Os conspiradores poderão escapar agora, mas não quando a democracia voltar ao Brasil

Ex-presidente do PSDB-MG Narcio Rodrigues é preso nesta segunda-feira. Foto: Uarlen Valério / O Tempo

Ex-presidente do PSDB-MG Narcio Rodrigues é preso nesta segunda-feira. Foto: Uarlen Valério / O Tempo

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Numa democracia séria, a cúpula do PMDB, incluindo Temer, Eduardo Cunha, Sarney, Romero Jucá, junto com Aécio Neves e outros personagens sombrios do conglomerado que se articula em torno do PSDB estariam presos e julgados por conspiração contra o Estado e contra a democracia. Até mesmo juízes do STF e o Procurador Geral da República estariam sendo investigados e sob o risco de prisão por conspiração.”

A afirmação é de Aldo Fornazieri, num artigo em que comenta gravações de Sérgio Machado, ex-senador pelo PSDB e que presidiu a Transpetro (Petrobras Transporte S.A.), subsidiária de nossa principal estatal. Para Fornazieri, doutor em Ciência Política e diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política desde 2006, as gravações “de Sérgio Machado não deixam dúvidas de que houve uma ampla e criminosa conspiração contra o Estado e contra a ordem democrática.”

Na perspectiva do autor do livro “Introdução ao Risco Político”, da Editora Campus, os políticos citados no início do artigo, “se não forem derrubados e presos nos próximos meses em consequência da luta política e da desobediência civil em curso terão que ser presos e julgados num futuro governo democrático”.

Para Fornazieri, nenhuma anistia futura, como a que beneficiou os que cometeram crimes no regime militar, deverá livrar os golpistas de hoje de condenações amanhã, quando a normalidade democrática e constitucional for restabelecida. Acrescenta:

“O ativismo político e social progressista e os intelectuais honestamente comprometidos com o Estado de Direito devem defender abertamente e cobrar das autoridades a necessidade de deter e julgar os golpistas. É até mesmo conveniente que se instaure um tribunal popular, dado o possível comprometimento do STF com o golpe, para que os conspiradores sejam julgados num ato de julgamento cívico e político.”

Recomendo aos que leram essa parte que continuem lendo o artigo AQUI.

Na minha opinião, o autor acerta quando atribui ao PSDB papel importante no golpe, que nasceu do protagonismo de Aécio Neves no movimento iniciado logo depois de conhecido 31o resultado das eleições de 2014 e que foi queimando etapas até chegar ao afastamento de Dilma Rousseff e à posse provisória, com ares de definitiva, do vice-presidente Michel Temer.

O que não foi previsto pelos golpistas é a rápida e irremediável caracterização do golpe como golpe, tanto no Brasil como no Exterior. O respaldo do Supremo Tribunal Federal não é capaz de dar legitimidade à deposição da presidente eleita, pois o próprio Supremo se desmoralizou com o protagonismo do ministro Gilmar Mendes e de outros ministros que se omitiram ou foram partícipes do golpe contra a democracia.

A imprensa blindou, até onde possível, os tucanos envolvidos em corrupção e que agiam para impedir o avanço da Lava Jato sobre suas carcaças. Até fora da jurisdição da Lava Jato – do juiz Sérgio Moro, do relator no STF, ministro Teori Zavascki, e do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot – tucanos começam a ser presos.

É o caso da prisão, nesta segunda-feira, do ex-deputado federal tucano Nárcio Rodrigues, que foi presidente do PSDB mineiro de 2004 a 2007, quando Aécio Neves governava o Estado, e de 2009 a 2011. Foi também secretário de Ciência e Tecnologia no governo Antonio Anastasia, o nobre relator do processo de impeachment no Senado.

A prisão de Nárcio – pai do deputado federal Caio Nárcio, do PSDB mineiro – se deu durante a operação Aequalis, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais, que, nos oito anos do governo Aécio Neves e nos quatro de Anastasia, fazia cara de paisagem quando o assunto eram crimes atribuídos a membros do PSDB mineiro.

Não se diga que é surpreendente essa mudança de comportamento do Ministério Público Estadual, pois no momento o governador chama-se Fernando Pimentel, do PT, que foi indiciado pela Polícia Federal em abril, na Operação Acrônimo.

Não me estenderei sobre a operação Aequalis. Os portais de “O Tempo” e da “Folha de S.Paulo” informaram suficientemente a respeito, na própria segunda-feira. No portal O Tempo, é imperdível o vídeo em que Caio Nárcio votou pelo afastamento de Dilma citando a honestidade do pai: “Por um Brasil aonde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não eram possibilidade, eram obrigação.”

Coisas assim me fazem pensar que Aldo Fornazieri não peca por excesso de otimismo quando prevê que, um dia, quando se restabelecer a democracia no Brasil, os golpistas vão pagar por seus crimes.

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