As pipocas e o escárnio do Supremo aos brasileiros

Reprodução/ Youtube do Porta dos Fundos: https://www.youtube.com/watch?v=lgjZtty2vfU

Foto: Reprodução/ Youtube do Porta dos Fundos

Texto escrito por José de Souza Castro:

Dos poderes da República, o Judiciário foi o mais poupado pela imprensa desde tempos que se perdem nas brumas do passado. Isso começa a mudar. Não por causa dos grandes empresários do setor, que continuam cautelosos. Cada um tem seus motivos para tanto, razões que preferem não explicitar aos leitores e ouvintes. A mudança se observa principalmente pela ação dos blogueiros.

Sei do que estou falando. Quando chefiava a redação da sucursal do “Jornal do Brasil” em Belo Horizonte, em meados da década de 1970, vi-me às voltas com denúncias fundamentadas de nepotismo no Tribunal Regional do Trabalho de Minas. O JB foi uma voz isolada por mais de seis meses, mas as denúncias tiveram consequências, como se lê no livro “Injustiçados – o caso Portilho”, disponível na biblioteca do blog.

Hoje não é tão raro que críticas a juízes ganhem a atenção da imprensa. Por exemplo, o portal do “Valor”, pertencente aos grupos Globo e Folha de S.Paulo, publicou no dia 26 de abril, às 20h, reportagem assinada por Thiago Resende e Raphael Di Cunto. Diz [grifo nosso]:

“Às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal e a possível troca de governo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, recebeu o apoio líderes de partidos na Câmara, que, em acordo, vão tentar aprovar o reajuste salarial de servidores do Judiciário e de magistrados rapidamente. A ideia é aprovar a urgência do projeto de lei nesta quarta-feira e, no mesmo dia, analisar o mérito do texto no plenário da Casa.”(…) “Nos corredores da Câmara o convite feito aos deputados hoje por Lewandowski para o café é apelidado de ‘cobrança da fatura’ após o STF não interferir nas votações do impeachment pela Casa. Alguns ministros saíram em defesa do processo para reforçar o discurso da maioria do deputados de que não há o golpe acusado pelos petistas e movimentos ligados ao PT”.

A chamada grande imprensa não se interessou pelo assunto, ao contrário de alguns blogs. Todos destacando a pressa com que os deputados prometem aprovar a pretensão do Supremo, depois do fiasco da tentativa feita em 2015, quando a proposta aprovada na Câmara e no Senado foi vetada por Dilma Rousseff – que está pagando caro pela ousadia.

Ousados também são jornalistas como Paulo Nogueira, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises “Diário do Centro do Mundo”, que não tem poupado os ministros do Supremo. Como nesta matéria: “Nestes dias dramáticos em que uma jovem democracia enfrenta a iminência de um golpe nascido da vingança de um psicopata metido em múltiplas roubalheiras”, afirma Nogueira, o STF se dedica a deliberar sobre se as pessoas podem entrar com pipoca no cinema (veja mais AQUI e AQUI).

Isso ocorre quando faz mais de quatro meses que o procurador geral da República Rodrigo Janot pediu ao STF o afastamento de Eduardo Cunha. “Faz ainda mais tempo que as autoridades suíças entregaram, de bandeja, provas de contas secretas de Cunha na Suíça. Tais contas significavam não apenas corrupção extrema. Mostravam, além disso, que Cunha mentira sob juramento no Congresso ao dizer que não tinha contas no exterior”, escreveu Nogueira, para quem “o bom senso – para não falar a decência – impunha que o STF julgasse em caráter de urgência o caso Cunha”.

Conclui Nogueira: “Se tivéssemos instituições respeitáveis não estaríamos na iminência de ver um partido degradante como o PMDB na beira de tomar o poder depois de uma cruzada descarada da plutocracia em nome do combate à corrupção. E nem teríamos que suportar as pipocas aparecerem no topo da agenda do STF.”

Não há como não concordar, quando ele declara: “É um escárnio para o Brasil. Uma bofetada. Melhor: uma cusparada.”

Como reagir à cusparada? Cuspindo de volta.

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4 comentários sobre “As pipocas e o escárnio do Supremo aos brasileiros

  1. O texto tem um erro simples que acaba atrapalhando os argumentos. O Supremo não está dedicado a julgar o tema das pipocas. Foi a associação de exibidores que provocou a corte em abril. O julgamento nem sequer foi pautado. Abs

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