Clarabóias

Recomendo a leitura de todas as “claraboias” que Saramago escreveu e que vêm sendo publicadas agora em seu blog.

Tipo esta:

“Sim. Os tempos são outros, mas os homens são os mesmos…” (Claraboia 22)

E esta:

“Os mesmos lábios podem beijar de diversas maneiras e Lídia conhecia-as todas. O beijo apaixonado, o beijo que não é apenas lábios mas também língua e dentes, era reservado para as grandes ocasiões. Nos últimos dias fizera largo uso dele, vendo que Paulino se afastava ou, pelo menos, o parecia.” (Claraboia 19)

Ou esta:

“Amanhã, não sei o que serei. Talvez desempregado. Não seria a primeira vez… Ignoro se sabe o que é estar sem trabalho, sem dinheiro e sem casa. Eu sei.” (Claraboia 16)

E:

“Nessa manhã, muito a contragosto porque chovia, Carmen saiu às compras. A casa ficou tranquila, isolada pelo sossego dos vizinhos e pelo rumor sossegado da chuva. O prédio vivia uma daquelas horas maravilhosas de silêncio e paz, como se não tivesse dentro de si criaturas de carne e osso, mas sim coisas, coisas definitivamente inanimadas.” (Claraboia 14)

A melhor:

“Estava só. O cigarro ardia lentamente entre os dedos. Estava só como três anos antes, quando conhecera Paulino Morais. Acabara-se. Era preciso recomeçar. Recomeçar. recomeçar…
Devagar, duas lágrimas brilharam-lhe nos olhos. Oscilaram um momento, suspensas da pálpebra inferior. Depois, caíram. Só duas lágrimas. A vida não vale mais que duas lágrimas.” (Claraboia 6)

Boa:

“É sempre a mesma história. Para uns, muito; para outros, pouco: e para outros, nada. Quando é que essa gente aprende a pagar aquilo de que precisamos para viver?” (Claraboia 3)

A primeira:

“Deixou cair o livro lentamente e, de olhos fitos no espelho, onde a sua cara tinha, agora, uma expressão de espanto que recordava a mãe, recapitulou em segundos a sua vida – luz e sombra, farsa e tragédia, insatisfação e logro.”

Leia todas a partir DESTA.

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