
A dor mais doída que há
é a da constatação,
simples constatação,
de que você não vale nada
a quem dizia que te amava.
(E a dúvida consequente
da verdade daquelas palavras.)
Dúvida eterna de que a sua vida
era um teatro de um ator só
e, enquanto você sentia,
ele mentia fingia enganava
— o verbo exato você nunca saberá.
A constatação do seu desvalor
frente ao outro, ao que você amou,
é tortura, é tormento, é um lamento uivado
que parece não ter fim.
A constatação de que, meses após,
você pensa e sente o mesmo
— prova do quanto é genuína
e, para ele, é apenas uma sombra apagada,
uma nuvem, uma imagem borrada
(sem qualquer significado).
A constatação do quanto somos insignificantes:
é a morte do sossego
é o inferno da mente
é o choque da vida.
(05/02/2011)





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