Entrei no ônibus em Beagá às 22h30 e pensei: desta vez vou dormir daqui até São Paulo. Estava tão cansada que não foi difícil. Assim que decidi dormir, meia hora depois, virei pedra (com algumas interrupções para ajeitar a posição) até a chegada à Terra Cinza. Isso é raríssimo, porque normalmente só consigo dormir umas quatro horinhas custosas, então eu estava feliz.
Pra quê?
Às 6h30, quando deveríamos estar chegando à rodoviária, vi o ônibus parar. Olhei pela janela e não vi o rio Tietê. Ainda estávamos na estrada! Ouvi o motorista conversando com alguém (pelo celular?): “Está tudo parado aqui. Não, nem cheguei na cidade ainda. Deve ter sido acidente.”
Voltei a dormir, mas fiquei sonhando que eu era uma espécie de trator abrindo passagem numa estrada cheia de britas para o ônibus andar.
Só perto das 7h30 é que chegamos ao terminal rodoviário. Olhei para a fila do táxi e pensei: melhor não, já vai ter trânsito a esta hora. Lembrei que também é a hora de pico do metrô, mas fui com fé.
Dentro do trem estava lotado, mas ainda dava para respirar. Pelo menos seis vezes o condutor falou que estava “parado para aguardar a movimentação do trem à frente”. Tudo muuuuito lento. Cheguei à estação da Sé umas 8h15, quando nesta hora eu já devia estar em casa.
Lá, vi que a plataforma estava lotaaaaada. Como raramente estou na Sé nesse horário, imaginei que pudesse ser o normal da hora de pico. Vamos lá, Cris, o trem passa a cada 30 segundos, entram blocões de várias pessoas espremidas por vez, você não vai ter que esperar tanto assim.
Mas nada de o trem passar. Um minuto, dois, três, NADA. Como assim o trem não passa em cinco minutos na hora de pico na Sé?! Só aí prestei atenção à voz de alguém no microfone da estação dizendo que, “por uma falha em um trem na estação Pedro II, toda a linha vermelha está andando a velocidades mais baixas“.
Ou nem está andando, né.
Decidi subir e pegar um táxi, agora, já que não estava tão longe de casa. Outra luta. O ponto estava vazio e tinha dezenas de pessoas à espera. Vi um táxi descendo numa ruazinha à frente, fui correndo até lá, mas outro sujeito, sem malas, pegou primeiro. Que raiva. Nesse meio tempo, tentei ligar para a Redação para falar o que estava acontecendo, mas ninguém atendeu no único número do online que eu tinha.
Fui a pé. Passei por toda a rua 15 de Novembro (bela rua, quando em dias de sol) e cheguei lá embaixo, perto da prefeitura. Lá peguei o táxi. Desembarquei na porta de casa às 8h55, quando deveria ter chegado às 7h, se estivesse no mundo ideal, sem acidentes ou panes no metrô.
(Pelo menos o mundo real tem um pauteiro que é gente boa e me deixou entrar um pouco mais tarde hoje :D)
Leia também:
- Os prós e contras de viajar de busão e avião
- Para viajar melhor de busão, cinco regras de adaptação
- Não nos acostumemos mais!
- Motim no ônibus
Descubra mais sobre blog da kikacastro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
Cheguei à Sé por volta das 7h50, vindo da Barra Funda. Até ali, eu não tinha tido nenhum problema, como de costume. Mas a aglomeração para alcançar a plataforma sentido Jabaquara era das maiores que já vi. Os funcionários do Metrô estavam bloqueando as escadas para controlar o fluxo de acesso, o que causava um grande represamento, mas mesmo assim, pelo que pude ver da mureta, a plataforma lá embaixo estava muito abarrotada. E parece que àquela hora ainda nem tinha ocorrido o tal problema na Linha 3-Vermelha. Resultado: fui para a outra plataforma e fiz a viagem negativa até Tiradentes, onde consegui entrar em um trem no sentido correto. A partir de então não tive mais problemas. Só não consegui conferir como estava a situação na Sé porque eu estava num lugar do carro de pouquíssima visibilidade do outro lado.
CurtirCurtir
Pois eu te digo que estava um inferno, pelo menos na plataforma que vai para a Barra Funda.
E os caras colocaram uma barreira logo do lado da máquina de vender livros, em que só podia entrar os preferenciais, sendo que os vagões reservados a eles são apenas os dois primeiros. Ou seja: todo mundo ficava aglomerado no meio, sem poder dispersar pelo resto do corredor, o que melhoraria o fluxo. Não dá pra entender certas medidas, viu.
CurtirCurtir
Dia desses você já passou um sufoco no busão nesse mesmo trajeto de beaga pra sampa, agora outro, inclusindo metrô e taxi. Não quero ser pessimista não, mas acho que tem mais veículo do que vias, e as montadoras não param de produzir e o povo de comprar e o poder público só comparece com a cobrança de altíssimos impostos, logo…Precisamos de alternativas.
Abraços, Cristina.
CurtirCurtir
Não é pessimismo, a coisa tá feia mesmo!!!
E vc tava sumido!
abraços!
CurtirCurtir
Poxa, terrível começar a semana assim!
Quando cheguei na Sé já estava menos pior…
CurtirCurtir
Pelo menos dormi bastante no caminho, o que é raro!
CurtirCurtir
Quase certo que eu não voltaria a morar em SP, por mais que eu goste da cidade…se bem que Salvador, na questão da mobilidade urbana, também está horrível, guardadas as proporções. 😦
CurtirCurtir
Quando fui a Salvador fiquei chocada com o congestionamento de duas horas que peguei, sem nenhum acidente ou outra anormalidade.
CurtirCurtir