Mais um ano.

De olho no céu da Serra da Moeda.

Ri, sorri

(fotogenicamente)

Chorei

(de acordar com duas bolas nos olhos)

Quis morrer

(e fiz poema, instead)

Quis chegar aos cem

(como a Maude e a Luísa)

Fiz o bem

(ou o tentei, sempre)

Perdi amigos

(que viraram em outras curvas)

Dispensei outros

(que mostraram não valer o título)

Conquistei pessoas

(mas me conquistaram em cheio)

Amei

(sofri)

Trabalhei e venho trabalhando

(aventuras ou percalços)

Envelheci:

 

Já tenho cabelos brancos,

barriga de chopp,

linhas de rugas na testa,

olheiras,

mas ainda assim me dão a idade certa

(e há os que suspeitam que minha idade mental seja de criança).

 

A impressão que tenho é que nunca vou viver o bastante

para o tanto que quero fazer e tentar

(e, ao mesmo tempo, me canso de tanta vida.)

 

À beira dos 9.500 dias

Mais de 200 mil horas

E de 13 milhões de minutos

Que interferem, como estrelas,

em outras constelações paralelas.

De forma luminosa, pois sim,

mas absolutamente insignificante no todo.

 

A vida é isso:

um amontoado de insignificâncias,

de encontros e desencontros,

de apontamentos e desapontamentos,

de convivências certas e erradas,

de fugas e momentos de audácia,

de liberdade sempre contida

e felicidade sempre instável.

 

Seguirei sendo esse ser fundamentalmente bipolar

um poço de defeitos feios

mas de intenções sinceramente boas

(como as que povoam o inferno.)

 

Que o deus do bom humor me guie,

porque é só dele que precisamos

para que a dura vida dure sendo leve.

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