Três mineiros no projeto internacional “Playing for Change”

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Johnny Herno na abertura do PFC3

Acho que todo mundo que gosta de música já deve ter escutado o projeto “Playing For Change“, ou ouvido falar dele. O movimento existe desde 2002 e surgiu de uma ideia maravilhosa: que a música é capaz de transpor qualquer fronteira, geográfica, cultural, religiosa, política ou linguística, e pode unir e conectar pessoas do mundo inteiro.

Foi criada, mais tarde, uma fundação, que realiza vários trabalhos voluntários, e já saíram dois DVDs com participação de músicos — artistas de rua, músicos famosos ou não — do mundo inteiro, de países remotíssimos e até aqui do Brasil. A venda dos álbuns ajuda a bancar a fundação.

Nos dois primeiros DVDs tem músicas clássicas como Stand By Me, One Love, Gimme Shelter, Don’t Worry, Redemption Song, Imagine, What a Wonderful World etc. Mas também canções em outros idiomas, como La Tierra Del Olvido e Chanda Mama.

Agora, no dia 17 de junho, será lançado o terceiro álbum de PFC. E ele tem uma novidade incrível: conta com a participação de três mineiros de Belo Horizonte: Tom Nascimento, Rafael Dias e Johnny Herno.

É o Johnny que a gente vê abrindo o vídeo, logo de cara, que o site oficial dos Rolling Stones divulgou ontem. Ah sim, porque esta terceira edição conta com a participação de Keith Richards, nas canções Words of Wonder (do próprio Keith Richards) e Get Up, Stand Up (de Bob Marley).

Assista a estas duas canções e ao trailer do PFC3 logo abaixo:

Saiba mais sobre o Playing for Change e a Fundação 😉

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Ainda Inhotim, um outro olhar

Foto de Beto Trajano, que adora explorar o efeito "lens flare" nas fotografias, como essas coloridíssimas que apareceram junto ao fusca.

Foto de Beto Trajano, que adora explorar o efeito “lens flare” nas fotografias, como essas coloridíssimas que apareceram junto aos fuscas.

Complementando o post de ontem, trago hoje esta foto acima e o vídeo abaixo (de apenas 38 segundos), com imagens capturadas e editadas pelo jornalista Beto Trajano, que estava no passeio também:

Shows inesquecíveis contra o botão de autolimpeza cerebral

Outro dia resolvi abrir minha caixinha de lembranças (um dia vou escrever sobre ela) e redescobri várias coisas que minha desmemória já havia apagado por completo. Parece que meu cérebro tem um processo de autolimpeza, igual de liquidificador — mas que ele aciona e varre blocos inteiros de vida sem me consultar primeiro (um dia também vou escrever sobre isso… se lembrar).

Uma das melhores coisas que fiz na vida foi guardar os ingressos dos shows a que já assisti. Alguns tinham sido inesquecíveis no dia e, no entanto, viraram uma sombra confusa agora, dez anos depois.

O fato é que, ao passear por esses ingressos e por algumas fotos, cenas fortíssimas voltaram à minha memória.

O primeiro “salário”, quando ainda só fazia bico de professora particular, sendo gasto num show de uma banda ruim, só pelo prazer de poder me dar ao luxo de pagar R$ 35 para sair com meus melhores amigos.

A noite em que descobri as maravilhas do blues, na companhia do meu irmão, e ouvi as Chicago Blues Ladies, irmãs apropriadamente negras e gordas (como deve ser todo mundo que carrega aquelas vozes de deus), que depois encontrei no restaurante de um hotel de Beagá, de havaianas no pé e lenço na cabeça.

A vez em que não pude ouvir o B.B.King, porque descobri tarde que haveria o show e só tinham sobrado ingressos de R$ 500. Era a última turnê dele, já com mais de 80, e fiquei desolada. Daí, poucos anos depois, ele voltou, os ingressos custavam mais de R$ 300, eu estava dura, mas ganhei uma dessas promoções-de-mandar-frase-para-rádio e fui.

O Brian May tocando Bohemian Rhapsody acompanhado de um vídeo do Freddy Mercury no telão. E parecia tão real, como se o piano fosse ao vivo. E eu sozinha nesse show.

A chuva que tomei pra ouvir o Herbie Hancock de graça no parque Villa Lobos e o frio que passei nas Viradas Culturais. O desânimo coletivo no show do Lô Borges, após uma tromba d’água que quase nos matou. A aventura para ouvir os Rolling Stones em Copacabana no esquema bate-e-volta, sem direito a banho ou cama. A surpresa de ouvir o filho do Muddy Waters na Galeria do Rock. Uma centena de pessoas, que não se conhecem, cantando juntas o riff de “Black Night“, em plena avenida do Contorno, após o show do Deep Purple. A gente pedindo — e o Paul tocando — “Paperback Writer“, um hino da minha turma de amigos de infância.

Show é uma coisa legal demais, que dá uma injeção de adrenalina como quase nada mais é capaz de dar. Que este post faça com que muitos de vocês, que também foram a estes shows, também se emocionem ao reviver a experiência (clique na foto para ver maior):

B.B. King, SP

Jorge Ben, BH

Mud Morganfield, SP

Festival de Blues, BH

Paul, SP

Mutantes, BH e SP

Queen, SP

Rita, BH

Lô Borges, Serra do Cipó

Paralamas, BH

Stones, RJ