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Onde você estava dez anos atrás?

Por ironia do destino, já que a Pizza Hut era um dos símbolos norte-americanos em Beagá, além do óbvio McDonalds, eu estava lá. Cercada de mórmons loiríssimos e engravatados, vindos dos Estados Unidos.

Mas, mais precisamente, cercada dos amigos que já me são amigos há mais de dez anos, para comemorar o aniversário da Natália, que perdeu a exclusividade sobre o dia 11 de setembro nas nossas vidas.

Tínhamos tido aulas mais cedo (não me lembro de quê, essas aulas não marcaram) e íamos ter aulas à tarde também, o famoso “retorno”. No meio-tempo, em vez de comer nos self-services baratos da vida, preferimos encarar o rodízio da pizzaria lá perto, já que era uma data especial.

Foi depois do almoço, quando já estávamos pagando, que vimos as cenas na televisão, tipo estas que ilustram o post. Os mórmons loiríssimos choravam. Minha primeira reação, junto com a amiga Ana Clara, antiamericanas revoltadas que éramos, foi de “Uau! Alguém está ferrando com os EUA! Quem será esse herói?”.

Mais tarde, soubemos das trocentas vítimas inocentes e relativizamos o júbilo. (Bem mais tarde, percebemos que os EUA usaram o ataque para iniciar uma guerra no Afeganistão e no Iraque, empoderar o banana do George W. Bush e dominar de várias formas as vidas dos americanos comuns, e nos demos conta da droga que tinha sido esse atentado.)

Lembro que naquele dia não houve aula. Ou matamos a aula da tarde, não sei. Só sei que era para ter sido a aula da Nina, ótima professora de geopolítica, e ela certamente gostaria de saber o que ficamos fazendo a tarde toda: conversando sobre aquela Terceira Guerra Mundial que se anunciava diante de nós. Ou de alguma outra mudança que, aos 16 anos, apenas deduzíamos de longe.

(E, aos 26, ainda não sei bem se e o que realmente mudou. Só sei que os EUA não são mais aquela potência da era Bush. E as revoltas que pipocam no mundo árabe não são mais as das guerras (embora aquela guerra iniciada por Bush ainda deixe vítimas até hoje), mas as populares, à 1968.)

Naquela tarde, conspirávamos, junto com a aniversariante do dia, sobre tudo o que estava por vir, sentados na escadaria do colégio. Perfeitos estudantes do mundo.

E vocês, o que estavam fazendo antes, durante e depois do atentado de 11 de setembro?

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

34 comentários em “Onde você estava dez anos atrás? Deixe um comentário

  1. Eu estava em uma loja de roupas moderninhas que eu batia cartão mas nunca comprava nada… meio confusos, quando o segundo avião bateu na torre. De repente a loja ficou lotada de curiosos e a cena se repetia em todas as lojas que tinham TV. Os atendentes das lojas que não tinham TV corriam para as lojas vizinhas. Não sei se era o momento para ser anti-americana ou não. Até hoje ainda acho que quem mais lucrou com esse atentado foi o George Bush, que garantiu através do medo, um população MUITO mais manobrável e uma reeleição -tão questionável quanto sua primeira eleição – e a industria bélica, que é aliada de longa data do partido republicano. Antes de mais nada, eram pessoas ali, de todos os cantos do mundo. Quando deu o terceiro avião, em Washington eu preocupei, porque meu tio caçula morava por lá na época.

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    • Sim, depois eu percebi que quem lucrou mais com o atentado foi o Bush. Na época, criei o blog Tamos com Raiva (em outra data marcante: 20 de março de 2003, quando estouraram as primeiras bombas no Iraque) e comecei a cogitar teorias da conspiração de que o próprio Bush tinha armado o ataque às Torres Gêmas, pra justificar o controle que exerceu depois sobre o país, a reeleição, a tomada do Iraque etc. Mas são só teorias conspiratórias… 😉

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  2. Eu estava morto! Nada de túneis ou passagem secretas, para o outro mundo! Nada de luzes ou coisa parecida.Um sono eterno: Como raciocinou o pensador Sócrates: “Morte, um sono sem sonhos”. Estava morto numa mesa de operação no Hospital do Coração São Paulo. Morto literalmente. Mas voltei ou melhor me fizeram voltar.Depois de alguns dias fiquei sabendo e vi as imagens. Indignado com as mortes que ocasionaram, raciocinei: Ele fizeram o que o Governo americano estava querendo que fizessem. Me causou um mal estar, depois de uma morte de mais ou menos 20 segundos. Bom, estou vivo, pena que mataram o mundo e o século atual que está em chamas!

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  3. Eu estava trabalhando, em sala de aula. Lembro que tudo corria normalmente – era mais fácil lidar com os alunos há 10 anos, incrível! -, dentro da rotina de uma escola. Quando bateu o sinal marcando o fim de uma aula, fui à sala dos professores para tomar um gole d´água antes de ir para a 3.a aula da manhã e vi alguns professores e alunos “colados” na pequena TV que havia na sala: um avião bateu no WTC! E as notícias vinham de forma confusa: acidente, ataque? O Pentágono foi atacado! Logo depois um outro avião colidiu no WTC. Um colega professor de História falou que “estamos presenciando um fato histórico ao vivo”.

    Escola sabe como é, né? Os alunos diziam que estava “tendo guerra nos EUA”, outros nem sabiam explicar o que estava acontecendo: “tá pegano fogo num prédio lá que o avião bateu”. bem, lembro que nem tivemos a 3.a aula direito rsrs Eu tinha apenas 3 aulas naquela manhã e terminado o expediente naquele turno entrei no carro e sintonizei uma emissora de rádio em busca de notícias. Nas aulas dos turnos vespertino e noturno o assunto seria apenas “Torres Gêmeas”.

    Como é até hoje e é assunto repleto de teorias conspiratórias – adoooooro, pois são muito criativas 😀 – mas que transformou o mundo como conhecíamos. ( se para melhor ou pior é outra história)

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  4. eu tava em casa a a brincar mas eu lembro me de olhar para a tv e ver e eu pensei que era tudo a fingir e é normal so tinha uns 4 anos mas agora que tenho consicencia veijo que os americanos sofreram muito por causa das tragedia

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  5. Credo, vc só tinha 16 anos, Cris? Eu tinha 26, estava na padaria tomando café antes de ir pra uma audiência… se você me perguntar o que mais eu fiz aquele dia, não lembro, acho que as imagens do ataque ficaram tão gravadas que suplantaram todas as outra memórias do dia…

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  6. Comentei isso no blog do Kenji.

    A gente morava no sul de Minas, e a Ivana havia acabado de ser promovida para Igarapé, então estávamos de mudança para BH — na verdade, primeiro ficamos quase um ano em Betim, até comprarmos (e a construtura entregar) o nosso apartamento. Eu estava super feliz porque já estava cansado de morar no interior e na época, eu não estava trabalhando com TI, e em BH eu já tinha um emprego de desenvolvedor de software garantido.

    A Ivana e o Lucas tinham ido para BH uns dias antes e eu estava sozinho na casa onde morávamos em Areado encaixotando o resto das coisas e desmontando meu escritório, eletrodomésticos, etc. Eu tinha deixado a TV e o receptor da Sky para desmontar por último, e liguei bem cedo, como eu sempre fazia naquela época, no canal da Bloomberg, sem som.

    Quando eu vi a primeira torre pegando fogo, coloquei no canal da CNN e aumentei o som, e acabei vendo o segundo impacto ao vivo, assim como a queda das duas torres. Fiquei estarrecido com aquilo. E preocupado. Eu fui uma criança dos anos 70, onde a gente vivia sob a sombra da Guerra Fria e a ansiedade de um possível holocausto nuclear. Pra mim, apesar de menos abrangente, a sombra da guerra voltou muito sobre o mundo naquele ponto… o que é muito triste.

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  7. Cris, para deixar o Takata à vontade para comentar, vou contar o que estava fazendo. Eu era coordenador de jornalismo da Rádio Alvorada, na época líder de audiência entre as FMs de BH (deve continuar ainda na liderança, pelo menos assim espero), e como sempre estávamos ligados na Globo News, pois ela costumava transmitir as notícias de impacto, principalmente retransmitindo ao vivo a CNN. Foi assim que pudemos ver quase instantaneamente a notícia do choque do primeiro avião contra a torre. (O da segunda torre, foi ao vivo e a cores.) Fiz rápida pesquisa, e as agências brasileiras de notícia ainda não tinham dados a respeito, estavam todas na mesma correria. Mais que depressa, redigi nota, interrompi uma música – coisa que só poderia ser feito excepcionalmente, pois a rádio sempre deu muita importância à música – e entrei com a notícia. Ao mesmo tempo, tentávamos contato com o correspondente em Nova York, o excelente jornalista Argemiro Ferreira. Não demorou, e ele entrou ao vivo, com mais informações. Acho que já então ele falava em terrorismo, mas não tenho certeza. O resto do dia foi dedicado à cobertura do atentado (como fez ontem a Globo News), pois as outras notícias, de repente, perderam importância. Na época, a rádio tinha correspondentes em Londres, Paris, Roma, Brasília, Rio, além de poder trocar figurinha com rádios Brasil afora, o que enriqueceu muito a cobertura, com as repercussões. Foi o dia em que o mundo parou. E nada como um dia desses, para os jornalistas correrem muito…

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  8. Eu estava na escola, acho que vendo um vídeo sabe-se lá do quê…
    Mas o que me irrita nessa data é que só se fala de torres gêmeas! OK! Foi um drama muito sofrido e aquele povo não tinha culpa da porcaria do governo que era o deles…
    Mas o ocorido no Chile em 1973 ninguém lembra, e se não fosse a ajuda dos querido norte-americanos, do nojentinho do Nixon, 30 mil não teriam morrido e muitas mulheres não teriam tido ratos enfiados em suas partes íntimas!!!!

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  9. Estava lendo o jornal na sala e ouvindo a tv globo news, quando passaram a transmitir direto e ao vivo o atentado. Vendo tamanha brutalidade, e sem entender direito o que estava acontecendo, imaginei, inicialmente, que era cena de filme, alguma ficção. Só depois me dei conta de que era realidade, era um ataque terrorista à maior potência mundial. Tive muita pena da humanidade; fomos reprovados como seres humanos.

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