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Nosso bolso e os prejuízos da Cidade Administrativa

Texto de José de Souza Castro:

Já escrevi sobre a nova sede do governo de Minas chamada “Cidade Administrativa”, resultado da megalomania do governo Aécio Neves, e dos prejuízos que ela deu aos contribuintes mineiros e aos próprios funcionários públicos que precisam se deslocar para lá diariamente. Hoje a “Folha de S. Paulo” revela que os prejuízos podem continuar, enquanto Aécio afia suas armas para disputar a presidência da República.

Como se depreende de reportagem assinada pelo correspondente em Minas, Paulo Peixoto, muitos amargaram prejuízo e alguns poucos terão muito lucro com essa aventura imobiliária do governo estadual.

Até as pedras do caminho sabiam que, quando o governo investiu mais de um bilhão de reais (o valor exato não se sabe, porque não há transparência nessa e em outras questões), aquela região, que fica a mais de 20 quilômetros do Centro de Belo Horizonte, sem qualquer infraestrutura a não ser a rodovia que leva ao Aeroporto de Confins, se valorizaria tremendamente.

Mas, ao contrário de alguns espertos da iniciativa privada, não sei se avisados com antecedência ou por clarividência, o governo não tratou de comprar antes os terrenos em volta para montar a infraestrutura necessária ao funcionamento da “Cidade Administrativa”, antes de anunciar sua construção e iniciar uma vertiginosa valorização impulsionada pelos especuladores.

Dito isso, voltemos ao que escreveu Paulo Peixoto:

“Os terrenos que o governo de Minas quer desapropriar no entorno da Cidade Administrativa podem custar 1.988% a mais do que o Estado ofereceu há três anos. Inaugurado em março de 2010, o complexo abriga 55 órgãos do governo de Minas Gerais e 15 mil servidores. Como o local fica a 20 km do centro de Belo Horizonte, em uma região sem estrutura de serviços, o governo de Minas pretende desapropriar uma área de 1,1 milhão de metros quadrados no entorno para a instalação de lojas, escritórios e hotéis. Mas as perícias judiciais feitas para as ações de desapropriação das áreas – já que o Estado e os cerca de 80 donos dos terrenos não chegaram a um acordo – estabeleceram um valor do metro quadrado muito superior ao oferecido pelo governo. Em ações em tramitação na Justiça em Belo Horizonte analisadas pela Folha, o valor médio do metro quadrado fixado pelas perícias (em maio de 2010) foi R$ 568,81. A Codemig, autarquia estadual autora das ações, ofereceu R$ 27,24. O governo sustenta que o valor da desapropriação não deve levar em conta a valorização de mercado, já que o decreto de desapropriação, de 2007, é anterior à própria Cidade Administrativa.”

Suprimi alguns parágrafos no texto do jornal. Assinantes da Folha podem ler a íntegra AQUI.

Meus artigos sobre a “Cidade Administrativa” estão nestes links:

Para terminar, uma sugestão: por que o Governo de Minas, que há quase nove anos vem sendo dirigido por tucanos, não deixa que a iniciativa privada se encarregue de comprar os terrenos com recursos dela mesma, para construir ali o que quiser, conforme a demanda existente? O mercado não sabe o que faz? Desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso era ainda ministro da Fazenda de Itamar Franco, temos ouvido tucanos dizerem que o governo é pouco eficiente em relação às empresas privadas. Por que insistir no erro? Por que não se desvencilhar dos especuladores, se Antonio Anastasia não tem rabo preso com eles?

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

4 comentários em “Nosso bolso e os prejuízos da Cidade Administrativa Deixe um comentário

  1. Toda vez que eu passo ali (de vez em quando vou a BH), fico pensando naquela favela (pelo menos, é o que parece) sobre aquele morro logo depois da Cidade Administrativa para quem sai de BH. Certamente não estará mais ali dentro em pouco. Qual vai ser o destino dessa moçada…?

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  2. Li hoje no Boletim Mineiro de História (http://boletimdehistoria-ricardo.blogspot.com/%5D:

    O gasto operacional da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do governo de Minas, ultrapassou em setembro o valor previsto para todo o ano. No orçamento foram destinados R$ 97 milhões, mas já foram gastos R$ 99,6 milhões.

    (…) Quando a Cidade Administrativa foi inaugurada, em março de 2010, o governo anunciou que havia a previsão de reduzir em R$ 85 milhões por ano as despesas com a máquina pública ao transferir as secretarias para o prédio localizado no Vetor Norte da capital mineira. Um ano depois de concluída, a Cidade Administrativa ainda não conseguiu, como previa, concentrar em um só local secretarias, autarquias e fundações. Conforme cronograma estabelecido pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), a transferência dos servidores deveria ter sido concluída em junho do ano passado, junto ao estudo que apontaria o valor dos imóveis para venda. Segundo cálculos do governo, a economia com o pagamento de aluguéis, quando a mudança estiver concluída, será de R$ 19,7 milhões por ano.

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