Caroço

Hoje acordou com um caroço de manga entalado na garganta.

Passaram-se várias horas, e lá estava ainda.

Coração bateu mais forte.

Muito mais.

A mão se enregelou e tremeu e formigou.

O choro não tardou a vir.

Quando veio, foi um temporal de causar enchente.

E o caroço apertou.

Seria saudade (de casa)?

Ouviu “Goin’ Home” e a lançou ao vento.

“Gone are the days of endless thrills.”

Telefonou para casa.

Mandou mensagens,

escreveu pedidos de socorro,

falou com pessoas erradas.

A causa?

Física? Quiçá.

Emocional não, pois anda leve e feliz.

A labuta vai bem, obrigada.

Embora algumas histórias cheguem de forma dolorosa.

A sensação que fica, de cima a baixo,

é da proximidade da morte.

Se for só a dela, tudo bem.

O que agonia é o medo de serem outras sensações

de outras mortes

de pessoas que valem muito mais.

(Sem as quais a vida seria um caroço eterno.)

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