Você pode ser um solitário, mas avise para onde vai

Para ver no cinema: 127 HORAS (127 Hours)

Nota 9

Quando a sessão terminou, não se ouvia um pio. Nenhuma daquelas conversinhas pós-filme de sempre, aquele burburinho na sala do cinema. O silêncio do estarrecimento coletivo é algo que poucos filmes conseguem atingir (de cabeça, me lembro de apenas outros dois que presenciei: “O Pianista” e “Dogville“). É sinal de que ali se passou algo marcante, quase pungente, que atingiu a todos da mesma forma.

127 Horas é o filme de um homem só. De um personagem estupendo, interpretado por um ator, James Franco, que merecia ter ganhado o Oscar, independente de ter tido como concorrente um sujeito como Colin Firth. Não é para qualquer um carregar 94 minutos num mesmo cenário, com personagem (praticamente) único.

Todo mundo já entra na sala do cinema sabendo que se trata de uma história real de um sujeito que ficou preso em uma pedra, pelo braço, e que conseguiu, depois de mais de cinco dias, sair dali. Todo mundo sabe que, para a libertação, seriam necessárias altas doses de masoquismo por parte do protagonista (e sadismo, da nossa parte, como espectadores daquilo). O que nos prende tão atentamente à tela, então?

As minúcias. Elas carregam o filme de belíssimas fotografia e edição o tempo todo. E quanto menos se souber sobre elas, melhor o filme vai ficar. Por isso, vou parar por aqui.

Apenas destaco que, de todos os excelentes filmes que concorreram ao Oscar e a que assisti até agora, 127 Horas foi, de longe, o que mais me tocou. Nesses 94 minutos, qual 127 horas, prendi minha respiração várias vezes, virei o rosto da tela, retorci as mãos, fiquei angustiada, ansiosa, em prantos, com medo, chocada, aliviada, pesarosa — e sorri, e ri. É raro um filme despertar tantos sentimentos com um enredo tão simples. Isso só é possível porque temos, diante de nós, um desses raríssimos homens que levam a vida ao extremo e a vivem até as últimas conseqüências. Saber que ele é real torna tudo muito mais valioso.

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