Post dedicado aos solteiros desesperados para estarem com alguém

Olha como as coisas são:

quando eu tinha lá pelos três a quatro anos, aprendi uma música com a minha mãe, que ela adorava cantarolar. Para mim, a letra dizia apenas o seguinte:

“Papai do céu, me dá um namorado lindo, fiel, gentil e tarado.”

Esqueci completamente disso e agora só lembrei por causa daquele post sobre amnésia infantil.

Pela primeira vez na vida, fui dar um Google para descobrir de quem é essa música, crente que seria de alguma marchinha antiga de Carnaval, de alguma cantora desconhecida. Quase caí pra trás ao ver que é da minha querida Rita Lee, aquela mesma de quem tenho um ímã de geladeira e quase toda a discografia no computador, desde os Mutantes. Por alguma razão obscura, justo a música da minha infância passou batido durante todos esses anos, mesmo com o grande contato que tive com as músicas da Rita.

Após esse reencontro emocionado, que me revelou que a canção se chama Xuxuzinho e a letra é muito maior do que esses versinhos, comecei a pensar no significado deles.

É basicamente uma moça pedindo aos céus para ter um namorado. Ela nem é muito exigente: não precisa ter dinheiro, não precisa ser muito inteligente, nem o cara mais legal do mundo. Não precisa ter bom gosto musical, adorar cinema e torcer pro mesmo time de futebol. Não precisa estar bem informado, saber trocar o chuveiro queimado ou cozinhar arroz. Basta ser bonito, fiel, gentil e tarado.

Lembro nitidamente que eu perguntei à minha mãe o significado dessa última palavra. Droga, não lembro o que foi que ela respondeu pra mim! 😉

O importante é que essa memoriazinha fugaz, que recuperei justo agora, veio a calhar para este dia 12 de junho. Porque neste dia de mil propagandas e celebrações comerciais só me vêm a cabeça certos tipos de pessoa: aquelas desesperadas para estarem com alguém. Não falo dos solteiros convictos, nem dos solteiros satisfeitos com a fase da vida em que estão. Mas daqueles que estão angustiadíssimos, como no poema abaixo:

Lua cheia
Hoje todos os casais da cidade
saíram às ruas.
E me espiavam, de mãos dadas.
Abraçavam apertado e cochichavam,
olhando para mim.
Todos os olhares eram para mim.
Todos estavam apaixonados
— e me olhavam.
E eu fui encolhendo e apequenando
e tornei-me miúda com tantos olhares
de tantos casais de mãos dadas e abraço apertado.
E tornei-me sozinha.
E o único olhar que eu queria olhava pra lua.
Por sinal, cheia – belíssima.

Já repararam que essas pessoas geralmente são as que ficam insatisfeitas em qualquer fase da vida? As que estão sempre brigando com o namorado ou pensando em se divorciar do marido?

Penso nelas com certa piedade.

Estão sempre esperando por uma vida friamente imaginada ou planejada — que nunca vai acontecer — em vez de desfrutar das oportunidades que a vida real lhes oferece a todo momento, em cada fase.

É por isso que dedico este post aos solteirões e solteironas insatisfeitos do mundo. Desejo que eles saibam encarar esta data com o mesmo bom humor da Rita, porque é preciso que saibam que todas as fases da vida — do casamento, do namoro, do rolo e, claro, da solteirice — têm lados positivos muito aproveitáveis.

E desejo àqueles solteirões e solteironas, que não desejam mais esse status social, que sejam menos exigentes e olhem as pessoas ao seu redor, porque bastam quatro belas virtudes para que elas se tornem uma companhia perfeita.

Não fazem questão da beleza, gentileza, fidelidade e taradice? Escolham seu cardápio particular!

(Eu fico com a lealdade, a boa conversa, o bom humor e a simplicidade. O resto é resto ;))

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