E eis que o BonitoBH telefona para a Delegata…

Foto: Douglas Magno / "O Tempo" - 17.9.2013

Foto: Douglas Magno / “O Tempo” – 17.9.2013

Li AGORA a reportagem assinada pela Flávia Ayer, a mesma que tinha dado a foto e o nome da moça.

Eis que surge o “Bonito” que, como previ em um dos textos de ficção da “trilogia” que este assunto rendeu ao blog, já é comprometido. Pior: ao contrário das centenas de outros homens que ligaram para a “Delegata” nos oito dias anteriores, ele foi grosseiro e ficou bravo com a exposição que recebeu. A moça chorou, chorou, com a desilusão amorosa.

Mas quem deve ter ficado ainda mais brava e triste é a namorada dele, ao saber o que o homem andou aprontando no mundo virtual (e bem quis extrapolar para o mundo real, já que chamou a interlocutora para um jantar): a identidade não foi revelada, mas será que são muitos os homens:

  • formados em comércio exterior,
  • com 33 anos de idade,
  • moradores do bairro Belvedere,
  • frequentadores da Pizzaria Olegário
  • e que tinham brigado com a namorada justamente no dia 6 de setembro?!

Hummmm, desconfio que não.

Bom, vai saber. Boa sorte, Bonito! E boa sorte à Delegata, que acabou achando um outro pretendente. Esperemos que este minta bem menos que o “príncipe encantado” do Bate-Papo UOL! 😉

Leia também:

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Melô do relacionamento falido

(Aproveitando o gancho do post de ontem ;))

Imagens tiradas do blog da Alice: http://aliceecila.tumblr.com

segunda: cara de bunda

terça: me esqueça!

quarta: estou farta

quinta: não minta!

sexta-feira: que canseira…

fim de semana: você não me ama!

(semanas após continuam os nós —

ou ficam os dois cada dia mais sós…)

 

Tem coisa pior que isso? Fica como homenagem aos amigos nesta situação (ou alerta para que saiam dela).

Vão ser felizes de novo! 😀

Post dedicado aos solteiros desesperados para estarem com alguém

Olha como as coisas são:

quando eu tinha lá pelos três a quatro anos, aprendi uma música com a minha mãe, que ela adorava cantarolar. Para mim, a letra dizia apenas o seguinte:

“Papai do céu, me dá um namorado lindo, fiel, gentil e tarado.”

Esqueci completamente disso e agora só lembrei por causa daquele post sobre amnésia infantil.

Pela primeira vez na vida, fui dar um Google para descobrir de quem é essa música, crente que seria de alguma marchinha antiga de Carnaval, de alguma cantora desconhecida. Quase caí pra trás ao ver que é da minha querida Rita Lee, aquela mesma de quem tenho um ímã de geladeira e quase toda a discografia no computador, desde os Mutantes. Por alguma razão obscura, justo a música da minha infância passou batido durante todos esses anos, mesmo com o grande contato que tive com as músicas da Rita.

Após esse reencontro emocionado, que me revelou que a canção se chama Xuxuzinho e a letra é muito maior do que esses versinhos, comecei a pensar no significado deles.

É basicamente uma moça pedindo aos céus para ter um namorado. Ela nem é muito exigente: não precisa ter dinheiro, não precisa ser muito inteligente, nem o cara mais legal do mundo. Não precisa ter bom gosto musical, adorar cinema e torcer pro mesmo time de futebol. Não precisa estar bem informado, saber trocar o chuveiro queimado ou cozinhar arroz. Basta ser bonito, fiel, gentil e tarado.

Lembro nitidamente que eu perguntei à minha mãe o significado dessa última palavra. Droga, não lembro o que foi que ela respondeu pra mim! 😉

O importante é que essa memoriazinha fugaz, que recuperei justo agora, veio a calhar para este dia 12 de junho. Porque neste dia de mil propagandas e celebrações comerciais só me vêm a cabeça certos tipos de pessoa: aquelas desesperadas para estarem com alguém. Não falo dos solteiros convictos, nem dos solteiros satisfeitos com a fase da vida em que estão. Mas daqueles que estão angustiadíssimos, como no poema abaixo:

Lua cheia
Hoje todos os casais da cidade
saíram às ruas.
E me espiavam, de mãos dadas.
Abraçavam apertado e cochichavam,
olhando para mim.
Todos os olhares eram para mim.
Todos estavam apaixonados
— e me olhavam.
E eu fui encolhendo e apequenando
e tornei-me miúda com tantos olhares
de tantos casais de mãos dadas e abraço apertado.
E tornei-me sozinha.
E o único olhar que eu queria olhava pra lua.
Por sinal, cheia – belíssima.

Já repararam que essas pessoas geralmente são as que ficam insatisfeitas em qualquer fase da vida? As que estão sempre brigando com o namorado ou pensando em se divorciar do marido?

Penso nelas com certa piedade.

Estão sempre esperando por uma vida friamente imaginada ou planejada — que nunca vai acontecer — em vez de desfrutar das oportunidades que a vida real lhes oferece a todo momento, em cada fase.

É por isso que dedico este post aos solteirões e solteironas insatisfeitos do mundo. Desejo que eles saibam encarar esta data com o mesmo bom humor da Rita, porque é preciso que saibam que todas as fases da vida — do casamento, do namoro, do rolo e, claro, da solteirice — têm lados positivos muito aproveitáveis.

E desejo àqueles solteirões e solteironas, que não desejam mais esse status social, que sejam menos exigentes e olhem as pessoas ao seu redor, porque bastam quatro belas virtudes para que elas se tornem uma companhia perfeita.

Não fazem questão da beleza, gentileza, fidelidade e taradice? Escolham seu cardápio particular!

(Eu fico com a lealdade, a boa conversa, o bom humor e a simplicidade. O resto é resto ;))

Poema aos que sentem a dor mais doída

(Foto: CMC)

A dor mais doída que há

é a da constatação,

simples constatação,

de que você não vale nada

a quem dizia que te amava.

 

(E a dúvida consequente

da verdade daquelas palavras.)

 

Dúvida eterna de que a sua vida

era um teatro de um ator só

e, enquanto você sentia,

ele mentia fingia enganava

— o verbo exato você nunca saberá.

 

A constatação do seu desvalor

frente ao outro, ao que você amou,

é tortura, é tormento, é um lamento uivado

que parece não ter fim.

 

A constatação de que, meses após,

você pensa e sente o mesmo

— prova do quanto é genuína

e, para ele, é apenas uma sombra apagada,

uma nuvem, uma imagem borrada

(sem qualquer significado).

 

A constatação do quanto somos insignificantes:

é a morte do sossego

é o inferno da mente

é o choque da vida.

(05/02/2011)

 

(E não adianta falar que ele não te merece,
você também não merece essa dor, mas ela é toda sua, e só sua.)

O caminho para a Felicidade é o erro

Para pegar na locadora: BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS (Eternal Sunshine of the spotless mind)
Nota 9 – crítica escrita em 06/08/2004

Imagine-se na seguinte situação: você tem um namorado e é muito feliz com ele. A relação vai-se desgastando aos poucos e, decepcionados, vocês brigam e se separam. O que você gostaria de fazer logo depois disso? Nove entre dez pessoas diria que excelente seria esquecer completamente o amor frustrado, simplesmente apagá-lo da memória e partir para outro, sem dores ou mágoas na memória.

Brilho Eterno de uma mente sem lembranças traz este assunto – tão batido, de certa forma – de uma maneira absolutamente original, tanto em seu formato, como no desenvolver da história.

Clementine (muito bem interpretada por Kate Winslet) é uma daquelas mulheres impulsivas, que seguem ao pé da letra a filosofia do Carpe Diem. Quer mais é ser feliz e não se incomoda em tomar alguma atitude precipitada se isso for lhe trazer a almejada felicidade. Conhece Joel (Jim Carrey, sempre ótimo ator, e numa escolha acertada). Gosta dele. Investe nele. E pronto.

Mas um dia, como é normal de acontecer em qualquer relacionamento amoroso, os dois se cansam um do outro. E ela, impulsiva e a fim de seguir em frente, toma mais uma atitude drástica: apaga a existência de Joel da memória, com a técnica avançada do doutor Howard (Tom Wilkinson). E é o que Joel decide fazer, depois de se ver solitário e abandonado até mesmo das lembranças da ex-namorada.

A partir desse ponto, Brilho Eterno… explora a história de amor dos dois em vários desenlances, de acordo com a linearidade do pensamento de Joel. E como memória é a coisa mais ilógica e pouco linear que existe, ainda mais se controlada pela aventura sentimental do cérebro pensante, o roteiro dá saltos no tempo, transfigura rostos, faz trocadilhos e repete passagens sem a menor cerimônia.

É através desse formato inusitado que Kaufman (de Adaptação) nos faz refletir sobre a importância das experiências para a formação do nosso caráter e, principalmente, para nosso desenvolvimento e amadurecimento como seres humanos. Disfarçado em historinha de amor, o filme discute a ética da ciência sobre a verdade da experiência, além de explorar a inevitabilidade de um “destino” (não o destino místico, mas a fatalidade de nos apaixonarmos por uma pessoa sempre pelo mesmo motivo e de isso não fugir à nossa percepção, mesmo sem a prova física de uma lembrança).

A mente sem lembranças tem um brilho eterno, tem aquele frescor de novidade sem remorsos e de futuro límpido pela frente. Mas carece de marcas que só a experiência propicia e que são as únicas responsáveis por uma felicidade completa. Afinal, a vida não é o ponto final de uma jornada, mas a jornada em si, e todos os erros e acertos que enfrentamos no meio do caminho. Ser feliz é curtir esses momentos, tendo a certeza do registro nostálgico que fica perene na memória.

Joel e Clementine erraram ao se conhecerem? Pode ser. Mas acertaram ao permanerem no erro.