Primeiras memórias – parte 2 (esforçada, alegre, nostálgica e frustrante)

Bem, pra tentar provar aos escombros do meu cérebro que eu vivo, sim, há exatos 26 anos, dois meses e alguns dias de vida, decidi fazer um churrasquinho de neurônios aqui e tentar encontrar minhas primeiras memórias perdidas nessa amnésia infantil ingrata.

Voilá:

  1. eu com catapora sentindo muita coceira nas costas e, pra tentar amenizar, balançando a camisola para coçar sem ferir.
  2. o picolé de brigadeiro que experimentei pela primeira vez em Araxá (Xarará) na porta do hotel, num carrinho de picoleiro.
  3. no mesmo hotel, os corredores eram imeeeeeensos e eu brincava sempre com umas meninas desconhecidas, mais velhas, com quem tinha feito amizade ali mesmo.
  4. a neblina na estrada pra Xarará; a primeira vez que vi uma neblina tão cerrada.
  5. a primeira vez que fui ao Rio, com uns 4 anos, e o hotel era mal-assombrado: os chuveiros e bidês ligavam e desligavam sozinhos!
  6. um colega meu de sala, no maternal, que se chamava Hugo (!) e só lembro dele porque seu nariz estava sempre escorrendo nojentamente.
  7. o tio que foi ao Japão “só” para comprar uma joaninha de corda pra mim (essa da foto).
  8. o padrinho passando cimento nos tijolinhos da churrasqueira que ele mesmo construiu, com cabelos totalmente brancos, apesar de ser jovem (pra mim era um velhinho!).
  9. catar formiga no recreio com a melhor amiga Laura, pôr num saco plástico, com terra, açúcar e folhinhas, e levar pra casa pra domesticar (aí eu já devia ter uns 4 ou 5 anos).
  10. falar: “sapeca é…. sapeca!” por causa de algum comercial de TV.
  11. ir para a cama da minha irmã mais velha quando tinha pesadelos (fiz isso até uns 9 anos).
  12. dividir o quarto com meu irmão mais velho, eu num berço grande e ele na cama.
  13. Jaspion na TV (preto-e-branco?) da casa da vovó (mas só vim a descobrir — ou relembrar — que aqueles bonecos coloridos se chamavam Jaspion mais tarde).
  14. o dia em que ganhei meu coelho de pelúcia e dei a ele o nome de Quincas.
  15. o dia em que ganhei um brinquedo de corda no meu aniversário, que agora não me lembro mais qual é, e estraguei na mesma hora, girando para o lado contrário.
  16. a cocada que a vovó fazia.
  17. a “cachoeira” que havia em uma das piscinas do clube do bairro (que eu achava gigante, mas até imagino como deve ser).
  18. uma vez que fui a uma gruta perto de Beagá com o meu pai, e estava vestida com um vestido xadrez da Moranguinho e ele comprou para mim um álbum de figurinhas que alguém vendeu no semáforo.
  19. meu irmão brincando de aviãozinho comigo e fazendo “brrprprprbbprprp” no meu umbigo, sobrando cuspe pra todo lado (eca ;)).
  20. minha mãe cantando, com voz bem doce, numa noite no sítio do tio Rosalvo, enquanto alguém tocava violão (ela própria?).

buaáááá, não me lembro de mais nada, ou não sei de quando é a memória!! 😦

Espero que meus irmãos, pais, tios e primos mais velhos tenham vivido bem meus cinco primeiros anos de vida por mim…

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Lembrei de mais coisas neste fim de semana em família:

  • 21. Quando parei de usar o bico (já quase aos 3 anos!) porque telefonei para conversar com o Papai Noel e ele me convenceu disso, depois de uma breve conversa com a minha mãe.
  • 22. Do quadrado de areia que existia na minha escolinha e eu adorava quando íamos brincar lá.
  • 23. De eu cantando “Tuc tuc, bate dentro do meu peito um coração que é todo feito para amar a mamãezinha que é só minha, que é só minha…” no dia das mães.
  • 24. Da vez em que meu primo Augusto colocou uma perereca (de verdade!) dentro da roupa da minha irmã, lá no sítio do meu tio, e ela ficou em choque e ele levou castigo.
  • 25. Do “berrudão” vermelho que eu usava mais ou menos com 4 anos. E da roupa “de papel”, listrada em várias cores, que ganhei mais ou menos ao 5 eu eu DETESTAVA usar.
  • 26. A gente voltando do sítio e eu encantada com as luzes da cidade, que pareciam estrelas caídas na Terra, sempre ao som de alguma música que estava tocando na rádio e, portanto, bem antiga (lembro que tinha algumas do U2, alguns daqueles clássicos de novela, tipo INXS, e “O Vira” e “Flores Astrais” também me remetem a uma infância beeem antiga, então a gente devia ouvir Secos e Molhados também).
  • 27. Meu pai dando o dedo pra eu segurar, em vez da mão.

Ok, acho que não vou me lembrar de mais nada agora… Depois acrescento mais 😉

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10 comentários sobre “Primeiras memórias – parte 2 (esforçada, alegre, nostálgica e frustrante)

  1. Eu tenho algumas vagas lembranças dos meus primeiros anos de vida, que são um tiquinho mais antigas. Algumas delas, como o fato de eu me lembrar da planta do apartamento onde morei até os quatro anos, podem ter a ver com fotos do local, mas outras só podem ser advindas de algum neurônio perdido, pois não têm foto alguma a respeito.

    1) Lembro-me de tentar convencer meu irmão, 10 meses e 26 dias mais novo que eu, a largar a mamadeira. Eu devia ter uns três, quatro anos. Foi no apartamento.
    2) Lembro-me de uma noite em que saí do berço e fui até a sala de TV, logo ao lado do meu quarto, e fiquei olhando, meio escondido, da porta os meus pais assistindo ao Jornal Nacional.
    3) Lembro-me de chegar da escolinha e assistir a um desenho com uma música famosa. Não me lembro qual era o desenho, só me lembro da música. Não sei o nome, mas sei cantá-la. É uma daquelas beeeem antigas nos Estados Unidos. E por “beeeem antigas” entenda-se coisa do início do século XX, talvez até do século XIX.
    4) Lembro-me vagamente da minha escolinha, de uma almofada comprida em formato de cilindro, onde eu supostamente gostava de tirar minha soneca vespertina.
    5) Eu me lembro de uma vez, quando eu devia ter uns cinco, no máximo seis anos, que saí de carro com meu pai. Se não me engano, para procurar uma árvore de Natal (mas não tenho nenhuma certeza desse detalhe), e acabamos indo até Suzano. Eu não gostei de ficar tanto tempo no carro e quando voltamos reclamei com a minha mãe, que me deu razão e uma leve bronca no meu pai.

    Há outros flashes, mas estes são os que vêm à minha cabeça agora.

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  2. Ai que lindas memórias! Parece até que estou assintindo Amélie, aquelas cenas que o narrador descreve o que as pessoas gostam ou não…
    Adoro relatos de momentos corridos!
    Vou dizer 4 coisas que me lembro bem:
    1- Quando meu tio avô vinha da Bahia e me jogava pro alto, eu dizia apula tio João.
    2- Quando eu tinha uns 4 anos e brincava de Bon Jovi com meus irmãos (eu era o tecladista por causa do caichinhos).
    3- Quando eu aprendi a ler, também lá pelos 4 anos, eu dei sinal pro ônibus parar só pra ler escrito algo do tipo “trans-guarulhense”.
    4- Meus irmãos me jogaram de ponta-cabela no cesto de roupa suja.

    Hahahah, agora tô me lembrando de mais coisas…
    Obrigada por me fazer lembrar Kikacris!
    =]

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  3. Eu também lembrei lendo o que a Talita escreveu. Assim como ela, eu aprendi a ler aos quatro anos, com a minha mãe me ensinando por meio de uns cubinhos de letras. Aí quando as lições tinham acabado eu fiquei extremamente decepcionado, porque eu queria aprender de novo. O que, claro, não seria possível. Então eu apontei para a antena da televisão (aquelas em V que eram ligadas diretamente ao aparelho) e fiquei perguntando o que era aquilo, como se escrevia, algo assim. Essa memória é apenas um flash, então não consigo elaborá-la muito.

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    • Eu aprendi a ler aos 5 anos, de brincar com as minhas irmãs de aulinha. Um belo dia, não sei exatamente por quê, minha mãe me chamou pra fazer um teste. Sentei com ela na cama dela e ela pegou um envelope e começou a escrever algumas palavrinhas, tipo “casa” etc. Encheu de palavrinhas fáceis. E eu li todas. Ela ficou toda alegre! Não me lembro se eu escrevi naquele envelope também, mas acho que só li.

      Até que tenho muitas memórias dos 5 anos pra cima, mas de 4 pra baixo são pouquíssimas. Tenho até dúvidas se boa parte desses 25 flashes que lembrei não são de quando eu tinha 5 ou 6 anos…

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    • hehehehe
      e vc tb deve lembrar bem do quadrado de areia, né?
      tou lembrando agora que o professor de educação física de vez em quando nos dava banho de mangueira, não tem um negócio assim?

      ah, gente: e a Laura foi minha melhor amiga até os 5 anos e depois nos reencontramos aos 14 e, graças à boa memória infantil das duas, foi possível relembrar de tudo, embora a gente já tivesse virado amigas de novo, sem saber 😀
      bjos

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  4. Se eu me lembrar de cinco coisas da minha infância, vai ser muito. E o pior: tem horas que não sei se lembro, se me contaram e eu imaginei, ou se vi em alguma foto.
    Quero minha infância de volta…
    Mas foi bom quando descobrimos aqui em casa uma série de filmagens que meus pais fizeram quando eu era pequena. Aí descobri que eu vivia fazendo manha. =/ Talvez tenha coisas que é melhor não saber.

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