Um discurso gaguejante aos meus neurônios

Para ver no cinema: O DISCURSO DO REI (The King’s Speech)

Nota 7

Rush: um dos melhores atores que tem por aí

Acabei de assistir, finalmente, ao Discurso do Rei.

Colin Firth está sim, excelente, e mereceu a estatueta que levou. Mas, para mim, o filme é o sempre ótimo Geoffrey Rush.

Ficamos sempre à espera da próxima provocação daquele “terapeuta de voz”, que é também é responsável pelos bons momentos de humor do filme. Seu personagem é audacioso e não tem medo de esbofetear um príncipe com as palavras ou atitudes, da forma que poucos conseguem fazer (e, geralmente, quem faz e consegue colocar o ser superior em seu devido lugar de ser humano ganha minha simpatia instantânea).

O problema do filme é sua previsibilidade, até por ser baseado em fatos reais, o que fez com que muitos críticos já contassem quase tudo (como se não fosse possível manter nossa ignorância sobre detalhes históricos da família real britânica do começo do século passado!). Com isso, saí da sala com um misto de alívio, satisfação, mas, ao mesmo tempo, o incômodo de não ter sido incomodada em nenhum momento do filme, de ele não ter atiçado mais do que dois dos meus neurônios ao longo de duas horas.

Então, cá pra nós: a estatueta de melhor filme, que eu tinha previsto, diz muito do que quer a Academia. Mas pouco do que querem meus neurônios (que nem são tantos assim). Cisne Negro, por exemplo, me marcará muito mais. O Discurso do Rei só vai marcar realmente pela atuação dos dois protagonistas e pelo conforto dos rumos do roteiro, que dão aquele acalento final. Até Helena Bonham Carter foi muito melhor como Rainha Vermelha do que como Rainha Elizabeth.


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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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