Tchekhov propõe um concurso literário!

— Ficou assim depois que ganhou uma fortuna no cassino –, cochichou a senhoria, a escada rangendo atrás de si. — Acabrunhado, com medo de todos, sabe? Entra aqui, tira o chapéu com esse olhar vazio, sobe para o quarto, bate a porta. Às vezes passa dias sem comer. Não agüento ver isso. Acho que pirou, sabe? Não agüentou a pressão. Dizem que ganhou um milhão. Deu metade à família, uns mortos de fome como ele era, ouviu ameaças da ex-mulher, que hoje vive com um gigolô sem uma esteira pra dar um ataque. Outro dia uns agiotas invadiram-lhe o quarto e reviraram tudo. Eu teria colocado ele pra fora depois disso, não gosto de confusão por aqui, mas, como digo, não agüento, já são mais de dez anos de convívio, né? E ele dobrou o pagamento, é um homem generoso. Acho que ele não se deu conta de que pode comprar um castelo e largar essa pensão, sabe? Bem, nem sei se ainda pode. Acho que a vadia disse coisas que não há ouvido que agüente, os agiotas só querem lhe sugar o sangue. Se ele não morasse aqui, quem sabe já não teria sido morto por essa gente…

Foi interrompida por um estalido seco. Subiu correndo as escadas, Oh, Carlos, o que você fez!, enquanto o outro preferiu procurar outra pensão para morar.

Escrevi o conto acima para um exercício da oficina de narrativas que estou fazendo com o Fabrício Corsaletti.

O objetivo do exercício era escrever um miniconto de até dez linhas (juro que este tinha dez linhas no Word; o blog tem a letra muito grande e a coluna pequena) sobre o seguinte tema:

“Um homem, em Monte Carlo, vai ao cassino, ganha um milhão, volta para casa, se suicida. (Tchekhov)”

Propus o desafio de Tchekhov à moçada do blog Novo em Folha e muitos aceitaram o desafio, com textos excelentes.

E vocês, topam entrar no jogo? Vamos transformar este blog num concurso literário dinâmico! 😀

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