes podemos sentir o solo tão lindo de “The Rain Song”. É um dos poucos filmes em que podemos assistir a tudo de olhos fechados e sorrindo…

Agora as cenas: uma das mais divertidas é a das confissões no avião (que o trailer estraga). Mas também tem a no aeroporto, do grupo cantando no ônibus, dos enormes olhos da irmã se despedindo, do disco no som, da imagem de “Plant” chapado num telhado, dos shows… Se você tiver pegado o DVD, não deixe de ver as cenas deletadas. Uma das melhores do filme, apesar de não incluída, é um pedaço em que o garoto tenta convencer sua mãe a deixá-lo viajar e apresenta para ela o clássico “Stairway to Heaven”. Ela acaba convencida, claro; coisa que não tinha sido mostrada e deixara um vácuo na tela. De todo modo, me identifiquei nos personagens que tocam uma bateria invisível e arranham uma guitarra inexistente cada vez que são envolvidos por essa melodia contagiante.

É tudo encantador, numa historinha que é no mínimo rica. Se o filme não serve para mostrar que o que é bom é atemporal, ele mostra com certeza que o que é bom pode ser muito bem resumido em duas horas. Pelo menos se o que é bom for arte.