Policiais-bandidos* = bandidos

Mais de 4.000 pessoas foram assassinadas por policiais — só em São Paulo — entre 2005 e maio deste ano.

Já falei aqui do trabalho do meu amigo André Caramante e das consequências de fazer jornalismo corajoso e sério como o que ele faz, numa área delicada como a segurança pública.

Terminei aquele post dizendo: “O que me exaspera é saber que as ideias do coronel são compartilhadas por centenas de pessoas.”

E são mesmo. Acabo de travar uma discussão de mais de uma hora (ainda não sei se acabou) com um colega que eu nem suspeitava que teria essa visão reacionária de mundo. Quantos outros existem no meu círculo de amigos? E fora dele?

A discussão passa pela ideia de que, se um policial mata um bandido, tudo bem. “Bandido bom é bandido morto”, etc. Acontece que não há pena de morte no Brasil. E, para cada “bandido” morto por um policial, há milhares de inocentes apagados juntos. E, então, o policial se torna bandido e deve responder pelo crime de homicídio. E, como tal, deve ser julgado, condenado e preso, como está previsto na lei (e como deveria ocorrer a todo “bandido”).

Enfim, nada que valha a pena de discutir no meu bloguinho de novo. É tão óbvio a quem dá valor à vida, mas tão óbvio, que não carece tanto esforço mental e das juntas.

Eu retomei o assunto só porque hoje li uma bela aula de jornalismo dada pelo mesmo André Caramante ao jornalista André Maleronka, editor da “Vice”.

Essa entrevista deveria ser lida de cabo a rabo por todo mundo: os que lêem jornais, os que não lêem; os que defendem a polícia que mata, os que se indignam com ela; os que acreditam em direitos humanos e os que acham que um ou outro inocente morto é só um “efeito colateral” desejável para a limpeza dos males da sociedade (chamo isso de fascismo); os que defendem um jornalismo combativo e aqueles que acham que jornalista tem que ser chapa-branca e ficar puxando saco de policial e gritando que todo mundo é bandido, sem se preocupar em apurar os fatos e aguardar (ou fazer) as investigações, ao pior estilo Datena.

Leia AQUI e bom desfrute!

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Para relembrar:

* Fiz questão do hífen para não desmerecer os policiais sérios, que também existem.
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